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O SXSW amadureceu ou foi a gente que mudou?

Desde 2013 eu comemoro aqui em Austin o meu reveillon profissional, momento de analisar o que evoluiu nas minhas perspectivas sobre o mundo dos negócios e da tecnologia


8 de março de 2018 - 16h23

(Crédito: Cris DeWitt)

Este é meu sexto ano participando do SXSW. Desde 2013 eu comemoro aqui em Austin o meu reveillon profissional, momento de analisar o que evoluiu nas minhas perspectivas sobre o mundo dos negócios e da tecnologia.

Lembro de chegar aqui pela primeira vez e ficar completamente confusa com a quantidade de painéis e assuntos diferentes, muita coisa nova e desconhecida. Eu era uma publicitária, planejadora, de 26 anos e entrava pela primeira vez mais a fundo nesse universo.

Tudo o que era conversa sobre novas tecnologias fazia meus olhos brilharem. Criptomoedas, carros autônomos, upload de consciência, uma linguagem de desenvolvimento que permitia que máquinas pensassem. Era absolutamente fascinante ver de perto o mundo que eu viveria nos anos seguintes.

A minha paixão por tudo que encontrei aqui acabou levando minha vida para lugares inesperados. Foi no SXSW que reencontrei a Gabriela Guerra, que também vai escrever aqui no Diário de Bordo do SXSW.

Ela já era Diretora-Presidente da ThoughtWorks, uma consultoria de desenvolvimento de software que é uma das pioneiras em entender o contexto atual e imaginar o futuro, e foi através dela que eu me juntei como ThoughtWorker na indústria da tecnologia e passei a, essencialmente, viver o SXSW no dia-a-dia.

Talvez não seja uma coincidência que, neste ano, o que mais me chamou a atenção ao ver a programação do evento não tenham sido as conversas sobre como vai ser o futuro iminente, mas sim as discussões sobre como vamos lidar com esse cenário. A sensação que eu tenho é de que o SXSW 2018 vai falar muito mais sobre ética, responsabilidade e comportamento do que sobre qualquer inovação que dependa de bits e bites.

Claro que haverá painéis e mais painéis sobre tecnologias de voz, carros autônomos e as doideras do Elon Musk, mas cresceu exponencialmente a quantidade de debates sobre questões como modelos de privacidade, regulação de inteligência artificial, neutralidade da rede, utilização de dados de usuárias, vieses cognitivos, entre outros.

Falando de vieses cognitivos, é justamente por conta deles que eu não consigo responder a pergunta título desse meu primeiro artigo aqui no diário de bordo. Será que foi o SXSW que amadureceu e agora já olha para um futuro real e busca responder as questões sociais e culturais pertinentes a esse futuro, ou será que essas são as questões que hoje, trabalhando com tecnologia, estão na minha cabeça e eu acabo indo nessa direção?

A única forma de responder isso com sigma 5 de certeza seria analisando a programação de todos os 32 anos de festival e utilizar processamento de linguagem natural para chegar numa divisão clara entre tópicos mais preditivos e tópicos mais eticamente inquisitivos. Porém, mesmo assim, acho que eu ainda não confiaria no resultado, já que foi uma pessoa que criou o algoritmo e essa pessoa também tem seus próprios vieses.

Talvez então o ponto principal seja admitir que nós dois crescemos, e que crescemos juntos. Tanto eu, quanto o SXSW. Nosso deslumbramento pela tecnologia tem dado espaço ao questionamento sobre como conviver com ela e com as mudanças produzidas por essa nova realidade. Assim podemos estourar a champanhe, comemorar mais uma vez por aqui e nunca perder a curiosidade para descobrir e criar o novo.

Feliz Ano Novo, velho amigo.

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