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O Cirque du Soleil quer que você tenha uma experiência psicodélica

O evento que reuniu o neurocientista Dr. Beau Lotto e a CCO do Cirque du Soleil, Diane Quinn, abordou o processo de criação desenvolvido pela companhia


11 de março de 2019 - 13h18

 

 

(crédito: Pixabay)

Uma dupla de visionários apresentou uma das mais empolgantes palestras que eu assisti nesse SXSW 2019: “Defining Awe, The Science Behind Cirque du Soleil”. Juntos, em uma parceria muito bem estabelecida, o neurocientista Dr. Beau Lotto e a CCO do Cirque, Diane Quinn, levantaram e empolgaram a platéia, literalmente.

Dr. Lotto abriu a apresentação explicando como nosso cérebro trabalha e estabelece certezas próprias de acordo com nossas vivências e a cultura em que estamos inseridos. Damos como certo que algo vai acontecer, mesmo antes do fato ocorrer, simplesmente porque é isso que nosso cérebro espera que aconteça. Mas isso é um limitador de criatividade, pois, segundo eles, a criatividade começa na incerteza.

Com esse pressuposto, Diane Quinn providência para sua equipe criativa – que na verdade pode ser qualquer pessoa da companhia – espaços seguros para que as elas se sintam tão à vontade que possam liberar suas incertezas e vulnerabilidades. É abraçando nossas vulnerabilidades que nos conectamos uns com os outros, num processo de empatia interpessoal. Essa é a chave para a equipe se soltar, criar, tentar, errar e inovar com uma criatividade incrível.

É então que esse processo também chega ao público. Para a dupla, o objetivo é que o público do Cirque se desarme de todas as suas certezas durante o espetáculo. Que ninguém saiba o que vai acontecer, que cada um se envolva com o risco de cada número de cada artista. É isso que faz nosso ego diminuir, nos faz sentir pequenos diante da grandiosidade do espetáculo e nos conecta uns aos outros gerando empatia e admiração coletiva.

Eu já estava totalmente encantado com esse processo quando Lotto começou a explicar a parte mais visionária da história: com uma touca de eletrodos na cabeça de voluntários, eles monitoram a atividade cerebral de parte da plateia para entender como nosso cérebro se comporta durante as apresentações. E esses dados são levados à uma inteligência artificial que auxilia na evolução das apresentações. O resultado é que o Cirque consegue ativar, de maneira coletiva e sincronizada, as mesmas partes de nossos cérebros que as drogas psicodélicas. Segundo Lotto, assistir à um espetáculo do Cirque é o mesmo que tomar uma dose de cogumelo!

Percebendo a empolgação de quem assistiu a esse painel, não tenho dúvidas nenhuma do poder desse cogumelo du Soleil.

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