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Tem gente aí?

Nos Estados Unidos, esquecemos de olhar quem está por trás das estruturas, das máquinas e das soluções de automação e o SXSW será uma aventura interessante para encontrar pessoas


9 de março de 2018 - 14h24

Volto ao SXSW quatro anos depois de minha última experiência. Tive a oportunidade de estar por aqui três vezes, sempre com uma expectativa grande, palestras agendadas no app e um olhar atento às últimas “novidades”.

Desta vez, como a viagem surgiu de última hora, não me programei. Enquanto estava no avião, refletindo sobre a jornada de quatro dias de muita informação, tomei uma decisão: vou desafiar meu olhar e colocar em prática um pouco do que tenho visto no curso de Design Estratégico e Inovação do IED – Instituo Europeo de Design, especialmente nas aulas de Design Etnográfico do fantástico Rodrigo Villalba.

Pois é, resolvi voltar para o banco da sala de aula e aprender mais depois de mais de 16 anos no mercado de trabalho. A viagem ao SXSW com este olhar de aluno já foi reveladora no momento em que desembarquei em Dallas.

Sempre que chego aos EUA, fico olhando as estruturas, as máquinas e as soluções de automação. Muitas vezes, com este olhar “mecânico”, esquecemos de olhar as pessoas, quem está por trás disso tudo e quem está de fato usando a tecnologia? Qual o impacto de cada solução tem nas relações humanas?

Bem, minha primeira interação foi na fila da segurança do aeroporto. Um albanês, atrasado como eu para sua conexão, pediu para passar na minha frente na fila. Não hesitei e liberei minha vez. Como esperado, ele foi parado para uma revista mais vigorosa. Ganhei esta experiência junto com ele.

Abriram toda minha mochila, levaram meu computador para uma sala, me revistaram até a última ponta.

Ok, meu compromisso era olhar as pessoas, certo? Fiquei atento aos oficiais da imigração. Todos pareciam imigrantes ou filhos de imigrantes. Perdi a conexão, mas pude refletir sobre como criamos estruturas voltadas para a exclusão.

Tenho dúvidas sobre a efetividade de toda a parafernália de segurança dos aeroportos. E com este olhar, tenho dúvidas sobre como estamos olhando e se estamos olhando o humano quando falamos de inovação, tecnologia e interatividade.

O meu colega ficou muito constrangido, assim como eu, mas não deixou de se identificar comigo perguntando se eu também era albanês. Fiquei feliz de ter uma fisionomia híbrida, as vantagens de ser brasileiro em mundo que parece estar se dividindo cada vez mais, mesmo com tanta tecnologia para conectar.

Agora embarco para Austin, acompanhado de uma família amish de mais ou menos vinte pessoas. Outra reflexão!

Será uma aventura interessante encontrar as “pessoas” do SXSW.

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