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James Cameron: “Meu objetivo é tornar as pessoas apaixonadas”

Nova produção do diretor de Avatar e Titanic trata do universo das baleias e espera incentivar o público a proteger a vida marítima

Thaís Monteiro
18 de março de 2021 - 13h35

Direto de duas das maiores bilheterias de cinema com Avatar e Titanic, nos últimos três anos James Cameron embarcou na criação de uma série documental sobre baleias. Encomendada para o Disney +, The Secret of Whales estreia em 22 de abril e busca apresentar ao público a complexa cultura dos animais aquáticos: como se organizam em família, sociedade, como montam suas estratégias de alimentação e defesa, dialetos, como se divertem e identificar partes de sua personalidade empática e amorosa.

 

(Crédito: Reprodução/Disney)

A ideia do projeto partiu do fotógrafo Brian Skerry, que trabalha com a marca National Geographic, da Walt Disney Company. A Nat Geo, por sua vez, convidou Cameron para fazer parte da empreitada. Além de Titanic, o diretor teve outras experiências com o mar. Em 2002, ele lançou o documentário Expedition: Bismarck, sobre uma expedição submarina até o couraçado alemão Bismarck; e, em 2014, contribuiu para o documentário Mission Blue, que trata da campanha da oceanógrafa Sylvia Earle para salvar os oceanos de ameaças, como a pesca abusiva e os resíduos tóxicos.

Tecnologia e equipamentos
Em sua história cinematográfica, fica clara a relação profunda de James Cameron com a tecnologia. O exemplo mais claro é em Avatar, mas em Expedition: Bismarck, o diretor fez a reconstrução digital do momento em que o barco afundou. Para The Secret of Whales, ele diz ter preparado alguns equipamentos para conseguir gravar em um ambiente tão instável e escuro que é o oceano. Porém, ele admite que ficou concentrado na criação do storytelling da minissérie pois os equipamentos da National Geographic eram mais preparados e menos intrusivos para que as imagens dos animais fossem feitas sem os incomodá-los.

Porém, o diretor teceu uma crítica a falta de tecnologia para estudar o oceano, como o satélite funciona para medir as variações de temperatura, frequências sísmicas e outros fatores. “É necessário usar Inteligência Artificial e machine learning para fazer pequenos veículos circularem pelos oceanos. Temos que fazer esse monitoramento para o bem da saúde dos animais e para entender os impactos que nossas sugestões de civilização têm”, pontuou.

Paixão e cuidado
Já em Mission Blue, a produção também se relaciona com questões ambientais e de preservação. “Não vamos proteger o que não amamos e o meu objetivo é tornar as pessoas mais apaixonadas por esses animais e, quem sabe, podemos protegê-los”, afirmou durante o painel do SXSW sobre a produção de The Secret of Whales.

Ambos Skerry e Cameron compartilharam sua visão sobre o impacto prejudicial dos avanços da humanidade sobre os oceanos. De acordo com Skerry, durante as gravações para a minissérie, ele observou um grupo de baleias que normalmente dão a luz aos seus filhos em um canal mais quente ter que se afastar pela presença de dois barcos pequenos na região. Anteriormente, o canal era menor e, com o aquecimento global, foi aumentando, o que possibilitou o trânsito de embarcações na região. “Eles são animais acústicos, então ouviram os barcos e isso fez com que 700 baleias saíssem e voltassem somente uma semana depois”, descreveu. Outra situação que o fotógrafo presenciou foi o funeral de uma orca bebê sendo carregada por sua mãe. Segundo o pesquisador, bebês orcas estão em maior risco de não sobreviver por conta das toxinas químicas que são absorvidas pela placenta da mãe.

“Criamos auras de estresse sob esses animais. Eles estão sendo envenenados e ensurdecidos por nós. É o inevitável pelo avanços técnicos da humanidade. Eles estão no começo da extinção e ainda não entendemos esses animais. Tudo isso são coisas que podemos resolver, mesmo se moramos há quilômetros de distância do mar com atitudes. Eles tem um cérebro muito maior que nós e quem pode dizer que só porque eles não constroem casas ou smartphones eles não são inteligentes? Há baleias atacando navios. Será que eles estão bravos? Porque não queremos que eles fiquem, eles são enormes. Mas se eu fosse um deles, eu ficaria irritado”, argumentou Cameron.

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