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O rejuvenescimento da Bloomberg com vídeos e tweets

Jean Ellen Cowgill, da Bloomberg, conta sobre o projeto TicToc, uma plataforma de notícias em vídeo em parceria com o Twitter

Isabella Lessa
12 de março de 2019 - 6h00

A pressão sobre a mídia digital tem sido um tema bastante recorrente nesta edição do SXSW. Das possíveis soluções apontadas por um esperançoso Jonah Peretti, CEO e cofundador do BuzzFeed, ao ceticismo de um confiante Jeff Zucker, CEO da CNN Worldwide em relação ao Facebook, diversas plataformas de mídia estão discutindo como sair de um cenário de múltiplos entraves para continuar entregando – e monetizando – conteúdo no digital.

A Bloomberg, uma das principais agências de notícias para o mercado financeiro, também se viu no meio dessa encruzilhada do digital. Diante na necessidade de diversificar e rejuvenescer sua audiência, além de amplificá-la, a empresa começou a promover eventos sobre nova economia para adquirir novas perspectivas sobre onde o mundo está indo e resolveu apostar em um novo modelo de conteúdo e parceria com o Twitter.

Em dezembro de 2017, a empresa criou o TicToc, uma rede de notícias em vídeo encampada no Twitter. Munida inicialmente com um time de 50 repórteres, editors, produtores e analistas de social media, a nova unidade foi apelidada pela própria Bloomberg como a “primeira rede social de notícias”, já que combina o alcance global e o conteúdo gerado por usuários no Twitter e a expertise editorial da Bloomberg. Segundo Jean Ellen Cowgill, general manager do TicToc e global head of strategy & business development, a iniciativa tem sido bem-sucedida não somente para atrair novos públicos, mas também para gerar novas fontes de receita.

Sara Fischer (Axios), Nick Quah (Hot Pod), Jean Ellen Cowgill (Bloomberg) e Kasia Cieplak-Mayr von Baldegg (The Atlantic) – Crédito: Isabella Lessa

Uma das participantes do painel The Intersection of New Formats in Media, Jean Ellen admitiu que há pontos negativos na parceria com o Twitter, mas que não dividir receita com as plataformas é uma opção ruim para os veículos. “A audiência vem primeiro. Há um gap entre o aumento da audiência e da receita. Mas se olharmos para o passado, TV e rádio também enfrentaram problemas similares aos que enfrentamos hoje. Vamos ter de dividir receita ao mesmo tempo em que asseguramos que não estamos amarrados a uma plataforma específica, sabendo de possíveis crises que essas empresas podem ter”, disse.

Apesar de as preocupações com brand safety serem reais, ela aposta que o conteúdo bem feito é capaz de garantir que as marcas queiram se associar. Hoje, o Tic Toc tem unidades em Nova York, Hong Kong e Nova York, mas a equipe da Bloomberg no mundo inteiro colabora. “Não podemos ter um staff infinito para fazer o conteúdo. E o conteúdo tem de ser nativo, duradouro e deve-se apostar em múltiplos meios sem investir tanto tempo”. Na entrevista a seguir, Jean Ellen conta mais detalhes sobre o TicToc:

Ativação itinerante do TicToc no SXSW: cartada da Bloomberg para atrair audiência mais jovem em diversas partes do mundo (Crédito: Isabella Lessa)

Os players de mídia estão sob pressão de investimentos e diante de desafios como as fake news. O TicToc nasceu em meio a esse contexto. A quais as necessidades que o TicToc está respondendo?
Jean Ellen – A ideia foi rejuvenescer nossa marca e estar onde jovens estão consumindo conteúdo, assim como expandir nossa audiência. A Bloomberg é uma companhia focada em negócios e finanças, o que naturalmente leva a uma audiência mais velha, mais nichada. Por outro lado, a Bloomberg tem uma equipe de 27 mil jornalistas ao redor do mundo, reportando coisas que muitas vezes interessam a uma audiência muito maior. Então a pergunta que nos fizemos foi: como podermos lançar uma marca de notícias que consiga levar essas reportagens massivas e distribui-las no mundo de forma interessante e mais fácil de ser consumida pela audiência mais jovem?

E, ao que tudo indica, o formato mais interessante para os jovens é o vídeo, que é a principal aposta do TicToc, certo?
Jean Ellen –
Sim, nosso formato é vídeo. Também temos newsletters e podcasts para ajudar as pessoas a continuarem acompanhando as notícias e se manterem engajadas. Áudio e texto são legais, mas a imagem impacta mais. E o Twitter expande a capacidade de compartilhamento dessas peças. Mas fazemos muitas pesquisas sobre o que as pessoas consideram notícias valiosas. Estamos percebendo as pessoas querem saber o que está acontecendo no mundo, mas também querem consumir conteúdo que dure mais do que a notícia.

Então o foco de vocês não são as breaking news?
Jean Ellen –
Breaking news são importantes e nós as publicamos, mas a prioridade são conteúdos que dão o contexto em torno da notícia. E cobrimos áreas além das tradicionais. Não somos uma plataforma somente de negócios e política, mas de entretenimento, cultura e tecnologia, pois sabemos que são assuntos pelos quais as pessoas se interessam.

Qual é o acordo comercial que vocês estabeleceram com o Twitter?
Jean Ellen –
Temos um modelo de ‘cosales’ com o Twitter. O que significa é que eles vendem o TicToc para anunciantes, nossa equipe comercial também e dividimos essa receita. É bom para os dois lados porque estamos alcançando mais anunciantes que talvez não alcançaríamos antes. E é uma nova fonte de receita também.

É imprescindível para veículos de mídia a parceria com redes sociais para a distribuição de conteúdo?
Jean Ellen –
Acho que agora vivemos em mundo que se você quiser atingir uma audiência maior, tem de jogar com essas plataformas. Todo mundo está experimentando modelos e será interessante ver como isso vai se desenvolver no futuro.

Acredita que o TicToc é uma boa maneira para combater fake news?
Jean Ellen –
Essa é nossa abordagem: criar conteúdo baseado em fatos. Há uma renascença do jornalismo acontecendo agora porque as pessoas estão famintas por entenderem o que está acontecendo e por publicações nas quais possam confiar.

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