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It’s not about refugees, it’s about us

Com muita emoção e profundo conhecimento de causa, a CEO da Techfugees trouxe riquíssimas informações sobre a questão das migrações


11 de março de 2018 - 9h10

(Crédito: reprodução)

A questão dos refugiados, assim como muitos outros assuntos humanitários, não é novidade para nenhum cidadão, empresa, veículo ou governo. Não é preciso ser um ativista para enxergar o tamanho do problema que já se espalhou pelo mundo e hoje totaliza 65 milhões de pessoas em situações críticas e alarmantes.

Infelizmente, a realidade é que as imagens e notícias nos afligem e angustiam, mas não necessariamente nos tiram da zona de conforto para fazermos algo de prático e concreto a respeito. Nem os governos, nem as empresas, nem nós mesmos, enquanto indivíduos, estamos nos movimentando na intensidade e velocidade necessárias. Alguns países os recebem e acolhem, outros constróem muros e os expulsam.

Moradora do norte da França, Josephine Goube falou bastante sobre a dramática situação da “Selva de Calais”, como foi batizado o acampamento de refugiados nas proximidades de Calais, França, de janeiro de 2015 a outubro de 2016, que se tornou um exemplo muito particular da questão dos migrantes em torno desta cidade, ao tentarem entrar no Reino Unido através do Porto de Calais e do Eurotunnel, através de caminhões, ferries, carros ou trens.

O acampamento ganhou atenção global durante o pico da crise européia dos migrantes em 2015, quando a população do campo cresceu rapidamente e as autoridades francesas começaram a realizar despejos, com a intenção de reassentá-los em diferentes regiões da França. Em outubro de 2016, as autoridades francesas anunciaram que o campo havia sido liberado. E, a partir de 26 de julho de 2017, a Human Rights Watch publicou um relatório intitulado “Like Living Hell” documentando os abusos contínuos dos direitos humanos pela polícia contra crianças e migrantes adultos na região.

Com muita emoção e profundo conhecimento de causa, a CEO da Techfugees trouxe riquíssimas informações sobre a questão das migrações, explicando que elas sempre existiram e não foram (ou são) consequência apenas das guerras, mas também das mudanças climáticas e desastres naturais. Hoje os refugiados são na sua maioria oriundos da Síria, mas em outros momentos da história vieram também da Iuguslávia, Afeganistão e outros países.

Ninguém escolhe onde nasceu. E, em especial no caso dos refugiados – que estão fugindo essencialmente para salvarem as suas vidas e de suas famílias – todos deveriam ter a liberdade de ir e vir. Mas a realidade é muito dura para estas pessoas. Segundo Josephine, se você é da Alemanha, você pode entrar e sair livremente de 176 países. Em contrapartida, se você é do Afeganistão, por exemplo, você pode entrar e sair de apenas 25 países que são, na sua maioria, subdesenvolvidos e sem oportunidades. Ou seja, se você nasceu ali, você provavelmente morrerá neste mesmo país, não importa quais sejam os seus sonhos ou o que você e sua família estão passando.

Além disto, ela ressalta que ao invés dos governos dedicarem verba para ajudarem estas pessoas em situações cada vez mais dramáticas, eles continuam priorizando o investimento em construção de muros e/ou outras formas de retirá-los e devolvê-los aos seus países de origem. Além disto, na grande maioria dos centros de refugiados, as condições são cada vez piores, falta água e saneamento básico. Não existe dignidade.

E para nosso espanto, a maioria dos países que estão recebendo refugiados não são os países mais desenvolvidos. A quantidade de refugidos por mil habitantes em 2014 demonstra isto: Líbano (232/1000 habitantes), Jordânia (87/1000 habitantes), Nauru (39/1000 habitantes), Chade (34/1000 habitantes), Djibouti (23/1000 habitantes), Sudão do Sul (21/1000 habitantes), Turquia (21/1000 habitantes), Mauritania (19/1000 habitantes), Suécia (15/1000 habiantes) e Malta (14/1000 habitantes).

Josephine Gube, parisiense CEO da Techfugees, fundada há apenas 2 anos, emocionou a todos com a história desta ONG, que começou com um post do Editor da TechCrunch, Mike Butcher (um dos principais veículo sobre tecnologia, fundado por Michael Arrington e Keith Teare, em 2005) com a imagem de uma criança morta numa praia turca, que chocou o mundo, apareceu em jornais do mundo todo, foi compartilhada por milhões de pessoas nas mídias sociais e se tornou símbolo da crise migratória global.

Mas, diferente da grande maioria das pessoas, Mike usou o seu post e toda a sua influência para efetivamente convocar a indústria da tecnologia a juntos encontrarem soluções para este grave problema. Nas primeiras 48 horas, o Grupo criado no Facebook e a conta do Twitter explodiram e ganharam o mundo e, em pouco tempo, era fundada a ONG Techfugees, que hoje conta com mais de 15.000 voluntários.

Os resultados da ONG são impressionantes. Ela já realizou mais de 45 hackatons, já implementou mais de 50 projetos inovadores: de aplicativos para cada refugiado encontrar sua família a aulas de árabe a distância e escolas de programação para capacitá-los para reingressar no mercado de trabalho. Em apenas dois anos, a organização já criou 25 hubs em diferentes países e formou mais de 18.000 profissionais de tecnologia,

Josephine terminou sua apresentação reforçando que os nossos celulares (e a conexão que nos propicia) são mais poderosos do que imaginamos, estimulando a todos da audiência a se conectarem com algum refugiado através das suas mídias sociais para, assim, ouvirem suas histórias e conseguirem desenvolver a empatia que ela desenvolveu com as centenas de famílias que conheceu de perto.

Para saber mais sobre o incrível trabalho desta ONG, assine o newsletter da Techfugees e, de preferência, faça também uma doação.

Este case demonstra a força que um formador de opinião, um veículo de comunicação e as mídias sociais possuem para criar um movimento social verdadeiramente impactante e transformador.

Imagine se toda grande marca e/ou grande veículo de comunicação dos diferentes cantos do mundo, decidissem abraçar profundamente uma causa humanitária, como o TechCrunch está fazendo com os refugiados. Será que conseguiríamos acabar ou ao menos minimizar radicalmente os grandes problemas da humanidade? Com certeza, sim.

De empresas centenárias, como a Unilever a jovens empresas como a Toms, tenho convicção de que veremos mais e mais marcas comprometidas a contribuir para transformação da sociedade, de preferência em parceria com as muitas ONGs e Negócios Sociais que surgem diariamente nos diferentes tantos do mundo.

Para se inspirar a fazer parte desta mudança, conheça no link a seguir a lista das 56 empresas integrantes do “2017 Change the World List” que a Fortune construiu em parceria com a FSG, uma empresa sem fins lucrativos de consultoria sobre impacto social , a Shared Value Initiative, uma plataforma global para organizações que buscam soluções empresariais para desafios sociais e o professor Michael E. Porter, da Harvard Business School: http://fortune.com/2017/09/07/change-the-world-money/.

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