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Mais um dia no SXSW

Para dizer o que espero deste ano, vou contar uma história de um dia do ano passado


5 de março de 2018 - 15h12

(Crédito: Jonas Furtado)

2017 foi o ano em que pisei nos EUA pela primeira vez. Primeira vez também que estive em Austin e, consequentemente, primeira vez que participei do SXSW. Em meio a tantas outras boas histórias que vivi por lá, uma se destaca.

O dia foi bastante agitado. Depois de algumas palestras bastante interessantes sobre AI, Nasa e Gestão Criativa, descobri, por meio de um grupo de Whatsapp de brasileiros no festival, que a NetGeo tinha montado um QG em um bar na 6th St. Muitos amigos estavam indo e quem já estava lá falava muito bem a respeito do evento. Fui já com a expectativa alta, mas o que aconteceu ainda a superou. Um papo com Neil Degrasse Tyson, regado a cerveja e drinks liberados. Que dia! Alguns chopps e debates depois, fui para o hotel com a sensação de missão cumprida.

No meu quarto, já tarde da noite, comecei a escrever um artigo sobre o que havia visto. Artigo que, inclusive, enviaria para este canal do M&M. Escritor virtuoso que não sou, terminei rapidamente e decidi descer no lobby para tomar um ar e comer alguma coisa.

Chegando no térreo, um rapaz, com seus mais que 35 e menos que 45 anos, vestido com roupas despojadas, bem à vontade com a vida, se aproxima e me pergunta que horas são. Assim que respondo, ele indaga “Brasileiro?”. Nosso clássico sotaque falando inglês não nos deixa mentir, nem quando só dizemos as horas. Respondo que sim e perguntando se ele já teve muito contato com brasileiros. “Claro que sim!” – ele disse – “Lembra de um show do Caetano Veloso em que ele se recusou a continuar caso não arrumassem o som? Eu estava lá!”, completou.

Papo vai, papo vem e ele me pergunta o que estou fazendo no SXSW. Respondi que trabalho em uma agência de publicidade (Mirum) e que estava lá pelo festival de inovação. Devolvi a pergunta e ele me respondeu: “Vim pela música. É que eu sou produtor do Strokes”. What?! Pois é, umas das bandas que mais ouvi no começo dos 00’s, lá estava o produtor dos caras. Ele então me diz que iriam tocar no Lollapalooza em SP na semana seguinte, digo que não iria pois estava muito caro, ele fala pra mandar um e-mail pra ele me dar ingressos e nos despedimos. (Sim, mandei o e-mail. Sim, ele me respondeu amigavelmente. Não, não rolaram os ingressos.)

Bom, passado o susto momento, tomo meu rumo de volta ao quarto. Chamo o elevador e aguardo paciente. O elevador chega, entro e aperto o botão do meu andar. Quando a porta está prestes a se fechar, uma mão atravessa a fresta, na tentativa de segurar o elevador. As portas se reabrem e entra o cidadão. Pierce Brosnan! 007, em pessoa, terno e cara de cansado. Parecia que havia acabado de salvar o mundo de alguma baboseira hollywoodiana.

Do meu lado, fiquei com cara de paisagem, meio encabulado. Não sou de babar ovo de famoso, mas pô, era o James Bond, fiquei meio se saber o que fazer. Sir que é, puxou papo. “Boa noite, você também está aqui pro festival de cinema?”. Respondi que não, estava lá pelo de inovação, “E você?”, respondi. Rimos.

Os próximos três andares foram em silêncio. Até que chegou o meu. Respirei fundo, superei a vergonha de incomodar alguém com tal pedido e disparei, “Desculpa, não queria fazer isso, mas… posso tirar uma foto?”. Ainda com certo bom humor, ele levanta os olhos e me responde “Sorry, mate! Too late, too drunk!”. Rimos de novo. Peço licença e vou pro meu quarto decepcionado. Aliás, muito decepcionado. Não pela foto! Mas pô, 007, licenciado pela rainha para tirar vidas, grande consumidor de dry martini (mexido, não batido), TOO DRUNK? Disparate! James Bond nunca ficou bêbado!

É isso que espero desse ano. Palestras, muita informação, debates, uma celebridade internacional alcoolizada e a possibilidade de ganhar (ou não) ingressos para o show de uma banda que eu goste.

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