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Muitas perguntas, poucas respostas

Hoje foi aquele dia que incomodou, que gerou inquietação, que deixou muito mais perguntas do que respostas. E, pensando bem, talvez isso seja muito bom


11 de março de 2018 - 14h05

(Crédito: divulgação)

A previsão era de um dia pesado: seis palestras. Muito FOMO (fear of missing out) e sem tempo nem pra almoçar – só barrinha de cereal e frutas entre as palestras. Aí rolou um pouco do que me disseram que rolaria: num dos horários tive que pegar minha terceira opção (duas que eu tentei lotaram) e, claro, alguma hora rolaria uma roubada…

Comecei o dia num painel muito interessante sobre o setor público: Government on Demand: .gov services at .com speed. As pessoas, em seus papéis de clientes ou consumidores, se relacionam com sites e plataformas digitais de empresas e em seu papel de cidadãos acabam criando expectativas parecidas em relação aos serviços públicos. É inevitável, são as referências que elas têm. Foi apresentada uma pesquisa feita por aqui que concluiu que: 1. as pessoas querem se engajar online com o governo; 2. esperam as mesmas inovações que vêem nos sites comerciais (achar facilmente as informações, conseguir suporte quando precisam, resolver tudo online sem precisar de outros canais) e; 3. são otimistas em relação ao futuro desses sites. Na hora das perguntas, a que já estava martelando a minha cabeça havia um tempo foi feita por uma australiana que trabalha numa prefeitura: como aplicar isso em nível local, num estado ou município? Os budgets são muito diferentes quando comparados ao governo federal americano citado como exemplo e a resposta unânime entre os participantes foi: não sabemos, é realmente “extremely challenging”…

A segunda palestra tratou de ter um propósito – nos negócios e na vida. Era a minha terceira opção após muita correria entre lugares diferentes e duas batidas de cara na porta de auditórios lotados, mas acabou sendo bem interessante. O palestrante era um cara meio showman – Roy Spence – que fundou nos anos 70 uma agência bacana aqui em Austin (GSD&M), que aqui permanece até hoje e atende diversos e importantes clientes nacionais. Vários cases e exemplos de propósito, a participação “surpresa” do ator Matthew McConaughey e mais uma pulga (ou duas) atrás da orelha: qual é o meu propósito – como ser humano, pai, filho, etc – e qual o propósito da agência em que eu trabalho?

A terceira foi a roubada do dia. Acabei entrando na sala pra garantir vaga na “encore session” (bis) da que eu tinha perdido pela manhã que seria a seguir no mesmo local, mas não imaginei que seria tão técnica: “Delivering personalized experiences at scale”. Dois guris programadores falando programês o tempo inteiro = hora de atualizar timelines das redes sociais, responder e-mails e esperar a que viria logo depois e que eu queria bastante assistir: “Designing and building for a data science future”. Também com uma pegada técnica, mas bem mais acessível, um cara de nome engraçado (Chuparkoff) deu uma verdadeira aula de business inteligence, de um jeito simples de entender e muito interessante. Resgatou a história da análise de dados, falou de quando era apenas descritiva e os avanços para torná-la prescritiva – mas nunca preditiva (“what we should do” e não “what’s going to happen”). Falou também sobre redes neurais e sobre a relação entre homens e máquinas. A pergunta foi óbvia: como aplicar tudo isso à comunicação das marcas e produtos pelos quais somos responsáveis? Como usar dados de maneira mais prescritiva – e não apenas reports, reports e reports? Como trazer nossos amigos do BI da agência (ainda mais) pra perto das decisões estratégicas?

A quinta foi um painel cujo nome prometia: “Brand Personality and Business Growth”. Um dos painelistas era o Chief Strategy Officer da Droga 5 e o outro, o cliente dele da MailChimp – plataforma online de marketing. Na verdade foi muito mais um estudo de caso, no clássico formato de Cannes, com cliente e agência no palco conversando sobre como foi o job. Interessante até, mas não tanto quanto imaginava. O CSO da Droga falou um pouco sobre a metodologia de planejamento da agência e acho que a parte mais legal foi conhecer com mais detalhes a MailChimp – que se vende como um “second brain” para pequenas empresas e na verdade acaba sendo meio que uma concorrente pra agências de pequeno porte. E, claro, as dúvidas: qual o próximo passo pra esse tipo de plataforma digital? O que temos que fazer pra nos mantermos relevantes e não sermos substituídos por uma plataforma (robô?…) assim?

Por fim, uma palestra sobre varejo, outro segmento que me interessa bastante: “The reinvention of stores: innovate to survive”. O ponto principal da palestrante foi algo em que eu realmente acredito: “Physical retail isn’t dead. Boring retail is”. Apresentou diversas razões pelas quais as pessoas continuarão comprando em lojas físicas (tactile, communal, discovery) mas deixou muito claro que as elas estão mudando muito rápido – discutiu o que deve ser feito e apresentou exemplos muito interessantes de iniciativas de lojas pelo mundo. E as inevitáveis questões: quando nossas lojas e shoppings vão entender que o negócio deles tem cada vez menos a ver com produtos e mais com “retailtanement”? Que precisam prestar serviço e proporcionar experiências, mais do que vender? Que tem muito mais a ver com marca do que com preços ou mercadorias?

Enfim, hoje foi aquele dia que incomodou, que gerou inquietação, que deixou muito mais perguntas do que respostas. E, pensando bem, talvez isso seja muito bom.

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