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Transhumanos ditam novas relações e demandas de consumo

De próteses cada vez mais sofisticadas passando por chips e até alteração do DNA, a espécie humana nunca mais será a mesma

Luiz Gustavo Pacete
10 de março de 2019 - 10h00

Blake Leeper: “Independentemente de ser considerado um super-humano, o meu trabalho é ter a melhor performance possível. O que só é possível com muito foco, concentração e trabalho”

Pouco antes de morrer, em março do ano passado, o físico Stephen Hawking afirmou que o homem desenvolveria uma nova espécie, a de super-humanos. No livro “Brief Answers to the Big Questions”, Hawking afirma que a ciência descobriria maneiras de melhorar a raça humana por meio de manipulação de DNA o que resultaria em uma nova espécie.

Além da modificação genética, que ganhou ainda mais projeção no ano passado após o médico chinês He Jiankui ter feito os primeiros bebês geneticamente modificados e, posteriormente, ter sido alvo de críticas, desde 2008, à época do desempenho do corredor paralímpico Oscar Pistorius nas Olimpíadas de Beijing, se discutia fortemente como que o corpo humano poderia ser modificado e potencializado. De próteses robóticas, passando por olhos biônicos e pulmões artificiais, muita coisa já é possível para potencializar o alcance do corpo humano.

Esse tema esteve presente no painel “Adaptive Athletics: The Rise of the Super Athlete?”, cujo objetivo principal era discutir a melhora de performance dos atletas paralímpicos em comparação aos olímpicos. Presente na discussão, o corredor paralímpico Blake Leeper reforçou que as próteses, de fato, elevam o desempenho. No entanto, as mesmas premissas de treinamento e preparo físico são necessárias na mesma escala que os atletas olímpicos. “Existe, porém, uma controvérsia sobre o fato de que poderia ser possível aumentar o número de atletas paralímpicos desenvolvendo próteses específicas para pessoas sem algum membro e treinando –as para o esporte”, afirmou.

Blake, no caso, poderia se enquadrar no conceito de transhumano já que a teoria define pessoas dessa forma que tiveram seus corpos ou mentes potencializados por algo tecnológico. Ainda de acordo com o transhumanismo, a melhora da capacidade humana tanto física quanto mental será algo cada vez mais recorrente na sociedade moderna. Com o advento dos wearables, a implantação de chips e a extensão do corpo em outros devices, isso ficará ainda mais claro. Blake ressaltou, no entanto, que o tema também é controverso, inclusive, na relação com os patrocinadores.

Uma reflexão deixada pelo painel é de que os transhumanos, independentemente se potencializados de forma mental ou física, mudarão de forma drástica a sociedade e as dinâmicas de consumo. Alimentos, acessórios, experiências e vários outros tipos de produtos e serviços passam a ganhar novas demandas, ajustes e necessidades. “Independentemente de ser considerado um super-humano, o meu trabalho é ter a melhor performance possível. O que só é possível com muito foco, concentração e trabalho”, concluiu Blake.

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