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Tendências 2020 e momento #FicaADica do Bernie Sanders

Participei de keynote “The Anatomy of a Trend”, conduzido pela Managing Director da WGSN Carla Buzasi, e entrevista com Bernie Sanders, senador americano e candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais


13 de março de 2018 - 15h42

Uma das grandes vantagens de vir ao SXSW pela segunda vez é que você diminui suas expectativas em relação ao conteúdo que vai assistir e, ao se cobrar menos para tentar ver todas as palestras e painéis possíveis, consequentemente, você se frustra menos e se surpreende mais.

Aquilo que consegui ver no primeiro dia me surpreendeu mais pela reflexão que causou em mim do que necessariamente pelo ineditismo do conteúdo.

Começando pelo keynote “The Anatomy of a Trend”, conduzido pela Managing Director da WGSN, Carla Buzasi.
Carla falou um pouco sobre a metodologia da WGSN para mapear tendências, um misto de Arte + Ciência, e de como uma micro tendência por vezes, na verdade, representa uma macro tendência.

Usou como exemplo a onda dos food-trucks, que foram uma micro tendência, um sintoma, da macro tendência “artesanal”: refletida pela onda de cafés, moda e cervejas artesanais, por exemplo, além do desejo crescente por experiências únicas e customizadas das pessoas.

A micro tendência food-truck antecipou e sinalizou a chegada da macro tendência “artesanal”.

Encerrou seu discurso com três “Tendências 2020” mapeadas pela WGSN, são elas:
– “New Majority”: nos EUA, por exemplo, caucasianos serão uma minoria, o que já está afetando drasticamente a cultura, costumes, religião e perfil de consumo da população norte americana;
– “5G”: como essa tecnologia vai acelerar o m-commerce e como as marcas e varejos com baixa maturidade mobile irão sofrer com isso;
– “Sharing Economy”: aqui não é necessariamente uma tendência, pois esse termo já foi bem explorado e até desgastado, mas o ponto dela era sobre como o modelo peer 2 peer vai continuar afetando indústrias tradicionais que se achavam consolidadas, como bancos e governos.

Outro destaque do dia foi a tão esperada entrevista com Bernie Sanders, senador americano e candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais, que foi sabatinado por Jake Tapper, âncora e correspondente da CNN.

A entrevista, na verdade, foi um momento de campanha eleitoral de Bernie (ele mesmo deixou claro várias vezes que, sim, estava no Texas fazendo campanha).

Fora os momentos divertidos de alfinetadas e ironias entre os dois, lembrando muito episódios de House of Cards, algo que marcou do discurso de Bernie foi o modo padrão de fazer campanha aqui nos EUA, que nada difere do Brasil, e que ele classifica como “opposition research”.

Basicamente é mapear o passado dos opositores, de suas famílias e seus aliados para, então, fazer uma campanha baseada em desconstrução e difamação.

Não se discute ideias, apenas se ataca o oponente (nada que não tenhamos visto nas últimas eleições no Brasil e que, certamente, irá se repetir no segundo semestre desse ano).

Porém, meu ponto aqui não é o conceito de “opposition research” na política, isso é o modus operandi naquele meio e não tem prognóstico de mudar, o que mais ficou na minha cabeça é o fato de que nós, profissionais do marketing e comunicação, batemos palma e concordamos com Bernie quando ele condena esse tipo de comportamento, mas, na verdade, em nosso dia a dia, fazemos o mesmo de forma velada: gastamos grande parte de nosso tempo culpando nossos pares, equipes, chefes e clientes pelos problemas, e não discutindo ideias e formas de fazer um trabalho mais relevante e disruptivo.

Fica a dica do Bernie: menos “opposition research” em nossas vidas.

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