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O poder messiânico de Elon Musk

A aparição surpresa do empresário no SXSW mostrou o quanto ele possui a capacidade de alimentar as conversas em torno de inovação e exploração espacial e, ainda, de inspirar pessoas

Isaque Criscuolo
12 de março de 2018 - 15h23

 

Quem já esteve (ou está) no South by Southwest sabe que um dos elementos mais marcantes do festival é a surpresa. Aquilo que acontece enquanto você anda despretensiosamente nas ruas de Austin, ou alguma atração anunciada na última hora. Uma das surpresas da edição deste ano é Elon Musk, CEO da SpaceX, co-fundador e CEO da Tesla, conhecido por seus projetos inovadores que visam levar a humanidade a um futuro mais inteligente e sustentável.

É este ideal que faz de Elon o que podemos chamar de empreendedor messias, nos moldes de Steve Jobs, e uma figura que inspira não somente o mercado de inovação tecnológica, mas também quem trabalha em qualquer área voltada ao empreendedorismo. Elon Musk é admirado pela ousadia e potencial de convencer pessoas com suas ideias megalomaníacas como, por exemplo, conquistar Marte.

A vinda de Musk ao SXSW não foi acaso. O empresário foi convidado por um dos criadores de Westworld, Jonathan Nolan, para divulgar o vídeo do lançamento do Falcon Heavy, o mais poderoso foguete a ir para o espaço desde 1973.

Diante da repercussão da presença de Musk, o SXSW organizou uma sessão de perguntas no domingo, 11, para uma audiência acalorada que esteve na fila desde as 7 da manhã para garantir um ingresso. A multidão que lotou o teatro Austin City Limits, cuja fila dobrou três esquinas, pôde ouvir Elon falar sobre a ida da humanidade à Marte, sua rotina e gestão de tempo, uma possível guerra nuclear, entre gracinhas e brincadeiras.

Para Musk, existem muitas coisas erradas no mundo e muitos problemas que precisam de solução. Apesar disso, ele diz, a vida não pode resumir-se a resolver um problema atrás do outro e precisamos de algo que nos inspire e nos faça acordar de manhã felizes por fazer parte da humanidade. É esta linha de pensamento que faz do empresário uma figura quase messiânica que enche auditórios com pessoas ovacionando os mais simples de seus gestos.

Para quem está no SXSW e busca respostas para as questões de hoje e do amanhã, Elon produz uma imagem que muitos esperam. Através de suas empresas, promete resolver não somente o problema que teremos com fontes de energia, mas para onde iremos caso alguma catástrofe atinja a Terra. É aqui que as ideias dos filmes de ficção científica se tornam mais tangíveis na voz e nas ações de um ser humano, muito próximo de todas as pessoas que olham para um futuro mais positivo e inovador.

Outro ponto defendido por Musk é que, após a chegada da humanidade à Marte, haverá uma grande explosão de oportunidades para empreender, afinal será um território no qual tudo precisará ser construído do zero.

Questionado se o acesso a Marte seria apenas para os ricos, Musk enfatizou que isso não acontecerá. Entretanto, atualmente a NASA gasta cerca de US$ 80 milhões para levar um astronauta ao espaço. A SpaceX fechou recentemente um contrato com a NASA para efetuar pelo menos seis voos até uma das estações espaciais da agência, com até sete pessoas por vez. Levando em consideração o custo atual, um viagem à Lua pode custar cerca de US$ 560 milhões. No curto prazo, uma realidade acessível apenas aos humanos mais ricos do planeta.

Sobre problemas políticos, o empresário disse que uma próxima guerra mundial é inevitável e precisamos colonizar a Lua e Marte como um plano B antes que isso aconteça. Além disso, falou sobre os perigos da inteligência artificial. “O maior problema que vejo nos especialistas de AI é que eles acham que sabem mais do que a AI, pensam que são mais inteligentes do que elas. É um problema que afeta pessoas inteligentes: não gostam da ideia de que uma máquina pode ser mais inteligente, então não a consideram”, disse.

Ir a Marte um dia, para Musk, é uma aventura difícil e perigosa. Quem quiser se arriscar precisará aceitar o fato de que pode morrer tentando chegar ao planeta.

Elon Musk chegou de surpresa em Austin e tomou os holofotes do SXSW não somente porque é uma figura atualmente associada à inovação e exploração espacial, mas porque tem um olhar apocalíptico a respeito do futuro e um trabalho voltado a tentar mudar a rota destes acontecimentos trágicos. E, acima de tudo, possui um discurso de esperança de um futuro cada vez melhor para a humanidade. É por isso que sua passagem pelo festival que cultua a inovação e a criatividade se assemelha com a passagem de um messias.

Assista a sessão de perguntas na íntegra:

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