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O futuro tende a chegar mais cedo do que esperamos

SXSW 2022 foi muito mais do que um reencontro


18 de março de 2022 - 10h14

Crédito: Divulgação

SXSW 2022 foi muito mais do que um reencontro. Foi uma rica oportunidade de estar ao lado de clientes da VidMob, os acompanhando e decifrando quais informações são relevantes sobre o futuro.

Estou retornando ao Brasil, mas nosso time continua lá muito bem acompanhado por Camilo Barros. Me despeço de Austin já com olhos no México, para onde me dirijo após uma visita rápida e saudosa à minha família em São Paulo. Como prometido, fiz um relato diário daquilo que entendi realmente relevante para o nosso segmento. É evidente que não pude estar em todos os lugares ao mesmo tempo, assim escolhi temas mais intensos e de onde pudéssemos extrair conteúdo. Se você não pode acompanhar, vai aqui um resumo.

NOS REUNIMOS PARA DAR SENTIDO À VIDA

Desde o momento da chegada para retirar as credenciais já era possível perceber o quanto o mundo da interação nos reconecta a uma rede de ações, ainda que por acaso. Durante a fila, manifestantes ligados ao Planned Parenthood (organização sem fins lucrativos que oferece cuidados de saúde reprodutiva nos Estados Unidos e no mundo) imploravam o apoio de todos contra regras rígidas declaradas sobre o aborto no Texas. Outro grupo defendia famílias com crianças trans, que também estão passando por um momento complicado naquele Estado que fica a 8.000 km distante da minha casa, do meu cotidiano. Eles diziam: nós precisamos de vocês!

Nesse dia eu foquei em uma entrevista que abordaria o universo 3-D, base do tão aguardado metaverso. Ambiente onde ocorre a série Upload, da Prime Vídeo, no ano de 2034, criada por Greg Daniels que foi entrevistado pela futurista Amy Webb, para provar que o contexto de tudo junto e misturado é real e que mesmo no mundo teoricamente planejado, os conflitos seriam recriados. O paraíso é quase uma utopia.

“Se você pudesse digitalizar suas memórias, se hospedar como uma pessoa em um ambiente digital e criar seu próprio paraíso, esse mundo teria a mesma ganância e tolice que qualquer sociedade criada pelo homem tem”, afirma Daniels. Lançado em 2020, esse programa chamou atenção depois que o Facebook trocou o nome para Meta e passou a chamar seu portal de games como Horizon Worlds. Horizon é o nome do portal na série criada por Daniels.

E de onde Daniel teve seus insights criativos sobre um metaverso? Um certo dia, Daniel via sua filha jogando Club Penguin e a garota pediu a ele 99 centavos para comprar uma tevê com a qual equiparia o seu iglu dela. Foi o momento em que o céu se abriu para que ele percebesse como as coisas seriam no mundo virtual. Hoje já estamos vendo fortunas investidas em NFT’s ou em direitos imobiliários no metaverso. Há poucos meses um iate de luxo foi vendido por 650 mil dólares no jogo virtual Sandbox. Mas Daniels quer lançar um olhar divertido sobre tudo isso.

“No programa, curioso é que a extensão da vida muda o projeto de sociedade vigente. As pessoas são incentivadas a guardar dinheiro para uma vida após a morte digital.”

Ouvir uma pessoa que é capaz de criar com essa autenticidade, abre a nossa mente para o novo em perspectiva. É justamente o que nós da VidMob estamos sempre em busca e por isso estamos em lugares assim, com gente talentosa e animada.

Hugh Forrest, diretor de programação do SXSW, arrematou bem esse pensamento na abertura: “A necessidade, o poder e o valor da inspiração nunca foram tão urgentes.” Ele entrevistou Priva Parker, autora do livro The Art of Gathering que disse: “Nós não nos reunimos apenas para escapar. Nos reunimos para nos envolver. Não nos reunimos apenas para comemorar. Nós nos reunimos para lamentar, lamentar para dar sentido ao mundo”, disse Parker. “Nós nos reunimos para dar sentido aos eventos do mundo.”

DEUS GOSTA DE TECNOLOGIA – E DE LIMITES

A tecnologia humana pode combater a desinformação. Tristan Harris, na sessão chamada Humane Technology: Why The Social Dilemma is Not Destiny (Tecnologia Humana: Por que o Dilema Social não é Destino). Harrys, é protagonista do documentário que se tornou um hit da Netflix, O Dilema das Redes. O propósito do documentário é questionar o tempo que as pessoas dedicam às redes sociais, que forçosamente leva a relacionamentos polarizados interferindo diretamente em ambientes democráticos e, consequentemente, na humanidade.

