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Mas afinal, o que foi o SXSW?

Para mim e para muitos outros, o SXSW é um movimento capaz não só de revelar tendências mas, acima de tudo, ditar tendências


22 de março de 2022 - 12h51

Crédito: Thais Monteiro

Como estreante no SXSW, não tinha expectativas e, diante de tanto conteúdo, tive dificuldade em fazer uma curadoria para priorizar os assuntos que verdadeiramente seriam importantes para mim e para o UP Consórcios, pois é humanamente impossível acompanhar tudo.

Mas a verdade é que a experiência, no geral, é tão reveladora, que logo percebi que eu precisava assistir poucos, mas bons eventos. Minha percepção é que as tendências e provocações apresentadas precisam ser assimiladas, pois, acreditem, elas são capazes de mudar o nosso direcionamento. Me sinto meio que “antes do SXSW x depois do SXSW”.

Prefiro definir não como um evento ou um festival. Para mim e para muitos outros, o SXSW é um movimento. Um movimento capaz não só de revelar tendências mas, acima de tudo, ditar tendências. Ali são apresentadas pautas importantes que merecem nossa atenção. Para mim, como head de uma fintech, foi capaz de trazer um senso de urgência sobre a forma como abordamos certos assuntos e sobre as prioridades relacionadas à tecnologia hoje.

O South and Southwest acontece em Austin, no Texas, desde 1987, e começou como um festival de música. Mas evoluiu tanto, que hoje é cinema, música, tecnologia e considerado por muitos o maior evento de inovação do mundo.

Em 2022, ele foi dividido em cinco ecossistemas e o participante escolhia de acordo com seus interesses:

Creative industries: experiências interativas dentro de variadas indústrias (entretenimento, educação, techs, ets);

Games: a abordagem do tema tratou a indústria de games como o grande passaporte para o metaverso;

Experiências: realidade híbrida;

Wellness: assuntos relacionados à saúde e bem estar;

Artes: foram 30 mil shows que aconteceram durante o festival.

Diante de tanto conteúdo, foi importantíssimo fazer uma curadoria antes do evento. Muito se fala em FOMO (fear of missing out – medo de perder algo), pois é impossível acompanhar tudo. A verdade é que temos acesso a uma parte muito pequena de toda informação disponível.

É muito difícil falar dos eventos mais importantes, diante da diversidade de assuntos, portanto, vou destacar aqueles que, tradicionalmente, atraem um maior público e o que eles têm em comum é o tema, todos abordam tendências:

Amy Webb: Relatório de Tendências Tecnológicas Emergentes;

Rohit Bhargava: 10 Tendências não óbvias que moldam 2022;

Nick De La Mare: Fjord Trends 2022 – Um Guia de Sobrevivência para 2022.

Mas é injusto focar apenas em previsões de futuro e tecnologia. Podemos admitir que é muito satisfatório discutir como será o mundo amanhã mas, como um movimento, o SXSW trouxe questões como diversidade, equidade, inclusão, veganismo, mudança climática, saúde mental e outros temas extremamente urgentes e que nos inspiram à ação imediata.

Muito se falou de metaverso e Web3, e do quanto precisamos levar o assunto para as corporações. Blockchain, NFTs, propriedade de dados foram palavras citadas, independentemente do assunto da palestra.

Tivemos também uma variedade enorme de eventos sobre exploração espacial. Chamou muito a minha atenção, pois aqui no Brasil não vivenciamos o tema. Ficou claro que, para o público em geral, já é algo rotineiro discutir como será viver e/ou explorar outros planetas.

Quando consideramos o SXSW como um todo, nenhum conteúdo foi apresentado como verdade absoluta. Em um mesmo dia foi possível ouvir um especialista falando sobre uma visão de metaverso que irá fazer parte das nossas vidas 24 horas por dia e, algumas horas depois, ouvir exatamente o contrário. Outro tema contraditório são as NFTs: ora uma provocação do quanto estão sendo supervalorizadas, ora apresentando o mundo de possibilidades ao qual teremos acesso através delas.

Mas houve, sim, um consenso geral. Poderia dizer até que intrigante, mas é uma constatação: Vivemos um mundo frágil, ansioso, não linear e de mudanças abruptas. E, sim, já está bem difícil viver nele, no entanto, o mais preocupante é que a tendência é piorar.

Sem modéstia, deixando a síndrome de vira-latas de lado, entendi que nós brasileiros estamos bem adiantados em assuntos relacionados à criatividade e diversidade, ao menos olhando o que foi apresentado lá. No entanto, quando a pauta é tecnologia, ainda temos um caminho importante a percorrer.

Termino minha jornada com várias listas: os eventos SXSW que ainda quero assistir online, o que pretendo colocar em prática no UP, os livros citados que pretendo ler, os relatórios abordados que vou entrar no detalhe juntamente com a equipe para encontrar outros insights. Enfim, essa é a Lorelay pós SXSW 2022.

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