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Nossa vida nas redes sociais, carros voadores e colonização de Marte

Assuntos amplamente discutidos aqui transformaram nossas vidas ao longo destes anos


13 de março de 2018 - 16h24

Chegando ao meu oitavo SXSW, pude ver como assuntos amplamente discutidos aqui transformaram nossas vidas ao longo destes anos, tais como o Design de Interfaces e Experiência do Usuário nos levou à escravização pelos nossos devices e de como a curadoria de conteúdo dos nossos aplicativos de mídia social nos colocou em bolhas de ideologias onde não temos mais um balanço saudável de pontos de vista e opiniões controversas e que impossibilita a discussão de temas relevantes à nossa convivência em sociedade e de como o Big Data e Machine Learning tem revolucionado praticamente todas as ciências.

Neste ano o reflexo disso ficou evidente na palestra “Breaking Digital Facades: It’s Time to Take Tech Back” de Brian Solis e de como intencionalmente os aplicativos de redes sociais são feitos para capturar nossa atenção, mas isso tem nos levado ao lado negro da força, chegando a tal ponto onde até sinalização urbana e de trânsito tem que ser reinventados para que possamos prestar atenção ao mundo ao nosso redor. O simples fato de o ícone de notificações do seu Facebook aparecer somente após alguns segundos depois que você abre o app é proposital para gerar uma ansiedade no usuário. Nossa vida é regida pelo FOMO (fear of missing out) e pela gratificação instantânea oriunda de likes, retweets e shares.

Machine Learning e AI é praticamente um requisito nos títulos de palestra este ano, desde como está sendo aplicado em Design, Criatividade, Genética, Saúde e etc… Não vou nem entrar neste tópico pois partimos do princípio que é ubiquidade. Mas na track de Intelligent Future o que mais chamou a atenção foi o debut do primeiro AAV (Autonomous Aerial Vehicle). O EHANG184 é carro voador que já está em testes em Dubai (http://www.ehang.com/ehang184).

Outro tema interessante foi o de Daniel Pink, na sua palestra “The Scientific Secrets of Perfect Timing”, comprova, usando big data, o quanto o horário do dia influencia na nossa capacidade de concentração e produtividade e quais os impactos de não nos atentarmos para isso. Citou por exemplo a diferença nas notas de alunos que tem suas provas de SAT, equivalente ao vestibular nos EUA, no período da manhã versus os que tem suas avaliações à tarde e como isso desencadeia um efeito dominó que certamente irá influenciar seu sucesso ou fracasso profissional.

Falando em timing, o contraste de cronogramas entre as missões Touch the Sun da Nasa e o BFR da SpaceX evidenciam o quanto a tecnologia tem acelerado a exploração espacial. A sonda espacial Parker apresentada pelas cientistas da Nasa Elizabeth Congdon e Nicola Fox, que parte em missão ao Sol em junho deste ano, é a primeira a construída e nomeada em homenagem a um cientista ainda vida. Esta missão (parte dos planos originais de 12 missões da Nasa) está sendo planejada há 60 anos, porém até então não tínhamos tenologia capaz de desenvolver painéis que suportassem às temperaturas absurdas do nosso sol.

Ao mesmo tempo Elon Musk (criticado por suas timelines um tanto “agressivas”) e a SpaceX tem feito avanços incríveis na redução de custo e tempo para construir naves espaciais reutilizáveis, que tendem a encurtar cada vez mais o tempo entre idealizar uma missão e executa-la. Os primeiros voos experimentais do BFR estão planejados para ano que vem. Vale lembrar que o primeiro voo bem sucedido da SpaceX foi apenas em 2008, ou seja, apenas uma década atrás.

Em sua sessão de perguntas e respostas, Elon Musk comparou a missão tripulada a Marte e os primeiros colonizadores às expedições de Ernest Shakelton ao pólo sul no período chamado de “Golden Age of Antarctic Exploration” onde tudo era difícil, perigoso e com grandes chances de morrer. Interessante a comparação visto que vale lembrar que Ernest Shackelton não foi o primeiro a chegar ao pólo sul. E que, quando chegou, descobriu que havia sido vencido pelos noruegueses, liderados pro Roald Amundsen, por 1 mês de diferença e isso afetou a moral do time culminando na morte dos exploradores britânicos no seu caminho de volta. Independente do final infeliz das expedições de Shakelton, ele deixou um legado por seu pioneirismo nas explorações do continente gelado e pela sua capacidade de liderança, um feito sim comparável ao que Elon Musk vem desempenhando e, indepentemente se ele e a SpaceX conseguirão levar o primeiro homem a Marte, com certeza irá pavimentar o caminho para que outros venham a conseguir em breve.

Citando Steve Jobs no seu icônico discurso de graduação de Stanford, só conseguimos conectar os pontos quando olhamos para o passado. São tantos temas e conteúdo aparentemente desconexos que vemos por aqui no SXSW que fica difícil enxergar a correlação olhando adiante. Espero que nos próximos anos a discussão seja sobre como colonizar Marte impactou nos aspectos sociais e econômicos da humanidade.

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