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Enquanto isso no mundo encantado da Finlândia

O maior desafio para a humanidade e que os finlandeses parecem já ter incorporado em seu dia a dia: “don't use more than you grow”


22 de março de 2021 - 13h59

Supercell Gaming Company Headquarters feita em madeira com técnicas inovadoras (Crédito: Reprodução)

A Covid-19 se mostrou um adversário muito mais complexo do que imaginamos. Seu combate foi mudando de forma e, muito embora, as vacinas estejam aí, os desafios são monumentais e as incertezas permanecem. A pandemia tomou de assalto nossas mentes e monopolizou a lista das prioridades e emergências humanas. No entanto, sabemos (e os cientistas têm nos alertado por décadas) que há desafios maiores pela frente, a considerar o aquecimento global e as mudanças climáticas.

Em bom português, significa que nós precisamos parar de queimar coisas. No SXSW 2021, um painel tímido, chamado Innovative Wood: Taking on Climate Change, começa com o ministro das relações exteriores finlandês, Ville Skinnari, dizendo que a Finlândia quer se tornar líder global em sustentabilidade. O país, cercado por lagos e lindas florestas, que parecem saídas de um verdadeiro conto de fadas, investiu pesado em pesquisa, educação e infra-estrutura e tem como objetivo, mudar o jogo, e se tornar climate neutral até 2035.

Um dos pontos de partida é a inovação no mercado da madeira. Conceitualmente, “quase tudo que é feito de petróleo pode ser feito em madeira e fibra”, dizem. Já podem construir arranha-céus, pintar casas, fazer roupas, embalagens e medicamentos. Componentes da madeira já são utilizados em pneus, cosméticos, alimentos e detergentes. A ideia finlandesa é substituir componentes químicos por green sustainable wood driven chemichals. Um dos projetos inclui até a produção de satélites feitos em madeira (imagina essa nova abordagem para os filmes futuristas de ficção científica).

Enfim, cientistas são pessoas realmente interessantes, curiosas e teimosas. Precisam buscar respostas originais, diante dos mais diferentes desafios, e mudar os paradigmas o tempo todo. Por isso, impressiona a abordagem de inovação em um mercado tão comum, como o da madeira. A revolução verde é urgente, mas não irá acontecer de uma hora para outra. Uma cientista finlandesa aponta: “cleaner and greener is a team effort”. Ou seja, a Finlândia, este país encantado com uma primeira-ministra mulher, feminista e ambientalista, sabe que não adianta nada ser a única bioeconomia mundial. É preciso estabelecer parcerias internacionais, planos de cooperação entre os países, políticas efetivas e ganhar escala global. Será uma questão crucia l, da qual não poderemos fugir.

O Brasil, infelizmente, parece estar do outro lado dessa moeda. Ganhamos as manchetes internacionais com imagens chocantes de extensas queimadas em nossas florestas, ao mesmo tempo, que vimos uma enorme pressão de alguns setores para o afrouxamento das leis ambientais e disseminação surreal de discursos negacionistas. Aqui, o buraco é mais embaixo.

No entanto, será preciso um esforço conjunto. As empresas não vão poder mais criar roupagens superficiais de engajamento ambiental. Um selo “green” não será mais suficiente. O compromisso de todos deverá ser genuíno e, no momento que discutimos o papel social das empresas, acredito que o consumidor irá cobrar por este compromisso. Não irá adiantar fazer filme institucional, com pôr-do-sol, gente feliz e discurso ufanista. Exemplo disso, é que o produto brasileiro já começa a ser visto com muita desconfiança pelos mercados internacionais. O compromisso também passa pela transparência.

Por fim, o maior desafio para a humanidade e que os finlandeses parecem já ter incorporado em seu dia a dia: “don’t use more than you grow”.

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