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José Andrés e Andrew Zimmern, os chefes

Eles vêm se envolvendo em questões sociais profundas e reforçaram o óbvio: ainda precisamos fazer muito para resolver o problema da fome


14 de março de 2018 - 20h52

(Crédito: reprodução)

Há tempos me pergunto porque a literatura gastronômica só cresce, enquanto a musical e a cinematográfica praticamente desaparecem. Entre numa livraria e veja quantos livros de música ou de cinema estarão em destaque. Depois vá até aquela sessão bonita de gastronomia, muitas vezes localizada no corredor central, com livros lindos, recheados de belas fotos, papel especial e capa dura. E ainda tem o MasterChef, o Tastemade, a Food Network, os documentários do Discovery e do Netflix.

A resposta para a minha pergunta talvez tenha vindo aqui no SxSW: são os personagens!

Temos personagens incríveis cozinhando mundo afora. Personagens únicos como Antony Bourdain, Gaston Acurio, Alex Atala, Ferran Adria, Jamie Oliver, Gordom Ramsay, Alain Ducaise e Francis Mallmann.

Entender as razões pelas quais os chefs de cozinha hoje são, talvez, os novos rockstars e mergulhar na indústria mais a fundo foi minha proposta durante algumas sessões aqui em Austin.

Fiz um roteiro pelo qual tentei entender o futuro dos restaurantes (do ponto de vista da tecnologia e dos modelos de negócios em uma economia em transformação), do vinho (o nome da sessão era Bytes & Barolo), como máquinas podem substituir funcionários nas cozinhas (tem coisa profunda acontecendo já), como tecnologia pode acelerar a colheita (vi soluções de machine learning em plantacoes de alface e soja).

Vi ainda sobre o futuro do delivery (uma coisa é entregar uma caixa da Amazon por meio de um drone, outra é a sua pizza que deve chegar quentinha), sobre reciclagem (possibilidades de engenharia reversa com as caixas e embalagens na economia que mais produz papel e plástico) e sobre técnicas para evitar o desperdício de comida, tornando o planeta mais justo e sustentável.

Assisti ainda uma palestra sobre como a dieta plant based pode salvar o mundo. Infelizmente, continuo fiel ao meu churrasco brasileiro – e ao barbecue tipicamente texano, por aqui.

Comida e tecnologia caminham cada vez mais juntas. Seja na nova configuração global de supply chain ou para atender um consumidor extremamente exigente, que deseja ingredientes mais frescos e comidas saudáveis. E ainda tem uma enorme discussão sobre ingredientes vindos dos laboratórios, dos alimentos geneticamente modificados…

Muita coisa high tech, muita coisa interessante, mas foi com José Andrés e com Andrew Zimmern que a ficha da necessidade dos personagens caiu.

José Andrés é espanhol e criou o primeiro restaurante de tapas nos Estados Unidos. Chef há mais de 30 anos, liderou os esforços pós Furacão Maria servindo mais de 3 milhões de refeições em Porto Rico. Andrew Zimmern é o cara do Bizarre Foods, que certamente você já viu na TV ou em algum vídeo do YouTube. Também bastante conectado com questões humanitárias e sociais.

Eles vêm se envolvendo em questões sociais profundas e reforçaram o óbvio: ainda precisamos fazer muito para resolvermos o problema da fome. Os dois, com o apoio da Fundação James Beard, estão aliando tecnologia e educação para mudar o mundo por meio da comida.

Já seria o bastante, mas ainda por cima são dois baita personagens! Porque a tecnologia vai precisar sempre de caras como o José e o Andrew.

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