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Bem-estar digital orienta tendências de design de produto

Efeitos colaterais da hiperconexão motivam desenvolvedores e especialistas de UX a abdicar de mecanismos aditivos no design de interfaces

Karina Balan Julio
10 de março de 2019 - 6h00

Pamela Pavliscak e Kristina Bonitz. Foto: Karina Balan Julio

Na última década, o escopo básico de desenvolvimento de plataformas digitais se pautou na criação de aplicações que prendam o usuário, a ponto de o tempo de navegação ter se tornado um dos grandes indicadores de sucesso das empresas de tecnologia.

Feeds infinitos, ranqueamento de conteúdos e mecanismos de recompensa hoje praticamente definem nossa experiência digital. Estes são alguns dos elementos que levam consumidores a passar em média 10 horas diárias na frente de telas, de acordo com a Nielsen, e a tocarem seus celulares em média 2,6 mil vezes ao dia, de acordo com a consultoria Dscout. A crescente consciência de usuários sobre a hiperconexão, diante disso, estimula designers e desenvolvedores de produtos a considerarem o bem-estar digital na hora de criar novas aplicações, na avaliação de Kristina Bonitz e Pamela Pavliscak, palestrantes da track de design do SXSW.

Pamela é fundadora da Chance Sciences, empresa americana que estuda a relação emocional – e às vezes irracional – das pessoas com a tecnologia. A empresa presta consultoria para empresas como Google, Virgin e Ikea. Já Kristina é diretora de estratégia e inovação da Sinner Schrader, agência digital da Accenture Interactive com sede em Hamburgo, na Alemanha. Durante uma palestra sobre “desintoxicação digital de produtos através do design”, elas falaram sobre princípios aditivos que estão em fase de desconstrução na área de User Experience (UX).

“Pessoas estão falando muito em fazer um detox digital, mas na verdade as marcas é que precisam desintoxicar seus produtos”, disse Pamela.

Neutralização de extremos: A maioria das plataformas não foram desenhadas para gerar apenas engajamento, mas emoções radicais. “Plataformas em geral são desenhadas para gerar picos de emoções, o que em geral é ruim para a mente humana. Estudos mostram que os picos de raiva e tristeza relacionados à experiência digital são muito mais duradouros do que picos de felicidade, embora o nosso cérebro já tenha se acostumado com esse looping”, explica Kristina. Cada vez mais, portanto, experiências digitais amigáveis a dependerão da capacidade das plataformas em equilibrar estes estímulos extremos.

Loopings – use com moderação: Algoritmos que embaralham o feed para causar a impressão de que sempre há novidades também podem estar desgastando usuários. “Este mecanismo vem dos loops de máquinas de jogos, onde o usuário sempre procura por gratificações e as recebe de forma irregular. Ferramentas como o scroll infinito, auto-play, micro-recomendações e botões de refresh nos mantêm no loop de sensações e perpetuam o desejo das pessoas por gratificação instantânea, que geralmente é seguida de frustração”, diz Pamela.

Desmetrificação: “Hoje metrificamos tudo, desde passos, horas dormidas, calorias e likes. No final do dia estamos competindo com nós mesmos, com amigos e inimigos, o que nos leva a inúmeras sensações negativas”, diz Pamela. Ela pondera que marcas precisam refletir sobre a necessidade de contabilizar ativos em plataformas digitais. “Designers precisam pensar em interações que as pessoas possam aproveitar de forma genuína, e que não as façam sentir culpadas”, diz.

Momentos de pausa: Equilibrar a entrega de notificações ou estimular momentos de pausa durante a navegação também é uma das tendências de design de experiências digitais. “Hoje já vemos vários aplicativos que limitam a quantidade de notificações e oferecem o modo ‘não perturbe’ ou botões como ‘tem certeza de que deseja continuar vendo?”, diz, argumentando que estes mecanismos convidam o usuário a pensar duas vezes sobre o seu consumo de informação.

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