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O melhor “plano sequência” do SXSW (Amazônia volume 2)

"Amazônia Groove" dá visibilidade à multifacetada sonoridade que margeia os rios que transpassam o Amazonas e o Pará


21 de março de 2019 - 18h26

O filme “Amazônia Groove” foi um dos destaques brasileiros do SXSW. Foto: Divulgação

Depois de participar do painel “Connecting the Hidden Amazon To the World”, fomos convidados pelo produtor executivo Leonardo Edde para assistir, no dia seguinte, ao documentário “Amazônia Groove”, de Bruno Murtinho, no Rollings Theater. Foi o único longa brasileiro que assisti no SXSW. E saindo da sessão de “Go Back To The China”, pude mergulhar novamente em uma belíssima produção sobre a Amazônia.

Parece pouco convidativo, na SXSW, participar de um circuito cinematográfico.  Além de termos ótimos festivais no Brasil e acesso ao star system dos streamings, a cidade se torna um imenso acelerador de partículas voltadas para tecnologia, música e audiovisual, segmento em que a nova vedete tem sido definido por especialistas como o Cross Reality.

Entre tantas novidades tecnológicas, o cinema talvez seja o único gênero ou formato que não desperta nenhuma epifania ou espera por novas linguagens que não seja dentro de algo já descoberto. Você não tem mil reuniões marcadas, diversas palestras com cineastas, por exemplo. O que você tem é horário para assistir um filme. E ele não precisa de muito pra ser o que é, por isso que está no cocuruto das artes. Ele é emoção contínua, seja em Berlin, Belém ou Austin.

E “Amazônia Groove” é isso. Já no início, um plano sequência dogmático começa numa procissão de barcos e termina no zênite dos plongées, como se um espírito da floresta acompanhasse tudo. Esse lindo documentário sobre a música, que dá margem a multifacetada sonoridade que margeia os rios que transpassam o Amazonas e o Pará desperta sons feitos por prístinas cordas, arranjos imperecíveis que passeiam pela arte, empirismo e pelo âmago supramundano da amazônia mística. Pra quem vê a distância, o tão famoso tecnobrega e brega estão nesse groove, fazendo o contraponto do clássico e da floresta, com uma narrativa “pai d’égua” (sem apropriação cultural, só referência e reverência) cativante, que nos faz torcer pelos personagens.

Não sou crítico de cinema e não é o meu papel analisar filmes. Porém, foi numa sessão, naquela semana, que descobri que tinha ido para o Texas explorar, ouvir, perguntar e voltar para São Paulo com tudo isso resolvido. Nossa passagem pelo SXSW foi bem plural. Somos quatro “broders” com cabeças heterogêneas buscando conhecimento, inspiração e novidades naquilo que fazemos. É muito bom ver que o combustível do cinema continua sendo o coração e alma. Pra mim, particularmente, soou como um alerta, um painel filosófico com a seguinte mensagem: continue acreditando nisso sem pensar no futuro porque o cinema passou por diversas revoluções no mundo. Nas tecnológicas ele se inseriu e nas culturais e antropológicas foi testemunha ou ferramenta.

Então, o SXSW não foi só uma viagem física. Mas, de tudo o que vi, da música que ouvi, das imersões, encontros em lounges do Linkedin, Facebook, Amazon e Casa Brasil, o que eu trouxe foi o audiovisual com novos formatos, novas janelas, novas formas de se fazer, novas filosofias, montagens. Mas, tudo em afinidade simétrica com o cinema cubista, cubo futurista, neo-realista e tantos outros. O cinema nos coloca no divã e literalmente resolve os nossos problemas.

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