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Não morremos de monotonia nem de monotemática

Segundo dia do evento foi marcado por amplitude de temas que nos desafiam a pensar nos futuros possíveis


18 de março de 2021 - 18h38

Com a mudança de dinâmica e temáticas voltadas aos momentos atuais, era esperado que nos orientássemos mais acerca de temas que são mais próximos a nós, mas a grande delícia de um festival assim é a capacidade de nos desafiarmos e buscar conhecimento em mares não antes navegados. O segundo dia de SXSW 2021 foi daqueles que nos incentivam a isso.

Na programação, chamava atenção o talk entre Yuval Harari e Mayim Bialik. Harari que se tornou best seller com “Sapien, Homo Deus”, e vem sendo o grande pensador desta pandemia, e Mayim, que para grande maioria é a Amy, namorada do Sheldon em “The Big Bang Theory”, onde interpreta o que é na vida real, uma neurocientista.

A conversa foi surpreendente e levou Harari a transitar por suas teorias, mas com abordagens bastante interessantes. A análise de que a AIDS não acabou com o sexo, assim como a Covid-19 não acabará com os abraços, simplifica o nosso medo de mudanças.

(crédito: Fábio Lucas/ Unsplash)

Passado e presente
Como um designer de futuros, me chamou a atenção a observação de Harari de que revoluções que buscam mudar muitas coisas muito rápido são geralmente um desastre, e isso é respaldado na história, o que nos leva ao medo de inovar: tema que dava nome a essa conversa. Logicamente, “não existe uma única tecnologia no mundo que não tenha um lado ruim”. Isso não significa que temos que acabar com a tecnologia, mas sim temos que acabar com a nossa ingenuidade e estarmos preparados para estes mau usos.

Eles seguem na tese de que muito disso vem do contexto social em que vivemos, onde acreditamos em tudo que nos dizem e as fakes news usam nossas fraquezas contra nós. Para isso, o mesmo algoritmo que identifica nossas preferências deveria nos alertar quando estão usando esse tema para “implantar em nossa cabeça essas verdades como querem”, atuando como uma espécie de antivírus cerebral.

Porém, as fake news não são um problema da sociedade moderna apenas: todo o nosso repertório científico, religioso, histórico é repleto de verdade dos outros, que muito provavelmente são fake news de alguma maneira. Nossa sociedade foi moldada assim.

Perdemos a capacidade de ter nuances. A ciência é a aproximação da verdade, mas ao lado dessa verdade, temos que contar histórias. Informação não é conhecimento. Pensamento crítico se torna crucial no mundo que não para de mudar. É preciso aproximar a ciência da sociedade, e storytelling é um bom caminho!

E concluiu que nós somos a geração mais preparada para lidar com essa pandemia, e se não conseguimos resolver isso agora será por um fracasso político ou por falta de sabedoria.

Futuro
Saltando para outro tema, chegamos à China de 2025: um projeto desenvolvido em 2018 pelo Governo chinês como desenho de um cenário futuro onde eles lideram, pelo menos, cinco tecnologias emergentes. Entre elas estão: reconhecimento facial, de fala, cidades inteligentes, transporte autônomo e visão computacional na medicina.

Estamos em 2021 e tudo caminha bem para esse plano, onde em cada um destes segmentos temos um player chinês liderando a conversa, e tendo o Governo chinês incentivando essas iniciativas, além de um grande aliado desta conquista chinesa, que é o design. Ou seja, o design ocidental que sempre ditou as regras vê agora o design oriental, aliado à tecnologia e à cultura, tomando as rédeas da conversa sobre futuros. Isso vemos na prática, na concepção e usabilidade (UX) dos superapps como por exemplo o WeChat, que concentra toda a jornada de consumo em um único lugar.

Tendência
Por fim, por que não falarmos sobre sexo? Porque isso sempre foi tratado com tabu, um estigma social e até mesmo uma vergonha pessoal. Porém Bryony Cole tem investigado como a indústria de sextech tem crescido e ajudado a eliminar o tabu. Tendo a tecnologia como ferramenta para maior abertura de humanos, como eu e você, terem conversas sobre sexualidade, mostrando que isso não é tão distópico.

É preciso compreender que sextech não são apenas robôs, e também serve para educar! Sextech está em todo lugar e no meio de todos nós, pois a expressão sexual é muito mais do que apenas um orgasmo, apenas fazer sexo ou expressão sexual. Somos nós andando na rua, é como nos movemos no mundo, como ressalta Bryone.

Como tudo neste mundo, a comunicação e as marcas têm um papel importante neste contexto, basta abrir nossa loja de aplicativos para encontrar diversos apps que nos ajudam, assim como temáticas presentes em Sex in the City, 50 Shades of Grey, Grace & Frankie — onde o prazer sexual das mulheres é apresentado como estranho ou até mesmo engraçado. O humor é ótimo para quebrar o gelo no sexo.

Seguimos em frente neste mergulho na especulação de futuros possíveis na esperança de redefinirmos o nosso amanhã, que é muito mais complexo do que nossas especialidades. É sobre nosso contexto como humanos e o mundo onde estamos inseridos.

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