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Edu Simon: “Tecnologia, dados e criatividade vão transformar a comunicação”

Para o CEO da agência Galeria, ao contrário das premiações, que olham para trás, o SXSW atrai pelo olhar no futuro e por desafiar o pensamento atual

Roseani Rocha
17 de março de 2022 - 7h17

Para Simon, festival colabora com o pensar e fazer além (Crédito: Divulgação)

Com menos de um ano em atividade, a Galeria, fundada por Eduardo Simon, Rafael Urenha, Paulo Ilha e Pedro Cruz, chegou ao mercado – ou se desmembrou de grupos internacionais – já forte. Em seis meses, a agência tinha 12 clientes, como ressalta na entrevista a seguir Edu Simon, que desempenha o papel de CEO – e vale acrescentar que entre esses clientes estão pesos-pesados, como Itaú, McDonald’s e Natura. Apesar dessa força, consideram ainda estar em momento de consolidação no mercado, o que não impediu que Simon deixasse o Brasil por alguns dias para estar em Austin e acompanhar os debates do SXSW, na retomada presencial do evento. Para ele, diferentemente de festivais de premiação, que olham para o que já foi feito, um como o SXSW é atrativo por lançar o olhar para o futuro, além de desafiar a mentalidade atual. Ele explica essa e outras motivações na entrevista a seguir.

Meio & Mensagem – Ninguém da Galeria em princípio viria ao SXSW. O que é tão relevante aqui que fez vocês mudarem de ideia?

Eduardo Simon – A Galeria nasceu da inquietude. Em seis meses de vida, somamos 12 clientes, quase 300 colaboradores e a liderança no ranking de novos negócios entre as agências de publicidade do país. Temos um espírito de startup, e a convicção de que tecnologia, dados e criatividade vão transformar o mercado de comunicação nos próximos anos. SXSW nos permite ouvir e participar das conversas mais interessantes a respeito destas transformações.

M&M – Enquanto o Cannes Lions parece ser território das agências, o SXSW é muito mais amplo, quanto a temas e ao perfil de empresas que atrai. De que formas este festival contribui com o trabalho publicitário?

Simon – Os festivais de premiação olham para trás. Para o que foi feito. Aqui, se discute o que vem por aí. Das tendências sociais ao planejamento tecnológico, o SXSW atravessa o trabalho publicitário de ponta a ponta. Os debates trazem inspiração, apresentam inovações, problematizam conceitos. Na contramão de respostas prontas, as tracks, os summits e todo o papo que se desdobra do lado de fora do festival fomentam a reflexão e o mergulho no cerne dos acontecimentos contemporâneos, sem se restringir às demandas prévias, mas descortinando novas possibilidades – sejam tecnologias, pulsões criativas, pontos de vista. Contribui com o mercado da propaganda na medida em que desafia nossa mentalidade atual, abrindo novas possibilidades amparadas por dados e tecnologia. Daí a importância de sua variedade e amplitude. Afinal, não nos interessa debater apenas o trabalho publicitário. Queremos ir além para pensar além – e fazer além.

M&M – Num movimento arrojado, você criou uma agência nacional. Qual o peso para vocês, de beber numa fonte global de informação como essa, considerando essa característica da Galeria? É mais importante do que para agências dentro de grandes redes, que já estão de certa forma trocando experiências globalmente todo tempo?

Simon – Ser nacionais não nos faz bairristas. Muito pelo contrário, aliás: com a velocidade em que as informações trafegam e o acesso que temos às ferramentas e pesquisas globais, não pertencer a um grande grupo nos dá mais flexibilidade e autonomia para reinvestir no negócio, em pesquisas, ferramentas de dados e tecnologias de automação que elevem nossas operações a outro patamar de excelência e embasem uma visão estratégica assertiva. Antes, em um grupo internacional, nossas decisões se submetiam a decisores externos, nem sempre alinhados às necessidades locais do mercado e dos clientes. Isso mudou completamente. Descentralizamos a fim de renovar. O mercado pedia isso.

M&M – Já ouvimos muitos debates sobre o quanto as empresas estão tendo de adaptar suas equipes a novas tecnologias e por um tempo, parecia que as agências estavam atrás e sendo cobradas pelos clientes. Hoje, qual é a situação? Estão mais adiantadas ou, no fundo, ainda está todo mundo tentando descobrir para onde vão determinadas tecnologias?

Simon – Na Galeria, dados e tecnologia não atuam como uma fonte isolada para mudanças macro, e sim como o tecido conjuntivo dos nossos negócios. São a base para pensarmos tendências, transformarmos criatividade em talkability e direcionarmos a comunicação às necessidades reais contemporâneas. Entre nós, o desafio não é adaptar equipes às novas tecnologias – talvez diferentemente do que ocorre no restante do mercado. Isso porque o impacto disruptivo e o desenvolvimento tecnológico dão o tom no dia a dia: permeiam nossa forma de trabalhar e nos ajudam a ser cada vez mais multidisciplinares.

M&M – Nas conferências, o SXSW parece estar muito dividido entre toda uma pauta tecnológica (metaverso, NFTs, blockchain etc.) e outra frente menos digital e mais humana, em tracks como civic engagement e climate change. Em torno de quais delas os clientes de vocês têm demandado mais ações?

Simon – Em ambas. Estamos interessados tanto em assuntos mais complexos como 5G, metaverso, mídia sintéticas e ambientes descentralizados, como a tecnologia do blockchain, não apenas para ajudar a simplificar seu entendimento de maneira tangível e conectada para o consumidor, mas também porque essas inovações ajudarão a lançar novas tendências significativas para a nossa sociedade que nos ajudam presentemente a moldar os rumos da publicidade.

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