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Dá para resumir a SXSW 2018?

Decidi sintetizar em 3 grandes grupos de aprendizados esta SXSW que, para mim, foi aquela que tratou de frente os grandes problemas enfrentados pela humanidade


20 de março de 2018 - 12h56

Apontar tendências em um evento de quase 3 mil palestras, muitas vezes falando pontos contraditórios (ainda bem!) não é assim tão simples. Principalmente porque a SXSW que eu vi foi diferente do que o cara do meu lado viu. De qualquer forma eu tentei sintetizar aqui o que aprendi, e acho que este apanhado de links e palestras pode ser útil.

Só eu assisti a 27 palestras em 6 dias (sim, tive que fazer esta contabilidade). Este ano ainda teve um dia a mais. Fora as visitas às ativações, eventos paralelos e trade show. Tive a sorte em ver Elon Musk, Bernie Sanders, Sadiq Khan, Rian Johnson e Mark Hammil, para citar os mais conhecidos. E pude conhecer figuras muito renomadas e que eu ainda não tinha familiaridade como Tom O’Relly Brian Solis, Ezra Klein, John Maeda, Byron Reese, Dr. Julian Hosp e Whurley.

Nestas escolhas, como sempre, fiquei com a sensação de ter perdido algumas, mas, mesmo não estando presente, é possível absorver escutando atentamente a história contada nas conversas, nos artigos, nos livros recomendados e no rico conteúdo do canal SXSW no YouTube. Isto é SXSW. Ao final você sempre sai transformado, inspirado e com um enorme saldo positivo.

Com todos estes ingredientes dos mais diversos decidi sintetizar em 3 grandes grupos de aprendizados esta SXSW que, para mim, foi aquela que tratou de frente os grandes problemas enfrentados pela humanidade.

1) Esperança na inclusão e na democratização.

– Bozoma Saint John veio para tomar conta do Uber. Com uma história profissional inspiradora, deixou uma mensagem muito clara: “Se eu conseguir mudar a cultura de uma empresa como o Uber, nenhuma outra marca poderá ter desculpas para não querer mudar”. Aproveite que tem o áudio da entrevista na página da SXSW.

– Muito se falou sobre as oportunidades que tecnologias como Blockchain e Inteligência Artificial podem proporcionar. Mas ficou muito claro também os riscos inerentes a todas estas evoluções. Por isso que foi discurso recorrente a necessidade de algum tipo (qualquer que seja) de regulamentação. Foi uma recomendação abordada por Sadiq Khan, assim como a palestra de Dr. Julian Hosp sobre o básico de blockchain.

– Inteligência Artificial veio para nos ajudar e portanto deve ser democratizada, trazer junto consigo uma camada de pessoas que tinham a possibilidade de serem excluídas. E isto é nossa responsabilidade. Este foi o tema de Sadiq Khan e também do excelente painel com especialistas no tema como Fei-Fei Li cientista de Stanford e Megan Smith da Shift7.

– Na comentada sessão de Shanying Leung, sobre as cidades sem uso de dinheiro físico, ficou claro como podemos abrir oportunidades quando temos uma outra relação com o dinheiro, mais baseada em confiança e facilidades digitais.

– E personalidades como Tim O’Reilly e Ray Kurzweil mostraram como a tecnologia pode sim trazer expectativas positivas para todos nós. As possibilidades vão se ampliar, com o conceito que Ray chama de “human enhanced”, ou homem aprimorado

2) Quando falamos de todos, tem que ser todos mesmo.

 – As duas sessões que assisti sobre tecnologias revolucionárias da NASA, a primeira sobre a missão da nave que irá explorar o Sol, e a segunda sobre a existência de vida fora da Terra foram 100% conduzida por cientistas mulheres, líderes em seus projetos. Foi muito inspirador, principalmente para ser uma referência a nosso setor de comunicação.

Um dos pontos destacados pelo especialista John Maeda foi a necessidade de repensarmos nosso design computacional, incluindo agora os “B”olders, ou a geração X e também os baby boomers que estão hoje extremamente digitalizados.

– Por falar em Bolder, o retorno de Luke Skywalker, Han Solo e outros personagens em idades mais avançadas mostram justamente esta valorização deste novo protagonista em nossa cultura. Vale se inspirar pelas palavras de Mark Hammil mostrando uma melancolia divertida de sua posição construída há 40 anos atrás.

E este é exatamente o pensamento de Elon Musk quando fica aficionado por preservar a espécie humana em sua obsessão em levar humanos a Marte. Sonhos grandes para resolver problemas grandes. Vale a pena escuta-lo.

– Aliás Elon Musk que foi citado em simplesmente 20% só das palestras que assisti… E nos fez chegar 8h da manhã em uma fila gigantesca para tentar pegar ingressos para assisti-lo.

3) E para não dizer que não falei de tecnologia e tendências

– Blockchain, blockchain e blockchain. Para entender melhor confira o livro e a palestra de Dr. Julian Hosp com o título “What is Blockchain?”. Foi o palestrante mais didático a que assisti em 4 anos frequentando o festival. E, é claro, vale escutar as palavras de Joseph Lubin, co-fundador da cryptomoeda Ethereum.

– Computação quântica vai revolucionar tudo ao nosso redor de uma tal maneira que não vamos perceber a velocidade de processamento de cálculos super-complexos. Ela não será eficiente para tudo, mas será imprescindível principalmente para desvendar nossos grandes desafios. Vale assistir ao keynote do especialista William Hurley.

– Muitas palestras sobre experiências imersivas, como Mixed Reality, Virtual Reality, Augmented Reality, Screenless, Voice command. Ou seja, a tecnologia como parte das nossas vidas de forma imperceptível, mas melhorando nossa realidade. Interessante a palestra que vi com um especialista de VR ex-mágico, chamado Curtis Hickman, da Void, que utiliza suas técnicas em seus trabalhos.

Para fechar preste atenção nas palavras de Ray Kurzweil que deixa claro que vamos ter mais mudanças nos próximos 5 anos do que vivemos nos últimos 10. Foi um bom SXSW em termos de conteúdo.  Que venha 2019. E que venha todos os próximos anos.

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