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Problemas catastróficos pedem medidas complexas

Neal Stephenson apontou soluções para impactos de mudanças climáticas com base em seu novo romance Termination Shock, além de discorrer sobre a temática do metaverso

Giovana Oréfice
17 de março de 2022 - 10h27

Neal Stephenson afirma que mudanças urgentes são necessárias (Crédito: Giovana Oréfice)

A jornada de um bilionário texano em busca de soluções para resolver uma das grandes questões do século atual cai como uma luva como pauta de discussões no South by Southwest. Longe de ser algo real, a história é de autoria de Neal Stephenson, escritor norte-americano conhecido por suas obras de ficção científica e por ter sido a primeira pessoa a cunhar o termo “metaverso”, em 1962, em um de seus livros.

Ainda que um romance, Termination Shock é um exemplo claro do que o planeta está passando e ainda deve encarar nos próximos anos. “Temos as consequências das mudanças climáticas afetando pessoas em todo o mundo e há muito conflito sobre o que fazer”, declarou o autor durante painel no SXSW. “O livro fala sobre fazer algo em um curto prazo, como colocar um band aid como forma de solução temporária, que é a engenharia geosolar”, contou. Segundo ele, a solução para o problema do aquecimento global é a extração de dióxido de carbono da atmosfera em larga escala. 

Stephenson ainda desconstruiu a ideia de que, quando pensamos em milionários, logo nos vem à mente personalidades como Jeff Bezos e Elon Musk. “Há muitos bilionários dos quais nunca ouvimos falar e muitos deles em muitas partes do mundo sofrerão os efeitos das mudanças climáticas muito mais severamente do que os Estados Unidos, em lugares com áreas baixas onde o aumento do nível do mar vai ser devastador, como os lugares quentes, muito suscetíveis a esse tipo de desastre”, apontou.

Visto quase como um problema de segurança nacional, com consequências mais severas do que uma guerra — endereça Stephenson –, a luta contra mudanças climáticas talvez seja o maior projeto de engenharia da história humana, com enormes complexos industriais (diferentes dos que conhecemos atualmente), para capturar o carbono da atmosfera e, com esperança, fazer com que os níveis voltem ao normal — e essa não parece, de acordo com o autor, ser uma concepção de tudo distópica. 

“Precisamos direcionar alguns de nossos talentos de engenharia nessa direção”, afirmou. “Estou começando a ver que alguns tipos de techs, investidores de tecnologia e assim por diante, que dez ou 20 anos atrás estariam focados apenas em coisas da internet ou outros tipos de projetos de tecnologia, voltando sua atenção para o carbono. Ainda é pequeno, mas parece estar crescendo”, disse sobre a movimentação de companhias para que o problema seja sanado. 

Em seu discurso, o romancista ressaltou que, ainda que a sociedade esteja tomando medidas, como plantar árvores para que façam o trabalho de sequestrar o carbono da atmosfera, seria preciso uma vasta área de árvores plantadas, uma vez que o mundo convive com uma quantidade gigantesca do gás causando os problemas atuais.

Apesar disso, medidas tomadas hoje já parecem estar tendo efeitos, mesmo que lentos. Nesse sentido, Stephenson citou os esforços de países comprometendo-se em atingir a neutralidade de carbono, como a China, que até 2060, se comprometeu em alcançar o feito de emitir a mesma quantidade de CO2 na atmosfera que será retirada, das mais diversas formas. 

Ao abrir a parte final da palestra para perguntas, o mediador apontou que muitas, inevitavelmente, abordavam o metaverso. “Tenho visto pessoas no mundo da tecnologia usando isso por um tempo e o que aconteceu no final do ano passado é que ele se espalhou muito rapidamente, muito de repente, por causa de uma série de anúncios”, apontou, referindo-se ao termo como a “palavra da moda”. 

Ele ainda questiona sobre como as empresas estão ganhando dinheiro com o metaverso. “Se eles estão ganhando dinheiro vendendo seus cliques e seu engajamento, do jeito que as empresas de mídia social fazem, então você pode esperar muito mais do que já recebemos das mídias sociais com todos os impactos concomitantes em nossa política”, alertou.

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