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Sem perder o ritmo

IA e o futuro do potencial humano criativo


14 de março de 2022 - 11h58

Crédito: Shuttestock

Um bate papo entre Domhnaill Hernon e Edwina Fitzmaurice, ambos da Ernst & Young, e Harry Yeff, tecnólogo criativo da Reeps100, abordou a falsa narrativa de que o Machine Learning (ML) e a Inteligência Artificial (IA) são desenvolvidos para substituir o humano nas corporações. Com muito do conteúdo da SXSW voltado para o mercado de entretenimento, eles trouxeram exemplos reais onde a tecnologia é usada para potencializar a criatividade humana.

Um case abordado por Hernon fala do uso de IA para sugestão de novas coreografias a partir da análise de centenas de espetáculos de dança. Os movimentos geram um banco de dados preciso, do qual você pode criar novos movimentos nunca antes pensados. 

O case de Hernon, entre tantos outros apresentados, evidencia que a IA não tem como objetivo ser usada em substituição ao humano, mas como ferramenta do processo criativo.  A IA melhorou a criatividade humana e consegue unir arte e tecnologia para oferecer o melhor da humanidade com o melhor da tecnologia. Ela é capaz de trazer perspectivas nunca antes pensadas e executadas, o que verdadeiramente potencializa a originalidade do artista. É um impulso ao desbloqueio do potencial humano em escala. Escala essa tão necessária para acompanhar a tecnologia e que tem sido implantada nas corporações como um todo de forma massiva.

Como já estamos acostumados, “Human  Centric Innovation and Product Design”, foi o assunto abordado na palestra, sempre trazendo a perspectiva da importância em manter a narrativa humana em todos os desenvolvimentos. A lacuna no entendimento do objetivo da tecnologia precisa ser desmistificada. Ela vai, sim, nos deixar desconfortáveis, mas isso nos estimula a fazer mais e melhor. Todos estamos procurando algo diferente, a disrupção está no nosso dia a dia e IA pode nos trazer os insights necessários para impulsionar nossa capacidade inventiva. 

Os humanos têm conhecimento, compreensão e sabedoria que máquinas e algoritmos não têm e precisamos aproveitar esse conhecimento para criar mais valor para a sociedade.Tecnologia é um serviço à nossa disposição. 

Harry Yaeff, artista de beatbox mais conhecido como Reeps One, trouxe detalhes do seu projeto “Second Self”, onde ele usou IA para criar um avatar gêmeo com sua própria voz (espero ter conseguido explicar aqui, mas faz um Google para ouvir suas músicas e entender melhor do que estou falando). Yaeff apresentou as razões pelas quais decidiu investir no projeto e sua avaliação do resultado. Assim como detalhes do processo como um todo, diz que conseguia conversar com a tecnologia usada e falou da surpresa em ver como seus padrões são seguidos à risca pela IA. Ele abordou muito bem uma relação íntima, e como entende que produziu um trabalho tão próximo de sua essência que chega a pensar nele como espiritual, mesmo oriundo de uma máquina.

Outro ângulo sobre o relacionamento IA e Arte é a forma como a conexão é feita na via contrária. Hoje, artistas são contratados para auxiliar a IA a apresentar um mundo mais agradável ao usuário. A palestra apresentou um exemplo onde uma artista que cria obras visuais de ambientes físicos com diferentes texturas que despertam os sentidos, foi contratada para consultoria de ambientes virtuais, no objetivo de despertar sensações no usuário. Seja no mundo real ou no virtual, queremos ter sentimentos. Não queremos estar no metaverso e não sentir nada.

Entrando no assunto metaverso, Fitzmaurice trouxe o exemplo do mercado fashion. Hoje temos tecnologia de escaneamento do corpo já muito acuradas que nos permite provar roupas com precisão. Mas, o que usuário sente ao provar essas roupas no seu avatar? Como trazer a textura para essa prova? Como melhorar o CX ao ponto de despertar uma percepção positiva? Precisamos trazer os artistas para esse espaço de contribuição, investir nesse conceito, nessa via de mão dupla.

Hernon foi muito assertivo ao explicar o medo, em sua opinião infundado, da IA. Ele falou sobre como o problema começa na palavra “Inteligência Artificial”, visto que inteligência é uma característica própria do ser humano e que, inclusive, o diferencia das espécies em geral. Hernon nos desafiou a imaginar um cérebro fora do corpo e perguntar a nós mesmos: qual seria a funcionalidade desse cérebro? A realidade é que não existe função alguma. O algoritmo não tem corpo, não tem sentidos, não tem experiência de vida, nem evolução biológica. Nesse ponto de vista não há chance alguma da IA superar nossas capacidades intelectuais e criativas. Mas pode, sim, realizar tarefas de forma mais rápida e precisa. 

Na minha opinião, não posso dizer que estejamos preparados, mas vejo um misto de ansiedade e medo em relação ao ponto que a IA pode substituir tarefas do cotidiano corporativo. Mas, com o conteúdo desse bate papo, ainda me surpreendi imensamente com o que a tecnologia pode fazer quanto ao processo criativo do ser humano. Fica claro que entendemos de relacionamentos, entre humanos, entre humanos e o ambiente que nos cerca, e entre humanos e máquinas, o que nos dá um tom criativo de escolha entre aquilo que a tecnologia sugere e o que realmente faz sentido. 

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