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Metaverso, multiverso e o universo da Cultura Digital

No SXSW as discussões sobre qual será o novo passo do universo digital tomam conta das palestras, painéis e workshops e provocam muitos questionamentos


17 de março de 2022 - 15h16

Crédito: Divulgação

Céu azul, sol de geladeira (aquele que ilumina, mas não esquenta) e a temperatura variando entre 12 e 26 graus de Austin nessa época do ano, já seriam suficientes para dar a aquela gostosa sensação de estar no lugar certo, na hora certa. Mas, quando pensamos que durante o período do SXSW todas as tendências em cultura, comportamento, inovação e universo digital se reúnem no mesmo Zip Code, a sensação se consolida na certeza de que tudo aqui é relevante para quem quer ser a mudança que quer ver no mundo.

Aqui o grande assunto tem sido os universos paralelos que a tecnologia digital nos oferece e a palavra que está onipresente é metaverso e seus efeitos práticos para pessoas e empresas. Claro que os questionamentos éticos também surgem em várias discussões, mas o metaverso e a vida no multiverso digital já é uma constatação. Vista como realidade palpável no nosso mundo, a questão agora é buscar como se posicionar diante da inevitável adesão ao metaverso.

Aliás, para os gamers esse assunto já está superado. Eles já vivem com outros nomes e avatares há décadas e certamente podem ser nossos guias nesta nova dimensão da vida e do mercado. Steven Spielberg usou o mundo gamer do futuro como tema do filme Jogador Número 1 (2018), que tem um roteiro de fantasia baseado em um estilo de vida que já existe e está consolidado e que traz uma grande verdade “só no mundo real que a gente consegue fazer uma refeição decente”. Acho que é a melhor metáfora para determinarmos os limites do universo digital porque deixa claro que ele tem, sim, seus limites e que eles são definidos pela própria natureza física das coisas.

A própria construção do evento SXSW deixa isso bem claro. Embora muitos eventos estejam sendo transmitidos digitalmente, a graça de estar aqui é sentir o ar frio nas bochechas a caminho de um local físico onde vamos ver, ao vivo, alguém compartilhando suas ideias. Especialmente quando essa pessoa é Amy Webb, fundadora do Future Today Institute e uma das mais badaladas “trend-spotters” do planeta. Suas apresentações são aguardadas com ansiedade porque, em vez de fazer futurologia delirante, ela apresenta visualizações estratégicas para o futuro que, em vez de serem previsões proféticas, indicam caminhos de preparação para que as empresas estejam aptas a competir em um cenário futuro que está tão perto que pode ser visto a olho nu. Segundo Amy, empresas que se dedicam a prever o futuro estrategicamente atingem 33% maior lucratividade e podem crescer até 200% mais rápido que seus competidores.

Boa parte das tendências que foram apontadas por ela e outros especialistas no festival falam sobre inteligência artificial, redes neurais, metaverso e toda essa maravilha tecnológica que me parece inevitável pensar na urgência de construirmos um mundo digital que não seja excludente. Até agora, o mundo digital vem se mostrando suficientemente inclusivo para permitir avanços na sociedade.

Graças às redes sociais muitas pessoas que estariam marginalizadas do mundo da comunicação por causa de sua origem, raça, gênero, condição social ou qualquer outra desculpa para excluir alguém não só encontraram seu espaço como ganharam voz e se tornaram influências potentes. Mas precisamos garantir esse mesmo tipo de acesso de agora em diante.

Parece ponto pacífico que o 5G vai permitir que o metaverso seja viável – tanto quanto a banda larga permitiu que o streaming pudesse acontecer há uma geração. No entanto, o fundamental para todos (comunicadores, marcas, criadores) é entender quem terá acesso a essa tecnologia e questionar o nível de exclusão que ela pode causar em uma sociedade em que a inclusão ainda é tão difícil de realizar que chega a parecer utopia.

Para mim é nesse ponto que a tecnologia e o metaverso colidem com aspectos humanos que precisam de atenção urgente na vida real como diversidade, inclusão, oportunidades e a importância da saúde mental das pessoas para o futuro das empresas. Em sua pesquisa de tendências, a Accenture destacou a questão da saúde mental relacionada à possibilidade de trabalho remoto e de realizar atividades que atendam aos anseios pessoais. Ou seja, para atender às suas necessidades básicas, as pessoas querem ter assegurado o seu direito à realização pessoal em uma total inversão da famosa pirâmide de Maslow.

Isso os leva crer que seja no mundo físico ou no digital, o que as pessoas querem das marcas e das empresas é maior consideração por sua humanidade, sua individualidade e sua sensibilidade. A importância de colocar o consumidor no centro de todas as estratégias vem sendo repetida com um mantra nas diversas palestras de tendências.

Aliás, ser um em uma realidade fragmentada é uma questão cada vez mais séria e que vem sendo abordada transversalmente no SXSW. Seremos uma única personalidade na vida, nas redes sociais e no universo digital? Ou viveremos pulando de avatar em avatar conforme a necessidade? A opinião predominante é que a verdade de cada um será determinante para a construção da sua personalidade em qualquer ambiente, seja no mundo físico, no metaverso ou nos diversos multiversos da nossa narrativa.

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