Tristan afirma que a tecnologia está ficando tão complicada quanto possível. Sobretudo quando utilizada para demandas de vocalização ou de texto, no que se tornou uma fábrica de Fake News. É por isso que explora a sabedoria como resposta para as equações simples e complexas: “O que responde aos temas complexos nada mais é do que a sabedoria”. Mas está nesse ponto o pulo do gato: a sabedoria tem limites. O detalhe é que Harrys nos apresenta uma leitura de como decifrá-los e de que forma eles atuam a partir de sistemas e causas profundas.

De um tema social necessário, pulei para uma imersão no mundo automobilístico para me conectar ao que está por vir e, também, ao que nós, da VidMob, estamos na ponta da tecnologia produzindo, por exemplo, com a Realidade Aumentada. O nível da imersão que o nosso corpo vivenciará no carro, acrescido de realidade virtual aplicada ao contexto de estradas, caminhos e real ride é um conjunto de sensações e experiências únicas. Os carros vão mudar mais nos próximos cinco anos do que mudaram nos últimos 100. Isso é absolutamente espantoso. Chegamos num ponto de ruptura com o modelo de carro do passado.

Eu também não pude deixar de acompanhar a transformação sem limites que ocorre no comércio eletrônico da beleza no metaverso. Evolução natural da experiência na web que já existe e que conta com a VidMob como tecnologia de ponta. Nesse ambiente, a realidade aumentada é a cereja do bolo que permite interações mágicas com jóias, maquiagens, roupas e uma infinidade de produtos. A tecnologia de inteligência artificial está transformando as compras nas redes sociais. Falamos aqui de um universo de 2,85 bilhões de pessoas ativas. E isso não é nada desprezível.

COMO PERCEBER O PONTO DE INFLEXÃO PARA O FUTURO

Hugh Forrest, diretor do SXSW, abriu a palestra de Amy Webb dizendo que gostaria de poder dizer que o SXSW a ajudou a construir a marca e a carreira dela. “Mas acho que a realidade é o oposto. Suas observações perspicazes com ideias sobre o futuro é que ajudaram a construir a marca SXSW”.

Amy se apresenta como futurista quantitativa, é professora na NYU Stern onde ensina a metodologia orientada por dados. Fundadora e CEO do The Future Today Institute, que dá consultoria para mais de 100 agências governamentais com o propósito de ajudá-las a liberar a capacidade de imaginar o futuro e, a partir daí, tomar decisões orientadas por propósitos.

Amy explorou o tema de seu relatório de tecnologia chamado “Re-percepção”. Apresentou uma imagem de um borrão, que era a foto de uma vaca em alto-contraste em fundo branco. À primeira vista é quase impossível detectá-la, mas assim que é vista ela estará sempre lá. Fez um exercício com o público e passou a usar essa imagem como referência de que os dados estão ali, mesmo na área branca, você é que precisa olhar de outra forma.

“Re-percepção” é a essência da criatividade. “Re-percepção”é a essência da inovação e do empreendedorismo e indica a qualidade essencial de uma boa gestão. “Você precisa explorar os espaços em branco. Você tem que pensar sobre tendências e realmente procurar entender como elas vão moldar o futuro.” É quando a re-percepção nos ajuda a entender, que não se trata de prever o futuro, algo que não podemos fazer, mas de como lidar com as ambiguidades e a incerteza para que possamos tomar melhores decisões no presente e, aí sim, influenciar e explorar novos territórios.

Amy cita como exemplo a crise climática global. “Sabemos que se a temperatura global subir 2º, enfrentaremos consequências catastróficas em um cenário que tampouco existe hoje e para o qual não estaríamos preparados. Nós já temos esses dados, é um fato. Mas não estamos fazendo nada sobre isso.”

AFINAL, QUEM VIGIA QUEM NAS REDES SOCIAIS?

Francis Haugen, a especialista em algoritmos que delatou o Facebook ao se sentir cúmplice da desinformação, esteve no SXSW expondo suas preocupações

O Facebook é uma rede social que uso desde sempre, tanto pessoal como profissionalmente. Um projeto genial que, para ser simples, carrega uma intrincada rede de algoritmos preparada para fazer com que naveguemos nela o maior tempo possível. E isso gera riqueza. O detalhe é que uma frase mal colocada, quando viralizada, pode gerar um conflito racial, por exemplo. Independente de posicionamento, certo ou errado, a favor ou contra, observar com atenção as críticas feitas por Haugen se torna indispensável.

Ela afirma que as práticas da plataforma se tornaram nocivas, quando perceberam a capacidade de influenciar grupos com desinformação e não fizeram nada para estancar essa sangria, ao contrário, investiram nesse processo que criava grupos fiéis à plataforma.

“É preciso ter massa crítica dentro da companhia para gerar mudanças” disse.

Mas ressalva que os problemas dificilmente são resolvidos dentro do quadro de referências que os criaram. “Nos EUA há muitas coisas erradas que são legais. Mas é ilegal mexer com elas.”

