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A hora e a vez da indústria da imaginação

Uma casa de madeira, construída ao estilo do meio oeste americano, pousou de cabeça para baixo do lado esquerdo da entrada principal do Centro de Convenções de Austin, e lá permaneceu durante quase todo o SxSW


28 de março de 2016 - 11h37

Poderia ser uma versão pós-moderna da velha casa da menina Dorothy, vinda diretamente do Arkansas (ou da terra mágica de Oz) para o Texas. A insinuação era clara. Ou seria ainda o cenário de alguma produção a ser gravada durante o festival? Nem isso nem aquilo. Era uma ação de marketing da série “Preacher”, do canal AMC (o mesmo de “Mad Man”, “The Walking Dead” etc.).

É assombroso e divertido ver o que a criatividade e o marketing são capazes num país em que a economia vai bem. A casa de “Preacher” foi desmontada, mas vai permanecer para sempre na nuvem, à distância de uma busca taggeada com #welcometoannville.

Durante o festival, presenciamos inúmeras ações de divulgação da produção criativa dos Estados Unidos. A Samsung usou sua casa para lançar a série interativa de suspense “Gone”, produzida em realidade virtual. A HBO não poderia deixar “Game of Thrones” de fora dessa festa e remontou o Hall of Faces em uma outra esquina de Austin. É marketing tipo ostentação para ninguém botar defeito.

Tudo isso ajuda a demonstrar o calibre da indústria criativa americana (que abriga audiovisual, música, publicidade, design, desenvolvimento de software e games, gastronomia, moda e arquitetura, entre outros setores).

Nos Estados Unidos, US$ 1,011 trilhão (3,5% do PIB) têm origem nos negócios criativos, de acordo com dados da Firjan/Sebrae. No Brasil, US$ 110 bilhões (2,7% do PIB). Corremos atrás dessa diferença diariamente, e foi isso o que fizemos também ao vir para o SxSW, um local de encontro para criadores e produtores do mundo todo.

Em muitos países, essa indústria amadureceu ao se tornar relevante na economia, como foi o caso de Reino Unido, Alemanha e Colômbia, entre outros.

É fato, porém, que o Brasil já pode reconhecer na economia criativa, com destaque para o audiovisual, uma alternativa a mais às velhas commodities.

Não se trata apenas de arte e inovação, mas de uma indústria geradora de empregos, com praticamente nenhum impacto ambiental. O consumo desse conteúdo não se dá apenas na sala da TV ou do cinema, mas em qualquer lugar, em telas de telefones celulares e tablets. E para este ano está prometida a popularização de mais player: a realidade virtual (dividida em celulares e óculos), que ocupou o discurso de painéis e keynotes, conversas em grupos no Facebook e no Whatsapp, durante todo o SxSW.

Vale lembrar ainda que a indústria criativa também tem um papel estratégico na difusão cultural de uma nação. Sem muito esforço, o Brasil já é reconhecido por suas músicas, festas, belezas. Por que não vamos adiante?

A experiência no festival me dá subsídio para dizer que os Estados Unidos (ou ao menos os americanos que estiveram em Austin) estão realmente interessados no quê a baiana segue tendo.

Inspirados por tudo o que vimos no festival, digo que vamos trabalhar para que os ventos mágicos soprados pelo marketing também levem por aí as casinhas de cabeça para baixo que construímos por aqui.

Elisangela Roxo, produtora executiva de projetos da Academia de Filmes

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