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Diversidade e inclusão exigem comprometimento de lideranças

Segundo Leandro Camilo, sócio e líder de diversidade e inclusão da PwC no Brasil, é fundamental que os líderes estejam engajados com igualdade

Victória Navarro
17 de março de 2021 - 8h00

Uma atuação pautada em valores de equidade e inclusão tem sido, cada vez mais, exigida por colaboradores, clientes e investidores. De acordo com o estudo Diversity & Inclusion Benchmarking Survey, realizado pela consultoria PwC, em maio de 2020, com 3 mil participantes, de 25 diferentes indústrias, distribuídos por 40 países, 76% dos profissionais dizem que o tema é um valor ou uma prioridade da empresa em que atuam. Apesar desse comprometimento, as organizações ainda precisam avançar no desenho e na execução de programas de diversidade e inclusão, já que um terço dos entrevistados indicam que ainda veem a diversidade como uma barreira para o progresso em suas organizações e apenas 5% das companhias estão tendo sucesso em seus programas inclusivos. A pauta diversidade e inclusão, assim como nos anos anteriores, integra a agenda do South by Southwest de 2021. E, para compreender melhor como a indústria vem encarando o tema, Leandro Camilo, sócio e líder de diversidade e inclusão da PwC no Brasil, fala sobre como a igualdade vem pautando a indústria.

Leandro Camilo, sócio e líder de diversidade e inclusão da PwC no Brasil (crédito: divulgação)

Meio & Mensagem – Quais são os passos e as estratégias para alinhar as organizações com a agenda de diversidade e inclusão?
Leandro Camilo – Para que isso aconteça, existe uma série de iniciativas que devem ser levadas em consideração, incluindo o apoio indispensável da mais alta liderança da organização. Mas, acredito que uma das principais seja o entendimento dos seus desafios internos em relação aos temas de diversidade e inclusão, além de uma compreensão sobre o contexto do mercado do qual sua organização faz parte. Compreender como o setor está se comportando, quais são os principais desafios e barreiras, auxilia no processo de construção de uma estratégia de inclusão e diversidade, pois você terá mais ferramentas e informações para impulsionar o cruzamento entre o que é necessário e correto a se fazer do ponto de vista de cultura organizacional. Além disso, também irá desenvolver uma visão acerca das tendências de como o mercado e seus clientes entendem a inclusão e diversidade e quais são as potenciais demandas de cada um deles.

M&M – Acredita que a indústria, no Brasil, já está engajada com a pauta diversidade e inclusão? O que ainda falta para percorrer esse caminho em direção a um ambiente de trabalho mais inclusivo?
Leandro – Infelizmente, acredito que ainda não. Temos empresas muito maduras nessas agendas de inclusão e diversidade, porém, ao mesmo tempo, temos aquelas que ou não despertaram para a importância dessas agendas ou aquelas que já deram seus primeiros passos, mas não possuem uma estratégia de fato. Vejo que isso ainda ocorre — e não apenas no Brasil, mas no mundo — devido às organizações não compreenderem que as desigualdades vividas em cada país são também de responsabilidade do empresariado. Como organização responsável precisamos endereçar essas questões, somos parte do problema e da solução. Além disso, destaco que as organizações talvez não tenham a clareza dos impactos em não se trabalhar a inclusão e diversidade nas suas estratégias de negócio, e como esse não trabalhar também impacta a sustentabilidade das suas operações.

M&M – O que justifica a dissonância entre aquilo que as empresas fazem e a percepção dos empregados em relação ao nível de inclusão nas empresas em que atuam?
Leandro – Essa é uma pergunta delicada, pois os esforços estão sendo feitos por parte das organizações mas os profissionais ainda não os percebem, ou não em sua totalidade. Vejo que uma das razões para que isso ocorra é devido às particularidades apresentadas por cada público minorizado e priorizado nas estratégias das empresas. As demandas são muitas e endereçar cada uma delas demanda tempo e investimento. Os problemas das desigualdade no mercado de trabalho, infelizmente, ainda são muitos, e as estratégias das empresas precisam estar preparadas para endereçar a maior parte deles. Para que isso aconteça, porém, é preciso muito planejamento, estratégia e acima de tudo transparência para com aqueles que aguardam um posicionamento dos seus empregadores.

M&M – O que enxerga como tendência, nos próximos anos, dentro das empresas, em relação a diversidade e inclusão? Por quê?
Leandro – Pensando no mercado brasileiro, vejo que as tendências caminham para a busca por soluções mais práticas e ágeis para os problemas ainda atuais. A pandemia da Covid-19 nos trouxe inúmeros desafios, e um deles foi o retrocesso de algumas conquistas no campo da inclusão e diversidade. Assim, entendo que a busca por maior representatividade nas organizações continuará e precisa avançar a passos largos. Uma maior demanda pela inclusão também tende a ser pauta dos próximos anos, pois o aumento da diversidade nos quadros de funcionários das organizações não é suficiente, precisamos incluir essas pessoas, trabalhar a cultura organizacional, para que todos(as) possam se desenvolver de forma plena e equânime. Porém, destaco um movimento que promete trazer avanços nesse sentido: as estratégias ESG. Pela primeira vez, desde o surgimento das agendas de sustentabilidade, presenciamos o envolvimento dos setores financeiros e de investimentos nas questões relacionadas à responsabilidade social das organizações. Acredito que trabalhar a inclusão e diversidade nas estratégias das empresas, de forma séria e consistente, será mandatório para que essas organizações continuem avançando e se diferenciando nos seus mercados. Os investidores estão mudando a forma de pensar e avaliar seus investimentos, já não aceitam investir em negócios que não se comprometam com a inclusão e o desenvolvimento das pessoas.

M&M – O que o caminho das empresas em direção a diversidade e inclusão significa para as marcas e suas comunicações?
Leandro – Hoje, as empresas que possuem uma estratégia de inclusão & diversidade consistente, transparente e que endereça as reais necessidades dos pessoas podem ter um grande ativo nas mãos. Uma marca que se posicione com esse apelo de forma séria, que transmita verdade nos seus discursos e viabilize isso em práticas, causa um movimento de admiração nas pessoas, podendo criar laços de identidade entre a marca e determinado público, bem como a consequente fidelização. Porém, ressalto, para que tudo isso seja possível, as organizações precisam acreditar e fazer as mudanças necessárias, para que as mensagens transmitidas por meio dos atributos dessa marca sejam genuínas e verdadeiras.

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