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#flâneur

Eu espero conseguir trabalhar nas pequenas lacunas que podem se formar nesse processo


8 de março de 2017 - 18h27

flaneaur

Em 1863 o jornal Le Figaro publicava uma crônica que mostrava pela primeira vez a figura que se tornaria o símbolo das transformações pelas quais o mundo passaria no começo do século XX.

O Flâneur foi criado por Charles Baudelaire e depois usado por Walter Benjamin para personificar a sensação de se estar no meio de uma coisa nova para a época: a multidão. Em Paris, a cidade que se configurava como uma das grandes metrópoles do mundo e que naquele momento era a concretização do moderno, o termo foi descrito assim:

A multidão é seu universo, como o ar é o dos pássaros, como a água, o dos peixes. Sua paixão e profissão é desposar a multidão. Para o perfeito flâneur, para o observador apaixonado, é um imenso júbilo fixar residência no numeroso, no ondulante, no movimento, no fugidio e no infinito. Estar fora de casa, e contudo sentir-se em casa onde quer que se encontre; ver o mundo, estar no centro do mundo e permanecer oculto ao mundo, eis alguns dos pequenos prazeres desses espíritos independentes, apaixonados, imparciais que a linguagem não pode definir senão toscamente. (Baudelaire, Charles. “O pintor do mundo moderno”, originalmente publicado em Le Figaro, in 1863).

Quando ficou decidido que eu iria para o SXSW, fiquei imaginando como capturar essa experiência pra poder transmitir um pedaço para os que estarão por aqui acompanhando o evento.

Então me lembrei dessa figura e passei a olhar para Austin como se fosse Paris daquela época. O lugar que concentra, durante dez dias, uma quantidade tão absurda de informação, estímulo, conceitos, novidades, provocações, que se torna temporariamente o “centro do mundo”.

Muita gente vai estar lá, vai transcrever palestras, transmitir lives, gerar textões, postar selfies. E isso tudo vai ser muito legal.

Eu espero conseguir trabalhar nas pequenas lacunas que podem se formar nesse processo. Olhar do chão. Fixar meu olhar “no ondulante, no movimento, no fugidio e no infinito”. Estar oculto ao mundo. Traçar uma nova cartografia desse momento. Mapas de estímulos e influências.

Isso significa que vai valer quase tudo. Ainda não fiz o roteiro das palestras que quero ver, mas acho que a escolha vai ser usando o mesmo processo, uma coisa quase que randômica, deixando esse acaso fazer parte da experiência. E registrando o impacto que essas coisas vão ter em mim, e, principalmente, no meu fazer.

Vai ser divertido.

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