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Sabia que a pós-verdade chegou até a moda?

Evilásio Miranda, do Instituto Europeu de Design, fala sobre o aumento da complexidade na construção de marcas

Luiz Gustavo Pacete
13 de março de 2017 - 10h47

evilasio

Evilásio Miranda, professor de Design Thinking do Instituto Europeu de Design

“Pós-verdade” foi a palavra que definiu o ano de 2016, segundo o Oxford. Desde então, ela vem sendo usada na política, nas piadas, no jornalismo e onde mais for possível. A moda não escapa deste contexto. Para Evilásio Miranda, professor de Design Thinking do Instituto Europeu de Design, o uso do termo para a moda faz todo sentido e pode nortear muitas discussões relacionadas ao tema.

“De um lado, empresas que buscam cada vez mais lucros e abrem mão de alguns valores, de outro, consumidores que cada vez mais buscam a verdade e a relação transparente relacionada ao comércio justo”, diz Evilásio. Ele foi o primeiro brasileiro a abrir uma palestra do SXSW na tarde do sábado, 11. Sua apresentação teve como foco modelos de negócios internacionais para marcas de moda independentes.

Em entrevista ao Meio & Mensagem, Evilásio falou sobre a complexidade atual no consumo de moda e a importância do fortalecimento das marcas independentes.

Como a tecnologia está mudando a moda
Hoje, vivemos em um momento de tendências muito difusas. Nunca existiram tantas gerações diferentes no mercado de consumo. A gente tem geração Z, Y, baby bommers, o pai dos baby boomers, gente muito velha consumindo. Recentemente, fizemos uma pesquisa com o Google sobre geração Z e isso mostrou que as redes sociais influenciaram diretamente no mercado da moda já que as pessoas passaram a postar suas fotos nas redes sociais em viagens e cada momento começou a demandar uma roupa específica. Olha o impacto disso. E, neste contexto, pós-verdade nunca fez tanto sentido, de um lado, empresas que buscam cada vez mais lucros e abrem mão de alguns valores, de outro, consumidores que cada vez mais buscam a verdade e a relação transparente relacionada ao comércio justo.

helen rodel

Helen Rodel, marca brasileira que vem ganhando espaço internacional

Marcas independentes devem se internacionalizar
As marcas de nicho geralmente estão ligadas a causas e questões muito específicas. O Brasil ainda não tem uma cultura de moda tão avançada e madura e no nosso mercado esses nichos acabam se isolando ainda mais, por isso a importância de essas marcas buscarem o mercado internacional. Para que elas tenham sustentabilidade de longo prazo. É possível que marcas brasileiras atuem na Europa, nos Estados Unidos, no Oriente Médio.

Os pontos positivos de uma marca que quer alcançar o mundo
O mercado de moda é extremamente competitivo. Uma marca precisa manter sua essência e originalidade. Uma das principais falhas de marcas de moda independentes que querem se internacionalizar é não ter conhecimento de si próprio. Frequentar feiras erradas, falar com veículos de comunicação que não fazem sentido. Ações que gastam tempo e não darão retorno. Para isso, é fundamental ter conhecimento de sua essência.

O que as pessoas esperam do Brasil em termos de moda
Nesses primeiros dias no SXSW, sinto que tem muita curiosidade sobre o que podemos oferecer. Organizei um meet up sobre colaboração na moda e percebi essa escassez de informações sobre o que nós produzimos. Existe um interesse pontual em saber e entender como o Brasil trabalha cobranding na moda e quem são os criativos da moda brasileira. Tivemos aqui a presença de uma executiva do Google que falou sobre o projeto Jaguar em parceria com a Levi´s e neste painel eu percebi muita gente procurando saber mais sobre o Brasil e sua produção.

A relação cultural do Brasil com a moda
Nossa relação com a moda é bastante histórica. Vem da família real e da ideia de que tudo que se valorizava vinha de fora. Isso fez com que não desenvolvêssemos um modelo de produção de moda local que fosse amplamente divulgada e absorvida pelo consumidor. Até pouco tempo o Brasil nem atendia necessidades básicas das pessoas em relação a se vestir. Por isso esse desafio em relação ao tema.

Comércio justo para quem?
Muito se fala sobre comércio justo no mundo todo, e no Brasil, inclusive, mas quando vamos a Europa queremos pagar US$ 5 em uma blusa na H&M, dessa forma é impossível ter salário justo quando se fala em produto final. É o momento de o consumidor repensar isso. Se identificar com comércio justo não pode ser somente na teoria, precisa ser algo na prática.

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