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AI no SXSW: muito além do cinema e da ficção

Em diferentes painéis, festival mostrou como os potenciais da inteligência artificial já esbarram na realidade


20 de março de 2017 - 9h44

Sim, a essa altura você já sabe: inteligência artificial (AI, em inglês) foi um tema que dominou boa parte da track de Interactive do SXSW 2017. Sob a faceta de tecnologia, comportamento, branding, marketing, healthcare ou design, os mais variados tópicos trataram a AI como uma das grandes estrelas nas discussões desse ano em Austin. Uma das principais razões para isso é o fato de que trata-se de um assunto que não se encerra em si, mas sim que tem profundas implicações para uma grande variedade de indústrias.

Tive oportunidade de assistir a alguns desses painéis: AI como base para o modelo de negócios de gigantes da tecnologia; discussões sobre carros autônomos e sua relação com cidades inteligentes; ética e frameworks de como e quando se utilizar dos recursos oriundos da inteligência artificial. O potencial e as diferentes discussões e recortes deixam claro como centenas de empresas ao redor do mundo estão investindo pesado em explorar o potencial dessas tecnologias.

Na primeira delas, Sophie Kleber — diretora executiva de Produtos e Inovação no escritório da Huge, no Brooklyn — explorou questionamentos e reflexões sobre como a AI e interfaces conversacionais podem ajudar a humanizar a relação que marcas têm com seus públicos, tornando a experiência super personalizada.

Utilizando uma narrativa apoiada no cinema, ela também tratou da discussão geralmente presente quando se fala em robôs e inteligência artificial: como designers podem garantir que estejam ajudando a construir experiências com máquinas inteligentes que sejam menos “Ex Machina” e mais “Operação Big Hero”? Ou seja, que os diálogos e tarefas não sejam ou pareçam intrusivos. Segundo ela, máquinas são feitas para servir a humanidade e isso precisa ser reforçado sempre, sem deixar usuários na dúvida se estão interagindo com humanos ou máquinas.

A diretora também apresentou um framework bem simples, mas super interessante, sobre em quais contextos faz sentido ter um tipo de conversação mais próxima ou mais fria por parte de um bot ou alguma inteligência artificial.

Baseado em dois eixos, “Desire for emotion” e “Permission to Play”, Sophie sintetiza o framework da seguinte forma.

  • Quando não houver por parte das pessoas uma expectativa de que a conversa alcance alguma camada emocional e tenha apenas ações pontuais e pragmáticas, e ao mesmo tempo não se tenha permissão do usuário para brincadeiras ou ações antecipadas, não faz sentido usar uma inteligência artificial com personalidade ou mesmo estabelecer conversas;
  • Quando se tiver expectativa de emoção, mas não tiver permissão para interagir, a conversa deve ser mais fria, pragmática, deixando fortemente claro ao usuário que se trata de uma máquina lhe dando opções;
  • Quando se tiver permissão para brincadeiras, mas o usuário não tiver um desejo por camadas emocionais, Sophie sugere que a conversa com a inteligência artificial “reaja como uma extensão de si própria”. Algo como um grande auxiliar que deixa tudo prático e fácil, mas que não parece uma outra pessoa do outro lado se comunicando, e sim como uma inteligência aumentada;
  • Por último, quando se tiver permissão para interagir e uma alta expectativa por emoções, aí sim, em sua opinião, faz sentido ter um tipo de interação que pareça mais humana, mais intimista e pessoal;

Pegando carona nessa temática do cinema e AI, três executivos dos parques da Disney falaram em um painel sobre o uso de inteligência artificial e machine learning para estender a mágica do local. O painel, embora não tenha sido tão empolgante pelo fato dos executivos esconderem muito o jogo sobre o que estão fazendo por lá, pra mim foi interessante porque me despertou alguns questionamento: sendo a Disney uma das melhores, senão a melhor, criadora de personagens e histórias da atualidade, quais os limites para o seu potencial de criação a partir do uso dessa tecnologia?

Voltando para a realidade, outra session que consegui assistir foi a do CTO da IBM, profundamente envolvido no projeto Watson. A sessão tratava de desmistificar percepções que o Watson vinha trazendo no mercado. Foi interessante e deu pra entender melhor o modelo de negócio e atuação do Watson nas mais variadas aplicações. O que achei mais interessante foi a leitura e maturidade sobre como AI deve ser encarada como uma tecnologia que permita ampliar a inteligência e a capacidade das pessoas, e não substituí-las.

Já que estou falando tanto sobre cinema, um belo exemplo da ficção dessa inteligência e capacidade aumentada são os grandes auxiliares de Tony Stark nos variados filmes da franquia “Homem de Ferro”. Tanto Jarvis quanto a Friday se conectam com a infinita base de dados e com os recursos de tecnologia para transformar o homem de ferro em um personagem muito mais capaz, inteligente e, em alguns anos, possivelmente mais real.

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