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Não-conformidade de gênero e a luta pela preservação de vidas

Alok Vaid-Menon, escritor e artista americano com não-conformidade de gênero, e Demi Lovato, cantora, atriz, produtora e escritora de best-sellers tiveram uma emocionante conversa no painel “Além da Binariedade de Gênero” no quarto dia do SXSW 2021 Online


22 de março de 2021 - 14h38

(crédito: 42 North/Pexels)

Alok Vaid-Menon, escritor e artista americano com não-conformidade de gênero, reconhecido internacionalmente como uma das importantes vozes contra a definição binária de gênero e a superstar Demi Lovato, cantora, atriz, produtora e escritora de best-sellers tiveram uma emocionante conversa no painel “Além da Binariedade de Gênero” no quarto dia do SXSW 2021 Online.

Eu já havia tido a oportunidade de ver outro painel com Alok no final do ano passado e fiquei fascinado com sua forma clara e didática de expor a questão, ao mesmo tempo que empática e acolhedora. Para alguém que vive de comunicação há 22 anos, como eu, ver pessoas que se comunicam de forma tão boa e potente é sempre muito inspirador. Alok diz que a binariedade de gênero é como se você de repente dissesse que não podem mais haver cores no mundo, além de duas apenas, escolhidas arbitrariamente por alguma instituição e impostas a todas as pessoas do mundo. Todo o colorido e belo do mundo deixaria de existir. Ele afirma que isso não é algo biologicamente natural, mas sim uma imposição social.

O pior, no entanto, é que essa binariedade causa terríveis danos físicos e mentais a muitas pessoas. Segundo Alok, há neste momento nos EUA vinte pautas contra a liberdade de gênero sendo votadas em diferentes estados e, ao mesmo tempo, 2020 foi o ano com os maiores índices de violência contra transgêneros e transexuais no país e 2021 já começou com sete assassinatos de pessoas trans em dois meses.

No Brasil infelizmente a situação é ainda pior. O país é o líder mundial nesta triste estatística. Essa violência e, de forma geral, a intolerância da sociedade a pessoas com não-conformidade de gênero, é o que quase sempre inibe as pessoas a se expressarem livremente de acordo com as suas escolhas relacionadas a gênero, o que causa danos psicológicos nestas pessoas, que se sentem reprimidas e discriminadas e, no extremo, leva ao suicídio.

Alok conta como, durante muito tempo, lutava internamente com ter que fazer a escolha de se vestir e expressar livremente como desejava e então correr risco de represália física ou se auto reprimir nesta expressão, se vestir de acordo aos anseios e predefinições da sociedade e, com isso, se machucar mentalmente, o que lhe trazia infelicidade. Ele, então, escolheu o primeiro caminho. Decidiu que não iria ser ele a pessoa a se machucar. Ele prega o amor-próprio como ferramenta para a empatia e o amor ao próximo, à aceitação e à tolerância.

Demi Lovato se tornou, muito cedo, uma figura pública de sucesso e, enquanto mulher, um ícone sexual. Ela viveu durante muitos anos sob essa condição imposta pela indústria e pela audiência à sua pessoa. Um papel no qual ela nunca se sentiu confortável e que a fazia sofrer. Ela conta como a amizade cultivada com Alok nos últimos anos a ajudou a entender melhor suas prioridades, seu verdadeiro ser e a forma com a qual prefere se expressar.

No ano passado, em meio à pandemia da Covid-19, ela decidiu cortar o seu longo cabelo, símbolo de uma feminilidade imposta, para adotar um novo penteado moderno, com cabelo curto e colorido. Demi, que é também uma das maiores influenciadoras digitais do mundo, com mais de 108 milhões de seguidores em suas redes sociais, conta como recebeu críticas e elogios e que buscou ignorar os primeiros e se fortalecer com os segundos. Contudo, a mudança mais importante se produziu em seu ativismo sobre o tema. Muito por conta das longas conversas com Alok, ela passou a adotar uma clara postura ativista de conscientização sobre o assunto da não-conformidade de gênero e usa diariamente sua conta no Instagram para postar conteúdos que buscam ajudar neste processo.

Ela entendeu o poder de influência que tem e a importância de usá-lo em benefício dessa causa. Ela incentiva a todos a fazê-lo também. Aos amigos que lhe perguntam constantemente como podem ajudar, ela diz: “assumam uma postura pública de defesa da causa de não-binariedade de gênero, divulguem conteúdos, engajem-se com o assunto e, se não souberem por onde começar, simplesmente repliquem os meus posts.” À audiência de sua cativante conversa com Alok, ela pede que passe a mensagem adiante, que conte a história para outras pessoas. Foi a chamada à qual atendi quando resolvi escrever esse artigo.

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