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Uma missão possível

Seja bem-vindo ao quarto épico digital. Seja bem-vindo a 2017.


12 de março de 2017 - 14h51

Todos nós já vimos dezenas de filmes estrelados por Tom Cruise, como o clássico Missão Impossível. Para mim, esses filmes representam o melhor da produção técnica no cinema, com cenas de tirar o fôlego e altíssima complexidade na realização.

Há pouco tempo conhecemos o primeiro protótipo Oculus Rift. Era o início da discussão sobre o tema realidade virtual. Início? Mais ou menos. Quem acompanha a tecnologia há mais tempo sabe que a realidade virtual é uma tecnologia nem tão nova assim.

Por exemplo, o primeiro simulador de vôo do mundo foi criado por Edwin Link nos anos 20.

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Com os avanços da tecnologia, o surgimento de uma das primeiras experiências em multimídia, na forma de teatro interativo, foi projetada por Morton Heilig e ficou conhecida como “Sensorama”. Nesta forma de realidade virtual bastante prematura, inventada em 1957, mas patenteada apenas em 1962, o espectador sentaria em uma cadeira rotativa que permitia que ele olhasse para o canvas retangular de uma tela de projeção onde ele poderia ver imagens estereoscópicas que davam a ilusão de profundidade e a possibilidade de ver algo por um ângulo diferente. Simples, mas uma novidade.

O primeiro head mounted display (HMD) foi desenvolvido por engenheiros da Philco, com o nome de “Headsight”, projetado para ser utilizado por pilotos de helicóptero que precisavam ver os arredores enquanto voavam à noite.

Em 1968, Ivan Sutherland criou o “Ultimate Display”, um HMD integrado a um computador que permitia ao usuário contemplar um mundo virtual, mas o equipamento era tão pesado que precisava de um sistema mecânico para sustentá-lo.

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Bom… é bem aqui que o VR dá outro salto! A experiência “The Mummy – Zero Gravity”, apresentada no “Ballroom B” do Centro de Convenções. no SXSW, é com certeza um marco no desenvolvimento e na maturação da realidade virtual no mundo e nos leva a voltar ao tempo, no tempo das cadeiras rotativas de Morton Heilig, só que agora imersivos em uma experiência inesquecível e realmente incrível.

Quando a experiência começou, confesso que pensei: “Mais uma daquelas experiências de cinema VR, na qual você está imerso em um ambiente 3D, porém vendo o conteúdo em um canvas retangular”. Mas eu estava errado! Era apenas o começo de algo sem precedentes que eu estaria por viver.

Eles decidiram explorar o making of de uma cena de extrema complexidade, de zero gravidade, filmada dentro de um avião de verdade em um voo parabólico, mostrando como aquela cena incrível foi criada.

O avião decola com uma inclinação de 47° e, durante a decolagem acelerada, os passageiros sentem quase o dobro de seu próprio peso e são literalmente “pregados” ao piso do avião. Quando é atingida a altitude necessária, os motores da aeronave são desligados. Pela inércia, o avião avança por cerca de mil metros até perder impulso. É neste ponto que começa que as pessoas e os objetos dentro da cabine são “liberados” da força da gravidade. Por um truque da Física, a atração da Terra é quase imperceptível, simulando a “gravidade zero”, ou melhor, a “microgravidade”, pois é impossível escapar completamente da força da gravidade.

Em VR, voltando ao conceito criado por Morton Heilig, a produção de “The Mummy” conseguiu me impactar verdadeiramente, mostrando que a realidade virtual já passou pelo “vale da morte” (um termo utilizado para muitas inovações que morrem antes do seu tempo de maturação), mas foi resgatada.

Você pode achar que realidade virtual é algo novo, mas saiba que está vivendo hoje uma tecnologia avançada e maturada e que irá definir as novas fronteiras do storytelling, do cinema e da experiência de marca.

De uma simples rotação de cadeira para a sensação física-visual do que é estar dentro de uma boa produção de VR, posso dizer que a realidade virtual não é mais uma promessa, não é mais uma missão impossível, é hoje uma realidade, algo tangível, experienciável, bonito, artístico, sensível e tocante.

Seja bem-vindo ao quarto épico digital. Seja bem-vindo a 2017.

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