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What I learned at SXSW before my brain exploded

Frequentar tantas palestras, painéis, exibições, meet-ups, mentor sessions, shows ao vivo – pode estourar os neurônios de qualquer um


16 de março de 2018 - 11h41

(Crédito: divulgação)

The title of this article is in English, I know. É que quando fico cansado não consigo pensar direito em português. Na verdade, aqui no SXSW, não consigo nem pensar direito em inglês. Até para quem está acostumado com o ritmo de São Paulo, passar dez dias em Austin durante este festival de inovação e música é um desafio.

Quero começar meu último texto de cobertura para o Meio&Mensagem com um agradecimento. Luiz Pacete, Alexandre Lemos e Jonas Furtado, muito obrigado pela oportunidade de fazer parte desta equipe tão engajada de colaboradores. Sei que foi cansativo para todos vocês, mas o trabalho que fizeram para compartilhar o conteúdo deste festival com o público brasileiro foi sensacional. Estão de parabéns.

SXSW realmente é um festival para todos: publicitários, produtores, diretores, roteiristas, locutores, músicos – a lista não tem fim. Não dá para ver nem 10% do que o evento oferece – mesmo comendo mal e dormindo pouco. Por isso foi tão importante montar uma equipe de cobertura. Confesso que não tive tempo de ler os textos dos outros colaboradores, mas pretendo ver tudo durante as próximas semanas.

Agora que o SXSW está chegando ao fim, me pergunto: “Qual foi a lição central do meu tempo aqui?” Foram tantas palestras, painéis, exibições, meet-ups, mentor sessions, shows ao vivo – tudo acontecendo ao mesmo tempo. Sofri para escolher, corri para chegar, e muitas vezes nem lembro do que vi porque eu já estava no celular de novo, escolhendo a próxima sessão.

Talvez seja essa a lição central do meu tempo aqui. Andando pelas ruas de Austin com o Luiz Macedo da produtora Juke, batemos um papo sobre a pressão que sentimos para ser relevantes. Temos que estudar tantas coisas novas que parece que não sobra tempo para se aprofundar numa coisa só. A gente estuda XR, blockchain, bitcoin, neurolinguistics – e quando começa a entender uma coisa, The Next Big Thing já é outra.

Até as empresas parecem sofrer pela neurose de ser relevante. A Bose, por exemplo, fez uma ativação para divulgar um novo óculos de sol com um fone de ouvido embutido. Produto bacana! Só que hoje ser bacana não é suficiente. Tem que ser inovador. Então a empresa incluiu uma conexão bluetooth e um detector de movimento – chamando os óculos de Bose AR, audio augmented reality.

O SXSW deixa claro que a tecnologia está avançando numa velocidade nunca antes vista; mas também mostra que estamos cada vez mais escravizados pela tecnologia. Durante uma mentor session que tive com a inovadora e auto-proclamada “hippie digital” Galit Ariel, discutimos a ironia da geração “selfie”. Hoje em dia as pessoas ficam de costas para a vida para tirar fotos daquilo que estão vivendo.

Sou disso também. Ontem no VR Cinema encontrei com a Eliza McNitt, diretora do filme “Spheres: Songs for Spacetime”, um dos destaques do festival. Parei para conversar com ela e o meu instinto foi pegar o meu celular para tirar uma selfie. Felizmente a bateria tinha acabada. “I’ll just remember our encounter,” eu disse. Ela sorriu e conversamos numa boa sem deixar rastros nas mídias sociais.

Outro encontrou memorável aconteceu quando tirei a foto para esta matéria. Eu andava pelos corredores do J.W. Marriott quando vi um homem japonês sentado sozinho. “Could you please take a picture of me?” Expliquei para ele que eu ia deitar no chão e me fingir de morto, como se a minha cabeça tivesse explodido devido a tudo que vi no festival. “Ah, yes, of course.” Ele nem achou estranho o meu pedido.

Ele acabou falando que esta foi a sua sétima vez no SXSW. Eu estou na segunda. O que é que quero mudar até o ano que vem? Quero continuar aprendendo e inovando, claro. Mas com mais calma e com menos desespero de ficar sempre nas mídias sociais. Pretendo buscar mais interação humana. Quero ter mais encontros e mais conversas. A lição central foi essa: ser relevante não é meta – é consequência.

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  • Kariny Martins

    Abri seu artigo por não acreditar que alguém teve a coragem de mandar essa foto pro M&M haha. Mas é exatamente isso, os sentimentos pós SXSW estão traduzidos no seu texto, essa foi minha primeira vez aqui e senti intensamente essa pressão pela relevância. Parabéns pelo artigo.

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