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Decifrando o SXSW 2018: nossas apostas

Há tantas conferências especializadas em tecnologia, empreendedorismo, música e inovação no mundo, o que faz o SXSW tão relevante para o mapeamento de tendências?


6 de março de 2018 - 11h23

Fotos de gente comendo tacos,  pôsters por todos lados, robôs inteligentes: é dada a largada para aquela época que nossa timeline, e-mail e Instagram reverberam de forma uníssona tudo que rola no festival texano.

O boom da influência do SXSW nos últimos anos aqui no Brasil pegou muita gente de surpresa, apesar do Festival ter mais de 30 anos. É reconhecido amplamente como o principal encontro da comunidade criativa global. Se há tantas conferências especializadas em tecnologia, empreendedorismo, música e inovação no mundo, o que faz o SXSW tão relevante para o mapeamento de tendências?

Muito antes de uma tendência aterrisar na cultura corporativa ou na capa da revista semanal, os sinais da mudança iminente manifestam-se na arte, na música e na moda. E aí que todo pesquisador de tendências buscam os sinais. E é por isso que o DNA do SXSW dá dois passos à frente dos demais- porque não é um festival nem de tecnologia, nem de empreendedorismo, nem de inovação. É um festival de criatividade, nas suas múltiplas expressões.

Esta intersecção entre arte, negócios e tecnologia faz com que o SXSW crie um ambiente em que artistas e empresários, gamers e ativistas, executivos e criadores fazem parte da mesma tribo, pelo menos durante os 10 dias do Festival. E é exatamente da vibração destes encontros que nascem as pistas para identificarmos os temas transversais que transformam da nossa relação com as instuições – das marcas até a política.

O próprio Hugh Forrest – responsável pela programação do festival – já afirmou que escolhe palestras que demonstram um futuro que irá se concretizar nos próximos 2 a 5 anos. E é nessa grande pororoca de sinais que vamos buscar e mapear os assuntos mais relevantes para tradução de futuros emergentes para a realidade brasileira.

Para pesquisa para o Trend Report SXSW 2018 -White Rabbit mapeamos toda a programação e o esquenta para o evento e estas são as nossas apostas de temas que vão bombar na sua timeline (e na sua vida) pós Festival.

Cheryl Boose Isaacs, presidente da Academia, e a roteirista Allison Schroeder (Crédito: Igor Ribeiro)

1. Ativismo e impacto social

As minorias – ou melhor, minorizados – dominam todas as tracks, não só como palestrantes ou temas de palestras, mas também em atividades que trazem ferramental para as empresas de, nao so como dialogar com os mais diferentes grupos, mas também como incluí-los em suas decisões.

Mulheres e comunidades negras como protagonistas, representatividade de diversos países, discussões sobre ferramentas para equidade, movimento LGBTQ, indígenas e acessibilidade são pautas que aparecem transversalmente na programação.

No Trends Report SXSW em 2017 comentamos que o festival questionava como a indústria empatiza e dialoga com todos estes públicos. Nossa aposta, pelos palestrantes, é como o ativismo vai além de representação e diversidade, mas coloca essas pessoas em importantes papéis de decisão. E a pergunta atual é: que voz elas têm na estratégia nas nossas empresas?

Promoting Inclusion in Today’s Tech Industry : AMAZON
Track: Startups and Tech Sector

Free Radical : Chelsea Manning (Wikileaks) + Sally Singer (Vogue/Condé Nast)
Track: Social Impact

Empowering a Billion Women with $1B in Capital by 2020 : EBW2020
Track: Startups and Tech Sector

2. Futuro da comunicação

A discussão aqui vai além de qual plataforma as marcas devem centrar suas estratégias de mídia. Em 2017 falava-se sobre a era da pós-verdade e do combate às fake news, somadas à ainda crescente crise de confiança nas grandes instituições. Em 2018 vemos no festival marcas, veículos, órgãos governamentais e instituições religiosas dispostas a discutir soluções e possibilidades da comunicação a partir de agora.

