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Diversidade diversa, diversificada

Temas como equidade de gênero e tolerância ganham força nas conferências e debates

Igor Ribeiro
14 de março de 2017 - 12h08

As conversas mais aquecidas no South by Southwest deste 2017 não dizem respeito a realidade virtual, inteligência artificial ou conquista espacial. Se considerado que temas assim sempre estiveram presentes na agenda do evento em menor ou maior grau, os assuntos que têm realmente escalado são menos de Exatas e mais de Humanas, digamos. Economia comportamental, negócios com novos lícitos, arte, moda, esportes, política urbana são temas que costumavam ter aderência mínima no passado e hoje têm forte presença na programação.

Como ocorre em muitas economias desenvolvidas ou em crescimento, diversidade tem sido um tema essencial neste SXSW. Aparece, por exemplo, numa conversa entre Lisen Stromberg, uma das líderes do movimento 3%, e Brad Jakeman, presidente global do segmento de bebidas da PepsiCo, ao discutirem um tema recorrente até mesmo no Brasil, no que diz a equidade profissional no ambiente das agências de propaganda. Também se reflete na luta da jornalista muçulmana Noor Tagouri na busca por tolerância e aceitação. Está na origem do case da Refinery29, plataforma dedicada a debater e estimular diversidade. Até mesmo quando preconceito e machismo não são os alvos em si, está nas entrelinhas de uma forte experiência de VR

Ética e empoderamento

Marcas com responsabilidade social também colaboram no debate sobre inclusão (Crédito: Igor Ribeiro)

Marcas com responsabilidade social também colaboram no debate sobre inclusão (Crédito: Igor Ribeiro)

Outro painel que chamou a atenção foi o “Ethical brands: building a socially-conscious business”, que levou três empreendedoras ao SXSW para contar sobre seus casos de marcas responsáveis: Kirsten Dickerson, da grife Raven and Lily; Sarah Jones Simmer, dos perfumes Phlur; e Dani Lachowicz, designer de joias e criadora da Bloom + Grace. Além de estratégias de marketing e de negócios que consideram, antes do lucro, o impacto social e ambiental, a força do olhar feminino sobre o empreendedorismo e a oportunidade que seus negócios abriram para mulheres talentosas. Kirsten relatou, por exemplo, como uma simples parceria comercial com artesãs de uma pequena comunidade muçulmana na Índia transferiu a essas mulheres confiança e determinação suficientes para transformarem um comportamento machista e opressivo que as subjulgava.

Cheryl Boose Isaacs, presidente da Academia, e a roteirista Allison Schroeder (Crédito: Igor Ribeiro)

Cheryl Boose Isaacs, presidente da Academia, e a roteirista Allison Schroeder (Crédito: Igor Ribeiro)

Assim como Wagner Moura e Alice Braga trouxeram para seu debate a questão do racismo em Hollywood, a presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, Cheryl Boone Isaacs falou bastante sobre inclusão e tolerância. Ainda mais se considerada sua interlocutora, Allison Schroeder, autora do roteiro adaptado de Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures), filme que relata a história verídica de três matemáticas negras que tiveram papel fundamental no avanço da tecnologia espacial da Nasa durante a Guerra Fria. “Tanto como na narrativa dessa luta, temos sido muito ativos na discussão da inclusão, com a preocupação de fazer disso um debate sensível , afetivo e até familiar”, falou Cheryl.Vale lembrar que o ganhado de melhor filme deste ano foi um filme que discute questões raciais e de identidade sexual, Moonlight. O episódio da confusão com La La Land também foi comentado, ainda que brevemente: ambas ressaltaram a camaradagem entre as equipes de ambos os filmes e dos apresentadores na hora de lidar com o constrangimento do erro alheio.

Cheryl mostrou já num vídeo introdutório o lado pouco conhecido de alguns membros da Academia (são mais de 7 mil), como um figurante que veste trajes de monstros (americano), uma artista de storyboard (chinesa) e uma cenografista (indiana). “Há muitos mais associados hoje porque trabalhamos na importância dessa diversidade, temos sido mais abertos, falado mais nos recrutamentos, explicado melhor como se tornar membro, pois o diálogo é essencial para estabelecer essa confiança”, falou Cheryl.

Editado em 15/3 às 20h33: o relato sobre a comunidade indiana era de Kirsten Dickerson, e não de Dani Lachowicz como escrito inicialmente.

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