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Liniker derreteu, estampou e lacrou

Em performance histórica junto aos Caramelows, cantora deixa sua marca em Austin

Igor Ribeiro
17 de março de 2017 - 14h33

Na madrugada de quinta-feira, 16, para sexta, os fãs de música de outras latitudes conheceram uma nova palavra em língua portuguesa: lacre. E suas variações: lacrou, lacrar, lacrado. Assim como a gíria, Liniker começou a construir-se entre a comunidade LGBT para conquistar o Brasil e agora, o mundo. Pouco importa que boa parte dos Mil Brasileiros presentes no South by Southwest estivessem ocupando a pequena Russian House nessa noite. Os poucos gringos presentes não esquecerão tão cedo. Oxalá eles espalhem a notícia de que Liniker e os Caramelows é das melhores coisas nascidas da música brasileira independente nos últimos anos.

Liniker e Os Caramelows, no SXSW (Crédito: Igor Ribeiro)

Liniker e Os Caramelows, no SXSW (Crédito: Igor Ribeiro)

Parte da programação do festival Music, a cantora destilou suingue e força impressionantes. Ainda que o projeto, com banda formatada e tudo, tenha apenas dois anos — frise-se, dois anos –, Liniker esbanjou potência, domínio vocal e muito timing. Os Caramelows forneceram uma base sólida, conectada, com linhas de baixo e teclado comparáveis aos melhores da soul music.

Foi a primeira apresentação do grupo no exterior. E foi histórica.

Minutos antes do show, Liniker se concentrava nos bastidores com olhar firme e focado, as mãos juntas como quem reza. Nervosa com a responsabilidade, provavelmente. Ainda que só tenha 21 anos, já se acostumou a cantar para plateias de todas as cores, tamanhos e formatos. Mais do que apresentar, provavelmente boa carga do nervosismo vinha do representar. Afinal, um manifesto com todas as peculiaridades brasileiras seria, pela primeira vez, extravasado em mares nunca dantes navegados. Em pouco menos de uma hora de show, Liniker talvez tenha feito mais pelo debate de diversidade no SXSW do que todos os painéis e seminários anteriores.

“Arrase! Você é demais!”, disseram, nos bastidores, à ela, pouco antes de subir ao palco. As mãos unidas em prece passaram à gratidão. “Obrigada. Muito obrigada!”

“Demais” não tem gênero. E Liniker lacrou a Austin.

 

 

 

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