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Igualdade de gênero: uma luta de todos

SXSW fala de futuro e é reconhecido por isso, mas fala também do presente e dos temas que estão em alta no mundo nesse momento


7 de março de 2018 - 11h46

(Crédito: reprodução)

O SXSW fala sim de futuro e é reconhecido por isso, mas fala também do presente e dos temas que estão em alta no mundo nesse momento. Esse ano não faltam na agenda conteúdos como blockchain, cripto moedas, carros autônomos, AR/VR, impressão 3D, engenharia genética e tecnologia aplicada à saúde. Hoje, no entanto, vou falar de outro assunto que também aparece em várias sessões desse ano e que tem sido tema recorrente em diversos fóruns e nas principais mídias ao redor do mundo no último ano: a igualdade de gênero. O assunto está certamente inserido numa discussão mais ampla de diversidade, que inclui também questões raciais, sociais, religiosas e de orientação sexual. Sem tirar, de forma alguma, a importância dos outros aspectos da diversidade, quero focar a reflexão na questão do gênero. E mais especificamente, no papel que nós homens temos nessa luta.

É mais do que evidente que há um descompasso entre posições e salários de homens e mulheres igualmente capacitados e qualificados na grande maioria das corporações. É também claro (e triste) que a questão da maternidade é ainda tratada de forma preconceituosa e danosa por muitos empregadores, seja na hora de contratar, no momento de uma promoção ou, o que é mais grave, na volta da licença maternidade, quando muitas mulheres são demitidas. Mas infelizmente a questão vai além disso. O manterrupting (a interrupção por parte de homens quando uma mulher está falando) acontece em quase todas as reuniões das quais participo. Sem falar nas piadas machistas, que ainda são contadas da mesma forma que eram duas gerações atrás. O que muitos homens não percebem, porque são incapazes de se colocar na posição da mulher, é o mal que isso causa. Causa mal às mulheres, evidentemente, mas causa também mal à sociedade e às empresas. Inúmeros estudos já mostraram que é melhor pra todo mundo quando as mulheres tem mais protagonismo e são tratadas de forma justa e equitativa, seja no ambiente de trabalho ou fora dele.

Então, qual o papel dos homens nessa luta? Primeiro, é claro, não cometer nenhum dos erros citados acima. Pagar de forma justa o trabalho dos seus colaboradores, independente do gênero é premissa básica e nem deveria estar aqui. Não contratar pensando na licença maternidade que, por direito, toda mulher pode ter, também deveria ser indiscutível. Por experiência de ter vivenciado a gestação de muitas colaboradoras ao longo dos anos, digo com convicção que essa é uma importante etapa da vida de uma mulher e que isso não atrapalha em nada o seu rendimento profissional, principalmente quando visto sob uma perspectiva mais ampla no tempo. Não interromper a fala de outra pessoa é no fundo prática de educação e bom senso. Mas se há uma mulher falando em uma reunião ou um encontro informal, tenha atenção redobrada e simplesmente não a interrompa. E, finalmente, as famigeradas piadas machistas. Não venham me dizer que foram criados escutando essas piadas e que isso é uma questão geracional. Desculpa, mas essa não cola mais. É 2018 e já deu tempo pra aprender que isso está errado e faz mal às mulheres. Há um mar de informação sobre o assunto disponível de forma democrática a todos na Internet. Então, simplesmente não o faça.

Por fim, acho que há ainda um outro papel, tão fundamental quanto, dos homens nessa luta. Que é, sempre que possível, alertar outros homens para a prática. Não deixe passar batido quando um amigo ou colega, numa roda só de homens ou mesmo num grupo de WhatsApp soltar aquela “inofensiva piadinha machista”. Diga a ele que isso não é legal. Faça o entender que, no mundo de hoje, isso não é mais aceitável e que ele precisa mudar a sua postura. Isso tem um efeito incrível. Grande parte dos homens já mudaram o seu mindset, mas mesmo assim ficam calados quando alguém dá uma de machão numa roda masculina. Quando você chama atenção do “engraçadinho”, é incrível o efeito que isso produz. Possivelmente outros homens te apoiarão e se sentirão encorajados a reforçar a mensagem. O sujeito que contou a piada machista acaba ficando sem graça e entende, na marra, que precisa rever seus hábitos. Faça o teste. Vale a pena. Garanto.

E que o SXSW 2018 nos ajude a evoluir mais um pouco nessa questão tão importante, com discussões ricas e aquilo que ele tem de melhor: muito, muito conteúdo.

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