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Que o dia a dia dos Jetsons chegue aqui

Robôs são mais persuasivos e mais precisos, porque usam dados e algoritmos


10 de março de 2018 - 11h01

(Crédito: reprodução)

Ela: Alô, Bom dia. Preciso de ajuda. Eu fui estuprada.

Siri: Desculpa, não posso te ajudar com isso.

Hoje de manhã fizemos o nosso painel e ficamos todas muitos felizes. Foi uma experiência extremamente enaltecedora. Mas depois falamos disso. E ninguém foi estuprada – fiquem tranquilos.

A tarde foi INCRÍVEL. Tecnologia, Robótica, conectividade, ética e story telling na veia.

Histórias de robôs que estão sendo treinados em Sylicon Valley pra tratar doentes mentais. Especificamente, pessoas com propensão ao suicídio. Robôs são mais persuasivos, mais precisos porque usam dados e algoritmos – do que terapeutas. Muito mais.

Aqui nos Estados Unidos, terapeutas tem um período de residência de 11 anos até poderem clinicar sozinhos com pacientes nos consultórios. Robôs são treinados, programados e aperfeiçoados em alguns meses até se tornarem autônomos. Além disso, os robôs estão sendo também programados com tecnologias desenvolvidas em Cambridge que tem facial recognition e body language reading para não somente escutar o que o paciente esta dizendo mas poder detectar mudanças no tom de voz, na sua linguagem corporal e seus micro movimentos faciais (como aquele seriado da Netflix que se chama Lie to me – que o doutor consegue detectar se as pessoa mentem ou não através de micro mudanças no seu rosto).

O problema de acordo com os médicos no painel que as empresas estão enfrentando agora, é que mais de 90% dos programadores em Sylicon Valley são homens, que não lidam, não conhecem, não passam por muitos dos problemas que mulheres passam, principalmente do ponto de vista emocional. Esses mesmos robôs estavam sendo testados em um programa de help desk para “suicidal ideation prone patients” (pacientes com tendência a pensamentos suicidas), e por isso a SIRI não tinha uma resposta para a pergunta sobre estupro. Porque não passou pela cabeça desses programadores programarem respostas pra esse problema. Na sua grande maioria, não é um problema pelo qual eles passam.

Um terapeuta Robô. Robôs versus Freud era o título do painel. E dentro dessa realidade, como programar robôs que tenham uma ética de trabalho e ética moral e escrúpulos que vá curar e ajudar pacientes mentais ou pessoas que precisam de ajuda no campo emocional e nervoso? Absolutamente fascinante.

E logo depois veio um painel com um programador de robôs, um expert em ética no campo tecnologico e um roteirista para seriados de TV e filmes. A premissa é que para se ser um grande programador hoje, precisa-se ter um alto grau de imaginação para se determinar o que queremos que os robôs façam – quais tarefas humanas eles deveriam substituir, ou o que queremos que eles façam no futuro – que são coisas que não existem hoje? E a maioria da nossa imaginação nesse campo vem dos filmes de ficção cientifica que assistimos. Minority Report, The Matrix, The Surrogates, Star Wars, Bicentenial Man, A.I., I robot, etc… Cada um com um ângulo diferente do que um robô poderia fazer no futuro.

Porque toda vez que pensamos em robôs na industria de armamentos/militares, pensamos diretamente em robôs matadores e assassinos? É a nossa referência que vem dos filmes de ficção. E porque quando ouvimos sons como o que o R2D2 emite, o associamos automaticamente com um robô amigo e do bem que esta ali para nos ajudar? Star Wars! A industria cinematográfica sem duvida nenhuma tem uma responsabilidade enorme em ajudar a inspirar a industria de AI e robótica. E é ai que entra o link entre um roteirista, um engenheiro de robótica e um expert em padrões éticos ligados a tecnologia. Qual seria o padrão ético que deveríamos usar para programar robôs que irão decidir quantos anos um criminoso deveria ficar na prisão ? Quem decide isso ? Num futuro não muito longe teremos juízes robôs.

Ainda não sei. Mas uma coisa é certa – A influência e importância de um roteirista de filmes nunca foi tão alta para o futuro da humanidade.

Meu voto é que o dia a dia dos Jetsons um dia chegue por aqui. E que a realidade de A.I. passe bem longe.

Amanhã é dia de Cristiane Amampour falar de sexo e amor nos tempos de intolerância que vivemos!

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