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A tecnologia vai realmente construir um mundo melhor para todos?

SXSW levanta preocupação em conciliar tendências da tecnologia e pautas humanizadas


21 de março de 2022 - 9h34

Crédito: Divulgação

O SXSW está chegando ao fim. Participar de um evento tão grande após um longo período de isolamento foi intenso e, como todos que participaram do festival, saio daqui com a cabeça cheia de ideias e muita vontade de colocar em prática todo o aprendizado absorvido e com algumas questões. Será que realmente estamos caminhando para a construção de um mundo melhor para todos? O SXSW traz muitas tendências e tecnologias de ponta, mas, pude sentir durante todo o evento uma preocupação grande em trazer a humanização para a tecnologia.

A questão das mudanças climáticas também teve espaço por aqui. Afinal, precisamos cuidar do planeta para continuar usufruindo de toda essa tecnologia. Nesse tema, ressalto a palestra que assisti com o time que criou a campanha do dinossauro da ONU #dontchooseextintion. A campanha é um ótimo exemplo de sucesso no uso da comunicação para causas. Assistida por mais de 1,2 bilhões de pessoas, a campanha engajou celebridades no mundo inteiro, que dublaram em seus idiomas. Vários parceiros também aderiram como países, instituições financeiras internacionais, veículos de mídia. A campanha acerta em usar o humor ao chamar a atenção para a causa, mas, vai além disso, tem uma chamada concreta para a ação, ao focar na questão dos combustíveis fósseis e do desdobramento na plataforma globalmindpool. Para dar um toque especial, a palestra contou ainda com a presença do ator Nikolaj Coster-Waldau, o Jaime Lannister da série Game of Thrones, ativista ambiental envolvido com a campanha desde o início.

Emergência climática e desigualdade são dois problemas que têm que ser vistos juntos. Seremos a geração que irá conectar as pessoas e realmente solucionar a questão climática? Será que o avanço tecnológico estará acessível para todos? Como fazer para nos desenvolvermos como sociedade sem deixar ninguém para trás?

A lista de desafios é enorme, mas a lista de coisas boas acontecendo é ainda maior. Muitos empreendedores desenvolvendo novas tecnologias, várias empresas fazendo ações incríveis. Tentando resumir aqui os principais highlights para mim do que se falou por aqui:

1.Internet 3.0
A descentralização da internet já é uma realidade. A possibilidade de interação entre os usuários sem depender de uma organização por trás é uma das grandes demandas. O potencial para individualização de conteúdo, ampliação das trocas e geração de conhecimento é gigante. O acesso a todos e a ética no uso dos dados continua sendo um desafio.

2.Metaverso
A aposta é que em um futuro breve realmente todos tenhamos alguma experiência no metaverso. A princípio vários metaversos estão sendo construídos. A melhor explicação que ouvi por aqui é que será algo como um universo virtual, com várias cidades/metaversos diferentes. Como todos terão interoperabilidade, poderemos circular entre os diferentes metaversos, com nosso avatar. Será que teremos mais de um avatar? Aqui também fica a questão do quanto a vida virtual será libertadora (afinal, nosso avatar pode ser da forma que imaginávamos) e o quanto a vivência virtual gera uma visão distorcida da realidade que acaba nos afastando das relações mais humanas.

3.Tecnologia para o bem
Comparando com a última vez que estive por aqui, em 2018, achei que a tecnologia evoluiu muito. As ações de VR estão bem mais realistas e amigáveis. Pude perceber que muitos desenvolvedores buscam colocar um propósito em suas criações: de games falando de saúde mental e questões ambientais a devices sendo produzidos para solucionar problemas de saúde, de softwares para treinamento para futuros cirurgiões ao uso de IA para conexão cérebro corpo.

4.NFT – non-fungible token
As NFTs foram bastante citadas por aqui, principalmente relacionadas à arte. O festival trouxe uma galeria de obras para serem comercializadas via blockchain. A NFT traz para a arte digital a exclusividade, algo como um certificado de autenticidade da obra. A oportunidade é a abertura de espaço para novos artistas ou para artistas ampliarem o seu alcance. E para os investidores, já tem muitas obras sendo comercializadas por valores altíssimos, vale correr pra comprar a sua, pode ser um bom negócio!

5.Diversidade
A diversidade esteve presente com força total. Além do básico da presença da diversidade nos paínéis (exigência do SXSW), tivemos uma presença nos palcos de muitas mulheres e pessoas pretas como speakers. Uma boa surpresa para mim foi a maior participação de pretos na delegação brasileira, incluindo profissionais de empresas, além dos músicos que costumam participar. Ainda temos muito a evoluir, mas, é sempre bom reforçar que só iremos evoluir na diversidade construindo com pessoas diversas.

Enfim, foram dias realmente incríveis. O festival acerta em trazer uma agenda tão ampla e diversa. Além de todo o aprendizado, saio daqui com a alegria de ter contribuído para trazer a Ambev para um painel, mostrando as inovações de uma empresa brasileira e também saio plena de tantos encontros, novas amizades e conexões feitas por aqui. Afinal, é disso que trata o festival. Espero ter conseguido passar um pouco do que vivi por aqui e, até o próximo!!

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