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Metaverso, NFT, blockchain, web 3.0 e os novos impactos no mundo físico

Maior festival mundial de inovação mostra que, no fim das contas, a discussão sempre será sobre pessoas


21 de março de 2022 - 16h54

Em todos os dias nos quais tive o prazer e o privilégio de estar em Austin, no Texas (EUA), para acompanhar parte dos conteúdos do SXSW 2022, um dos maiores e mais tradicionais festivais de inovação do mundo, fiquei absolutamente satisfeito em ver o quanto alguns palestrantes conseguiram trazer, de forma ilustrativa e educativa, detalhes sobre o real lugar de encaixe e o potencial de funcionamento do metaverso, ainda que, em alguns casos, com a ressalva de que boa parte das pessoas ainda está relativamente perdida sobre como usar este novo mundo de possibilidades.

E acredito que isso aconteça porque há uma parcela considerável da população em todo o mundo que simplesmente não alcançou, por enquanto, um mindset inovador e que permita o pensamento disruptivo no dia a dia. Seja pela aversão ao erro ou pela simples falta de confiança no tentar, muitas pessoas não conseguem perceber que o metaverso pode permitir um uso diferente do nosso cérebro, que pode ser acionado em diferentes lugares e propiciar diferentes experiências e sensações.

Para começar a mudança desse cenário, obviamente é necessário fomentar a colaboração e a confiança, valores primordialmente humanos que, certamente, fazem toda a diferença no mundo, principalmente quando uma nova tecnologia começa a ganhar força e passa a ser a grande tendência para o mundo em um futuro que não parece nada distante – ao contrário, a sensação é de que está cada vez mais próximo.

É claro que a euforia de toda nova tecnologia traz consigo um medo natural, mas é sempre importante lembrar que todas as grandes mudanças de paradigmas que já aconteceram no mundo por meio da tecnologia vieram, em um primeiro momento, carregadas de medo e incerteza, e depois caíram não apenas no gosto, mas no uso rotineiro de praticamente toda a população mundial, trazendo mais conveniência e praticidade em diversas tarefas triviais.

Falando em mudança de paradigma, foi muito interessante ver a forma clara como o SXSW 2022 apresentou a evolução da internet ao longo dos tempos, e a conexão direta que isso tem com o metaverso, além de todas as possibilidades que ele deve trazer.

No caso da web 1.0, havia um impacto na organização da informação, com uma mudança de paradigma vista justamente na abundância da mesma, mas com grande escassez de dados dinâmicos. Já na web 2.0, houve um impacto forte na organização das redes sociais, com mudança de paradigma baseada na abundância de dados (Internet das Coisas), mas ainda com alguma escassez de redes entre eles.

Agora, com o que alguns especialistas defendem ser a chegada da web 3.0, há um impacto forte na organização dos bens em todo o mundo, com redes abundantes e fluídas como mudança de paradigma e lealdade como a grande escassez. E aí está, mais uma vez, a presença maciça da confiança.

Não há lealdade sem confiança, e, por isso, insisto que, em última análise, a discussão é sempre sobre pessoas, bem como o quanto elas conseguem colaborar umas com as outras para experiências mais prazerosas em diferentes ambientes e nas mais variadas ações.

Vale ressaltar, inclusive, que a vantagem colaborativa é muito melhor do que a vantagem competitiva. Membros de comunidades não se importam com limites de categorias, e comunidades criam novos modelos de economia. Por isso, o metaverso tem potencial para revolucionar as formas como fazemos negócios, com uma tecnologia na qual todas podem ser criadoras, vendedoras e consumidoras, tudo ao mesmo tempo.

E neste novo modelo que o metaverso pode viabilizar, deve haver o que foi apresentado no SXSW 2022 como DAO (Decentralized Autonomous Organization), que é uma organização entre pessoas para a definição de regras e uma espécie de regulação sobre como será a colaboração para existir neste ambiente, para poder navegar em diversos metaversos, etc.

Também foi bastante esclarecedor acompanhar o quanto os NFT’s e o blockchain estão diretamente ligados ao sucesso do metaverso daqui para a frente. Afinal de contas, a tecnologia de NFT tende a ser o meio pelo qual será possível garantir o direito à propriedade em um ambiente virtual hiperrrealista, enquanto o blockchain ganha cada vez mais destaque por viabilizar a propriedade menos vertical e mais horizontal.

Pode haver, com o metaverso, uma espécie de democratização e descentralização do poder. A web 3.0 veio para fazer essa revolução no jeito de fazer negócio, de maneira horizontal, com hierarquia orgânica, que dá voz, onde é preciso entender de gente para gerar confiança.

Em um festival como o SXSW, a gente vê tanta tecnologia importante gerando oportunidades, que chega a surpreender que tanta gente ainda tenha receio, mas a verdade é que toda tecnologia vai ter o lado obscuro e seu uso para o mal, e por isso é importante ter players que consigam trazer expertise para gerar segurança neste ecossistema, aproveitando a tecnologia para ser mais rápido e escalável na geração de confiança entre pessoas e instituições.

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