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O SXSW resgata o valor do áudio como conexão emocional

Percebi que existe um movimento forte no mercado de criação, produção e mesmo na indústria tecnológica de voltar a valorizar o som


12 de março de 2019 - 11h37

(Crédito: Hendrik B./Pexels)

Não faz muito tempo e uma das regras de ouro do conteúdo em social media era – e na verdade pra muita gente ainda é: todo vídeo postado deve funcionar sem som. Mas daí chega o SXSW 2019 para jogar esse conceito no lixo.

Percebi que existe um movimento forte no mercado de criação, produção e mesmo na indústria tecnológica de voltar a valorizar o som. E por diversas razões, de emocionais à tecnológicas.

Começando pelo painel mediado por Tom Chirico, líder criativo do Story Lab – Twitter, que defendeu um mundo onde as marcas encontrem maneiras criativas de estimular a audiência a ligar o som durante a navegação nos feeds das redes sociais. Segundo ele, o som nos conecta de maneira primitiva e emocional ao conteúdo, já que é o primeiro sentido a ser estimulado – ainda enquanto estamos dentro do útero. Para quem gosta de metas, cai o famoso “o conteúdo deve passar a mensagem nos primeiros 5s vídeo”, para: “faça a audiência ligar o som em 3s”. Desafiante.

Confirmando a teoria da conexão emocional com o áudio, Mimi O’Donnell, da Gimlet – produtora de podcasts recém adquirida pelo Spotify – mediou outro painel que explorou o crescente mercado de podcasts, principalmente os ficcionais. Junto nesse painel estava Benoni Tagoe, Business Director da Issae Productions, que produz uma série de podcasts ficcionais, de thrillers à dramas. Além da liberdade de poder produzir histórias que podem se passar desde o fundo do mar até a Lua, ambos defenderam a mesma conexão pessoal e emocional do áudio que Tom Chirico apresentou. Segundo Tagoe, o áudio tem o poder de fazer a audiência se sentir dentro da cena, e ao lado do personagem, muito mais que o visual.

Mas nada disso faria tanto sentido se não fosse acompanhado de inovações tecnológicas para apreciar todo esse som. Foi nesse sentido que conheci dois novos fones de ouvido sensacionais aqui em Austin.

O primeiro da startup Nura, o Nuraphone. Um fone que você encaixa no ouvido e ele, conectado ao app, envia ruídos sonoros para dentro do seu ouvido e avalia como o seu ele reage e percebe as diversas amplitudes de ondas sonoras. Com esse diagnóstico o fone configura as ondas sonoras emitidas para uma experiência auditiva personalizada para o seu ouvido. O resultado é realmente incrível. Quando você experimenta percebe que existem notas nas músicas que não sentia. Pra completar ele ainda pode vibrar simulando que você esteja ao lado de uma caixa de som em um show. É de arrepiar.

E nesse mesmo sentido de valorização, a Bose trouxe para o SXSW seu novo fone com realidade aumentada, o Bose AR. A primeira inovação é que não se trata de um fone: é um óculos que emite ondas sonoras das hastes para dentro das orelhas. E a segunda é a sensação espacial: conforme você vira a cabeça, diferentes instrumentos da música são valorizados, como se você estivesse no meio do palco enquanto a banda toca.

Isso confirma o que os desenvolvedores de conteúdo defendem: o som realmente nos conecta emocionalmente. É um grande momento para o áudio na indústria do entretenimento e produção de conteúdos. Acho que não existia nada assim desde o era de ouro do rádio.

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