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Dez ideias para inspirar transformações

A jornalista Noor Tagouri compartilhou sua história para refletir sobre identidade e superação

Igor Ribeiro
11 de março de 2017 - 19h39

Animada, Noor Tagouri subiu ao palco do Convention Center para falar pela primeira vez no South by Southwest e marcou, assim, seu “check list” de eventos em que foi painelista. De fato, apresentar sua história em palestras tornou-se um segundo trabalho (talvez primeiro) da jornalista da Newsy (network americana de vídeos noticiosos). Com um tom bastante motivador, ela contou como uma americana, muçulmana e descendente de libaneses venceu desafios entre uma sociedade branca, cristã e machista.

Noor Tagouri, durante sua fala no SXSW (Crédito: Igor RIbeiro)

Noor Tagouri, durante sua fala no SXSW (Crédito: Igor RIbeiro)

Antes da Newsy, Noor passou pelas redações de redes de TV como a ABC e a CBS. Nesta, ela ainda era estagiária quando sentou, durante o intervalo de um telejornal, na bancada e pediu para uma amiga tirar uma foto. Postou no Facebook com a legenda “Esse é meu sonho”, expondo seu desejo de tornar-se a primeira âncora do país a usar no ar o hijab – véu com o qual mulheres muçulmanas costumam cobrir a cabeça. A foto viralizou, dando projeção nacional a Noor e seus projetos. Veja a seguir as dez ideias transformadoras que a jornalista aprendeu em sua jornada e compartilhou com a audiência do SXSW:

1 – Vista sua identidade
Na escola que frequentou na infância em uma pequena cidade do anterior, Noor era a única menina de cabelos negros entre dezenas de loiras e sentia-se excluída e envergonhada. Quando, já adolescente, mudou com os pais para Washington, encontrou uma cidade cosmopolita com todo tipo de pessoas, e teve um choque cultural. Foi quando se questionou: “Por quê eu evito usar meu hijab?” Assim iniciou sua virada e assumiu publicamente sua religião, sua identidade, ventindo-se de si mesma.

Não importa se é num jornal, em redes sociais ou um desfile de moda, você sempre pode encontrar mais formas inovadoras de transmitir histórias

 

2 – Encontre-se em si mesma
Em seguida, apaixonou-se pelo jornalismo. “Me interessei muito por reportagem narrativa e decidi que, se quisesse ser muito boa, teria de estudar demais”, falou. Entrou na faculdade aos 17 anos e se formou aos 20. Com esse exemplo, Noor destacou a importância de encontrar sua essência naquilo que se escolhe como profissão, como num exercício de auto-conhecimento.

3 – Deixe sua luz interior brilhar
Noor vincula essa ideia ao episódio da foto do Facebook. Ela destaca que de nada adianta ser autêntica se essa ideia não é projetada ao mundo.

A foto de Noor, quando ainda era estagiária, que viralizou nas redes sociais: primeira âncora a usar hijab em rede nacional (Crédito: Reprodução)

A foto de Noor, quando ainda era estagiária, que viralizou nas redes sociais: primeira âncora a usar hijab em rede nacional (Crédito: Reprodução)

4 – Crie você mesma e acredite em relacionamentos
Espécie de atualização do lema punk “Faça você mesmo”, Noor defende que só você é responsável pelos sonhos e, se não encontrar estímulos no trabalho ou na escola, mude de emprego, de curso, ou seja independente. Nesse processo, é alta a probabilidade de encontrar pessoas com metas parecidas, que se tornam parceiros e aliados.

5 – Encontre sua tribo
A jornalista disse que precisou se desvencilhar dos trabalhos que realizava nas emissoras porque neles raramente conseguia se aprofundar nas histórias que mais tinha prazer de contar: a luta de minorias, de imigrantes, de cidadãos e seres humanos que não são devidamente defendidos ou representados na sociedade. Entre essas pessoas não só encontrou seu trabalho, mas também sua tribo.

6 – Se utilize de mais mídias
Para Noor, mesmo o conceito moderno de multimídia é ultrapassado e, para que você consiga se transformar, é preciso expandir sua concepção de meio. “Não importa se é num jornal, em redes sociais ou um desfile de moda”, disse, “você sempre pode encontrar mais formas inovadoras de transmitir histórias”.

7 – Respeite o microfone e controle a narrativa
Duas ideias complementares: se por um lado você tem de estar disposta a ouvir os outros para construir essas histórias – as suas e/ou as deles –, por outro você tem de tomar cuidado para que o fluxo digital não crie inverdades. Ela cita o episódio em que o site Raw publicou uma foto dela como se ela fosse Noor Salman, esposa do atirador que matou 49 pessoas numa boate em Orlando, em junho do ano passado. A jornalista protestou e o site trocou a foto e se desculpou.

8 – Play on, playa
Noor se refere a uma famosa gíria americana, algo como “Tá se achando o último biscoito do pacote”. Com isso, ela reforça que sempre há mais trabalho para se fazer e que se desenvolver deve ser uma busca constante.

(Crédito: Igor Ribeiro)

(Crédito: Igor Ribeiro)

9 – Celebre os dez mil
Aqui, outra reflexão de Noor que tem um paralelo brasileiro, para quem curte rap nacional: os 50 mil manos dos Racionais MCs. Segundo a jornalista, você deve sempre se lembrar que deve muito aos pioneiros que abriram caminho para você e as dez mil pessoas, usando uma grandeza hipotética, que você representa, porque têm desafios e sonhos como os seus.

Noor Tagouri deixou o décimo ponto aberto para cada um completar com sua ferramenta de transformação pessoal. E encerrou seu painel citando o profeta Maomé: “Mesmo que você veja o Juízo Final se aproximando, não deixe de plantar uma semente”.

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