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Como contar (e recontar) uma história

A Uber pode se inspirar na narrativa do This American Life para recontar a sua própria


13 de março de 2018 - 12h28

(Crédito: reprodução)

“Acho interessante quando as pessoas dizem que eu trabalho com tecnologia. Eu trabalho com storytelling.” Bozoma Saint John, Chief Brand Officer da Uber, mostra a que veio logo nos primeiros minutos de conversa. Ela não está se dirigindo apenas a entrevistadora, mas a todo uma audiência que a perscruta desde que assumiu o cargo em meados do ano passado, em meio a crise de imagem da companhia. Ela pretende reescrever essa história com uma narrativa focada em pessoas.

Algumas horas depois, na mesma sala, Ira Glass contou como criou o podcast mais popular que já existiu de forma acidental. Em um tuíte: contando bem boas histórias. Ira é o criador de podcasts de sucesso como This American Life, Serial e S-Town, e compartilhou as coisas que eles fizeram e aprenderam com os programas.

Fiquei pensando em como a Uber pode se inspirar na narrativa do This American Life para recontar a sua própria. A executiva da Uber já parece estar consciente do caminho que precisa trilhar para isso. Com um bom produto, que cria conexões humanas através de histórias.

Uma história é sobre emoção. No This American Life, cada história começa com uma obsessão que um colaborador tem, e pode levar meses ou até anos antes de ir para o ar. Bozoma falou repetidas vezes de como quer colocar as pessoas no centro da marca, drivers e riders, e em construir uma experiência positiva para elas. Uma nova história que pode fazer as pessoas voltarem a se apaixonarem pela Uber.

O fracasso pode ser um sucesso. Ira é enfático: “Matar uma história que é boa, mas não incrível é uma vitória. Torna o mundo um lugar mais interessante.” Uber parece ter entendido que precisa descartar a história que a alçou para o sucesso, mas que não foi suficiente para mantê-la.

Divirta-se. Uma história fica ainda melhor quando as pessoas vêem que você também está se divertindo ao conta-la. Ex-Pepsi, Apple e Beats, Bozoma parece estar no seu ambiente e entender o seu papel na empresa. Além de executiva da empresa, ela também dirige um uber pool, para entender as necessidades das pessoas e a perspectiva dos motoristas. Ela disse dar boas risadas durante as corridas também.

Tente novas coisas. O This American Life já virou musical, filme, animação e até tatuagem, e está sempre experimentando novos formatos de narrativas. Bozoma falou bastante sobre inovação, mas não detalhou muito os planos da empresa. Talvez seja uma área que a empresa possa evoluir além do storytelling da marca.

Difícil prever se Bozoma vai conseguir trazer de volta os consumidores e motoristas que a Uber perdeu, e ainda se vai conseguir atrair novos. Mas uma coisa é certa, ela conseguiu trazer novo vigor para a marca e simboliza como ela está tentando se reposicionar se conectando com as pessoas. Com uma mulher, negra, carismática, liderando uma grande marca. Não tem como não torcer para que dê certo.

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