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O meu guia para montar sua programação online do SXSW 22 sem dar gatilho

Se tem uma boa hora pra falar de inovação é hoje, enquanto sambamos entre o desastre climático, uma pandemia e a terceira guerra mundial. Eu não ia deixar que tudo isso, mais doomscrolling, fadiga de decisões, cansaço de telas e 1 milhão de opções me impedissem de montar uma programação incrível pra esse South by


10 de março de 2022 - 17h22

Crédito: Shutterstock

Montar sua própria programação do que acompanhar no SXSW é uma experiência emocionalmente desgastante. Passamos os últimos anos com nosso leque de escolhas sendo cada vez mais diminuído. A maior parte do tempo era entre ir ao supermercado ou pedir pelo app. Qual tipo de fermentação vou tentar nesse pão caseiro? Até a Netflix teve que adicionar um botão de play aleatório, por que não temos mais a capacidade de decidir nada. Mesmo quando tinha opções, como entre Pfizer, Janssen, AstraZeneca, Coronavac & afins, decidi que eu não iria decidir por nenhuma delas. #VIVAoSUS

São milhares de itens na programação do SXSW. Encarar tantas opções é para muita gente um gatilho de ansiedade pronto pra disparar. Você vai passando pela lista, todos os assuntos mais quentes, pessoas interessantes, uma atrás da outra. O scroll vai rolando, mas, quando você olha pra barrinha no lado do navegador, ela nem se mexeu. É coisa demais, eu sei, você sabe. A sensação é uma mistura explosiva de FOMO e JOMO que minha psicóloga chama de “azedinho-doce da decisão”.

Pra ajudar você (na verdade, me ajudar) a organizar isso sem envolver um Rivotril no processo, montei, com conselhos de especialistas – que tiveram suas identidades preservadas pra proteger caixas de DM da sua dúvida existencial entre NFTs e Stream Wars –, esse guia em sete passos pra montar uma programação do SXSW 22, que você talvez até chegue a acompanhar.

1 – Descubra o que interessa a você. O primeiro impulso é ver tudo. Ou um pouco de tudo. Você está armando uma armadilha pra você mesmo. Outro dia perguntei a uma amiga se ela iria acompanhar o South by. Ela não tinha a menor ideia do que era. Fui superanimado explicando sobre o clima e o lugar e as pessoas etc. “Cara, você nem vai pra lá. Tá parecendo curso online pra mim”. É um ponto de vista. Sobre o que você quer aprender? Pode ser sobre um território, um assunto, um mindset, qualquer coisa. Refine o tema. Edite, edite, edite.

2 – O que é imperdível? Com certeza algumas das coisas na lista, só de bater o olho, você já sabe que não vai sobreviver se não assistir. Pra mim foram: o lançamento do trends report da Amy Webb, o debate sobre desinformação + advertising com as criadoras do Sleeping Giants, a sessão de previsões provocativas de business & tech com Professor G, e por fim o keynote com o criado r da minha teoria da conspiração favorita: “Birds Aren’t Real”. Vá primeiro nelas e marque com a estrela pra não passar batido.

3 – Lembre-se: sua primeira lista não é a final. “Agora sai marcando tudo o que chama sua atenção. Ponha a estrelinha, nem sonhe em parar pra dar um Google pra saber quem é esse cientista sueco de qu em você nunca ouviu falar. Se fizer isso, vai ficar o dia inteiro, bro.” A ideia do meu conselheiro aqui é diminuir a quantidade de opções e chegar a um tamanho possível de trabalhar.

4 – Elimine os bullshitters. Agora começa a dar um pouco mais de trabalho, mas o rush de serotonina por se safar de uma hora de papo furado vale muito a pena. Os títulos de várias das palestras que você escolheu são ótimos. Mas uns enganam. Prometer discutir em profundidade a desinformação e os perigos à democracia em um one-on-one com um deputado estadunidense, do comitê de inteligência do Congresso, é wishful thinking. Outro promete discutir o futuro do noticiário na era atual. Aí traz cinco jornalistas da mesma emissora de TV, num debate mediado por mais uma da mesma emissora. Bye-bye!

5 – Sua lista está ficando menor e você ficando mais confiante. “Vai ser demais, vou conseguir ver tudo, #SomosTodosSXSW”. Calma cowboy. Agora você vai ter que ver como tudo isso ficou no calendário. Baixa o arquivo ICal alí no menu debaixo do seu nome, ou no nome de quem te emprestou o login. Se você usa Ical no trabalho, parabéns. Mas acho que não, né? Agora importa o Ical pro seu Google C alendar (tbm rola no Microsoft). Seu schedule vai ser recheado com um monte de coisas. Encavalou tudo? #TamoJunto. Eu consegui chegar a ter 6 eventos ao mesmo tempo. Quantos você teve?

6 – Varre, varre, vassourinha. Não tem jeito, tem que limpar isso aí. É a hora de voltar no primeiro passo e lembrar o que você quer mesmo. Tem aquele keynote do Beck que parece legal, mas quantas músicas dele você lembra? Pois é, nenhuma. Adiós. Volte agora pro passo 3. Os imperdíveis são imperdíve is, limpe o que tá ao redor deles. Sobrou pouca coisa encavalada. Em alguns casos, você não sabe qual apagar porque as duas são sem sal. “Tira as duas, mano, vai chegar na hora vc nem vai ver, sai fora dessa roubada já”, me disse um expert. Fui na dele.

7 – Tá tudo aí, um schedule que parece um Tetris. Lindo, organizado, pronto. Sei o que você tá pensando. E o trabalho? E o deck? E o prazo? Bom, lembra de Tóquio 2020 (2021)? Você deu um jeito de torcer pra Fadinha às 4 da manhã; conseguiu xingar, depois torcer, depois xingar de novo o Medina no surfe, cantou “Baile de Favela” virado numa terça-feira de manhã, gritou Rosamaríííííía por noites a fio. Essa você tira de letra 😉

Compartilhe esse texto no Twitter com as suas dicas do que ver no SXSW. Valeu!

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