A cada dia o mercado ressignifica o que é território de atuação de cada um de seus agentes. É publicidade ou jornalismo? É papel do governo ou das marcas? Qual a próxima ferramenta de engajamento em redes sociais? Esse já é o ano do conteúdo em VR, e será que ele vem mesmo? Quem é agência, quem é consultoria, quem é veículo e quem é plataforma – o ano da crise de identidade midiática.

Isso se acentua quando colocamos em cheque o que é comunicação. Se há três anos falávamos sobre Mobile-first, esse ano nos preparamos para um mundo pós-telas: interfaces por voz, realidade mista e usos criativos de inteligência artificial tomam conta das sessões de comunicação.

How Do We Ethically Manipulate 2b Minds: TRISTAN HARRIS
Track: Design

Featured Session: The End of Content : GIPHY
Track: Brands & Marketing

Panel: Facebook and Publishers: The Evolution Of News
Track: News & Journalism

3. Mobilidade e self-driving cars

Esse é o ano em que o SXSW relembra a cidade como plataforma de mudanças. Novas práticas e tecnologias são apresentadas para as cidades inteligentes do futuro que queremos viver.

Há 3 anos atrás o assunto da vez eram carros autônomos. Ano passado tratamos no Trends Report sobre transportes coletivos autônomos e drones. Esse ano vemos soluções urbanas com inteligência artificial e blockchain como alguns dos assuntos trazidos nessa track.

A visão centrada no usuário como cidadão – mais que consumidor- e como esse fato dialoga e impacta as cidades é certamente um tema que vemos crescendo além da indústria da mobilidade.

Just Press Go: Waymo’s Self-Driving Cars Are Here
Track: Intelligent Future

Solo Session: How Uber Designs for a Self-Driving Future : Uber
Track: Cities Summit

Panel: Making the Future of Mobility : Ford Smart Mobility
Track: Cities Summit

4. Colonização do espaço

O revival espacial já acontece no entretenimento – e a ficção científica inspira cada vez mais os fatos que observamos na atualidade. No festival, a NASA marca presença todos os anos compartilhando descobertas reais e explora possibilidades.. Mas são agora as empresas privadas que começam a dar as caras nesse tema.

Após várias tentativas, vimos a SpaceX lançar seu foguete comercial Falcon Heavy no espaço, acompanhado de um boneco astronauta no conversível do próprio Elon Musk. Ida à Lua, turismo espacial e colonização de Marte são outro projetos ambiciosos da empresa, que inspira o várias outras como por exemplo a Made In Space, que imprime 3D ferramentas para astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS) e estará no evento falando da próxima geração de empresas que ganharão o espaço.

The Next Generation of Elon Musks Take on Space : MADE IN SPACE + TECH CRUNCH
Track: Startup and Tech Sector

Return to the Moon: This Time to Stay : MOON EXPRESS
Track: Intelligent Future

5. Governos conectados

Na Era Trump o evento se torna uma ferramenta para questionar a bipolaridade política dos Estados Unidos. E mostra também como, em qualquer pátria, a tecnologia auxilia a governança e pode ajudar a se esquivar de um futuro distópico.

Jornalismo, publicidade, governo e outras instituições se juntam para debater e propor soluções para o atual momento da crise das instituições e reflexões sobre a democracia. Esse tema afeta diretamente todos os mercados. Incluindo painéis sobre como o engajamento político vem se tornando obrigatório para as marcas.

Featured Speaker: Ezra Klein : Vox Media
Track: Government

PaneL: Hacking our Democracy and Discourse
Track: Government

Solo session: Why Engaging with Politics is Critical for Brands
Track: Brands & Marketing

6. Saúde e tecnologia

Indivíduos experimentando hacks no próprio corpo.Drogas psicodélicas voltam a ser testadas em tratamentos psicológicos. Saúde mental e emocional dentro e fora do trabalho.