Haugen aponta para a censura como franqueadora da democracia. “Mas quando dizemos isso eles rebatem afirmando que democracia é permitir que postem e digam o que queiram, mesmo que seja violento”. Segundo a visão da mulher que testemunhou contra a Meta no Senado Americano sobre os efeitos que essa falta de controle gera nos usuários, sobretudo mais jovens, “Eles sabem o quanto esse sistema é prejudicial, mas não mudam porque dá lucro.”

Vejo a questão do conteúdo como foco fundamental para a expansão sadia de nossas ações no mercado. Na VidMob, que não é uma rede social, conteúdo tem peso relevante e é tratado com cuidado extremo por profissionais locais que consigam entender aquele mercado, aquela sociedade. Esses respondem a um comando central que é altamente capacitado. Isso porque há muita força naquilo que dizemos.

Ela explica que a plataforma sabe que 1% de qualquer movimento é a verdadeira cola que o mantém unido. Então sugeriram o seguinte: “vamos descobrir quem são os líderes, silenciá-los seletivamente e todo o movimento irá desmoronar”. Isso é bom? A primeira vista sim, mas ao olhar novamente, não. Porque dá à plataforma o direito de “cancelar” quem ela julga inoportuno. “O problema é que não sabemos onde, quando e com quem eles tomam uma ação dessa, assim não podemos formar massa crítica. Eles escolhem quais movimentos sociais têm o direito de alcançar sucesso de uma forma que não podemos policiar.”

Depois dessa entrevista, Rohit Raghav afirmou em sua apresentação: “Pessoas que entendem pessoas, sempre vencem”. Em seu megatrends “How to see what others miss and predict the future”, Rohit apresenta tendências com sua consultoria Non-Obvius-Company. Ele vai atrás de potencialidades que possam transformar negócios e carreiras. “O que você tem a oferecer que é tão interessante quanto um esquilo desviando de uma Lamborghini? Porque essa é a sua concorrência.” Quem está preparado para dar essas respostas conta com o apoio de ideias geniais, conteúdo primoroso e, ainda, a parceria e solução da Inteligência Criativa da VidMob.

O FUTURO PERTENCE ÀS PESSOAS QUE ACREDITAM MAIS NELE QUE OUTRAS

Com um dia de antecedência ele confirmou sua presença no evento em uma rara aparição pública. Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, foi entrevistado por Daymond John, conhecido nos EUA pelo programa de televisão Shark Tank que, diferentemente de como trata os criadores de startups promissoras atrás de investimento, foi bem gentil com o CEO da Meta. Um dia após Frances Haugen ter se apresentado na mesma sala em que ocorria a entrevista, John preferiu não tocar em temas espinhosos. Mark, embora seja um gênio criativo e um dos mais bem sucedidos do mundo, também é muito controverso.

Mark abriu sua fala comentando a guerra da Ucrânia. “É difícil usar as palavras certas, que signifiquem algo que possa melhorar as coisas. Só quero registrar meu pesar pela invasão.É um evento global, desestabilizador. Nós temos equipes trabalhando pelo país para garantir que as pessoas possam se conectar. Digo isso porque é um tanto estranho falarmos de futuro, Metaverso e Web3, com todo esse horror acontecendo.”

Toda a sua exposição foi focada no Metaverso, para o qual ele afirma estar preparando a sua rede social para se tornar a maior empresa de Metaverso do mundo. Você duvidaria disso? “Eu acho que pelo trabalho que estamos fazendo no Metaverso, somos a empresa que se preocupa em ajudar as pessoas a se conectarem. Enquanto outras empresas estão focadas em projetar tecnologia para que essa conexão aconteça.” Mark mostra que embora ainda estejamos no início desse processo – que ele considera tão disruptivo quanto uma fazenda que saiu da agricultura de base para a automatizada – muita coisa já está aí.

Mark citou que todo esse universo incrível nasceu com os games, parte do Metaverso já está por aí. Atualmente existe um clube de comédia onde as pessoas vão lá contar piadas. Ou ainda uma professora e artista do Brooklyn que construiu um museu de arte negra onde vende suas peças. Falou em avatares, hologramas e roupas virtuais para eles. “Se você se preocupa com a roupa que vai usar para uma reunião virtual pelo computador, claro que vai querer vestir bem o seu avatar.” O mercado que está por vir é infinito e muito do que virá, sequer existe.

Ele afirma que ainda leva entre 10 a 15 anos para um desenvolvimento intenso do Metaverso, mas eu posso te garantir uma coisa, eles vão chegar lá. Estamos vivenciando essa construção, somos uma das empresas que geram as ferramentas para esse novo mundo.

Zuckerberg pode ser controverso, pode gerar polêmica e ter uma relação não muito amistosa com o público do SXSW desde sua estréia no evento, mas o cara é um gênio.

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