Com a potencial transferência do poder das grandes empresas farmacêuticas e de saúde para as mãos das pessoas, o tema nunca esteve tão em alta. Esse ano ele transborda a track dedicada e aparece de forma transversal em sessões e oficinas do festival.

Gigantes como Google e Ideo se unindo para prototipar soluções de saúde. Dell apresentando novas tecnologias de ponta para assistência média. Questões éticas como empresas utilizando biohacks que aumentam a produtividade em seus funcionários. Nomes relevantes como MIT e Singularity University disctindo o futuro da medicina e da saúde e é importante ficar de olho em para compreender como tudo o que for apresentado pode ser aplicado na realidade do Brasil.

Panel: Healing the Mind: Design, Tech & Psychedelics : Google Verily + IDEO
Track: Health

Featured Session: Would You Let Your Boss Biohack You?
Track: Health

Solo Session: The Intelligent, Proactive Future of Medicine : Singularity University
Track: Intelligent Future

7. Blockchain (e mais blockchain!)

A essa altura, você já deve saber o que é blockchain. Se ainda não sabe, em um clique é possível encontrar diversos vídeos e artigos explicando. Mas, para a maioria dos não iniciados em tecnologia, o contato com o tema terminava por aí.

Se esse é um assunto que já vem esquentando há alguns anos, agora ele aterrissa com aplicações: qual o verdadeiro impacto nos negócios, na saúde, no direito, na comunicação, nas instituições financeiras e em todas as relações de poder?

Vamos além do Bitcoin para ouvir líderes de empresas como a Ethereum, falar sobre dApps – aplicativos que seguem a lógica distribuída – e participar de workshops nos mais variados contextos que certamente impactarão o seu negócio, o sistema financeiro vigente e a forma como os governos – e a própria democracia – são encarados pelo mundo.

Panel: Blockchain Meets Reality
Track: Code & Programming

Solo Session: Transforming Global Food Supply with Blockchain : IBM
Track: Startup & Tech Sectors

Workshop: Blockchain and Civil Liberties : SCRYPTO LOTUS + Singularity University
Track: Social Impact

8. VR / AR

VR é um típico exemplo de como um mesmo track de conteúdo se transforma. Há três anos foi a tecnologia mais discutida do festival. No Trends Report do ano passado falamos na aposta na realidade aumentada e conteúdos especializados. Esse ano discute-se desde produção volumétrica até os primeiros indícios de ROI positivo, com presença de players como a Oculus e The Void, parque temático que combina as tecnologias à uma estrutura física de entretenimento em Utah, nos Estados Unidos.

Panel: How Does VR Become a Truly Mainstream Technology : Oculus
Track: VR/AR

Panel: Reality But Better: Augmenting the World with News : Google
Track: News & Journalism

Workshop – Creating Your Own Snapchat Lens : SnapchaT
Track: AR/VR

9. Tecnologias de voz

Com Inteligências Artificiais cada vez mais populares e capazes de nos compreender, as interações com o mundo ganham novas camadas e se tornam cada vez mais ricas. Discussões sobre ética, formatos, possibilidades e aplicações engrossam os assuntos em torno da interfaces de voz trazidas nos anos anteriores.

Deep learning e sua evolução exponencial já começa a revolucionar indústrias. Aplicações em empresas, negócios, indústrias e governo e como facilitam o cotidiano, nos transportando para um novo mundo pós-telas.

Panel: Talk to Me: The Power of Voice : Amazon
Track: Intelligent Future

Panel: The Real Thing: Machine Learning and Coca-Cola
Track: Brands & Marketing

Featured Session: Accidentally Making the Most Popular Podcasts Ever : This American Life
Track: News & Journalism

Se você estiver por Austin, colocamos a agenda da White Rabbit com todas as palestras que selecionamos e que você pode colocar no seu app SXSW Go.

Nossa rede de curadores estará com os olhos e ouvidos atentos e trarão alguns dos insights para garantir que, esteja você no Texas ou no sofá da sua casa, você ficará por dentro da nossa pesquisa em real-time. Que os jogos comecem!

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