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“Não contaremos com o Facebook para nosso futuro”, diz Jeff Zucker

Para o presidente da CNN Worldwide, rede social não tem sido a melhor parceira para gerar tráfego e séries e filmes originais os colocam à frente da concorrência

Isabella Lessa
10 de março de 2019 - 13h38

Jeff Zucker, presidente da CNN Worldwide no SXSW: “Fox News fez um estrago no discurso político do país” (Crédito: Isabella Lessa)

Complicada. Assim definiu Jeff Zucker a relação da CNN Worldwide com o Facebook. Apesar de reconhecer a importância da parceria com a rede social nos últimos anos, o presidente da companhia de mídia – e recém-nomeado a chairman da Warner Media News & Sports – é categórico em relação ao futuro da relação com a plataforma: “Não contaremos com o Facebook no longo prazo”.

Ele explicou, durante sessão conduzida pelo repórter Joe Pompeo, da Vanity Fair, que a companhia não quer depender do Facebook para tráfego, já que nos últimos tempos a plataforma “não tem sido nas melhores nisso”, cravou. Quanto à crise que acomete a mídia digital de maneira mais ampla, Zucker afirma que, assim como todos os players, a CNN também procura “the next shining object”.

Para reforçar sua presença no digital, a companhia se dedicou, nos últimos anos, à ampliação de sua equipe de jornalistas para atuarem especificamente no online. Mas talvez o mais significativo dos passos nesse terreno tenha sido a aquisição da Warner Media (dona da CNN) pela gigante de telecomunicações AT&T. Segundo Zucker, a parceria tem possibilitado um avanço muito grande da CNN em termos de infraestrutura e em áreas como data Science e tecnologias em geral.

Interferências governamentais
Iniciada em outubro de 2016 e concluída em junho de 2018, a transação foi tumultuada: assim que a AT&T anunciou a compra, o Departamento de Justiça dos EUA entrou com ação antitruste na tentativa de impedir a fusão, alegando que provocaria o aumento do preço da TV para os espectadores do país e ferir a concorrência entre as demais redes de televisão. Somente em fevereiro deste ano a AT&T venceu a ação e selou o acordo de US$ 85 bilhões.

Zucker foi taxativo quanto à origem de todo o imbróglio: “Veio do presidente. Eles não tinham base alguma para fazer o que fizeram e claramente havia uma agenda política por trás disso”, afirmou. Ele revelou que recebeu ligações diretas de Donald Trump nos últimos dois anos – não para conceder entrevistas, mas para reclamar da cobertura política da CNN.

Recentemente, as escolhas editoriais da companhia também foram questionadas por outros motivos: em fevereiro, a empresa contratou a republicana Sarah Isgur para cobrir as eleições de 2020 e precisou garantir ao Comitê Democrático Nacional que a nova editora não se envolverá em debates do partido Democrático moderados pelo canal.

Questionado por Pompeo sobre a escolha, Zucker rebateu dizendo que é incomum perguntar sobre os motivos pelos quais se contrata alguém. “Entendo que o caso de Sarah desperte curiosidade, mas não é um bicho de sete cabeças. Existe uma histórico vasto de pessoas que não são jornalistas e acabam comandando programas jornalísticos”, observou. De acordo com o executivo, a experiência de Sarah na política é valiosa, mas não determina a cobertura política da CNN. “Não vejo problema em ter alguém inteligente e que entende como Washington e o mundo funcionam. Infelizmente muita gente faz presunções com base em seus próprios preconceitos”, disse, acrescentando que essa e outras críticas de que a CNN ajudou a eleger Trump são “injustas”, já que a emissora sempre procura ouvir lados dissonantes.

“É importante ouvir os dois lados. Na verdade, todos os lados, porque se você não o fizer, vai acordar na manhã seguinte à eleição chocado que Donald Trump é o presidente dos Estados Unidos”, afirmou. No entanto, admitiu que a rede errou ao ceder tanto espaço de sua programação à campanha do presidente durante as eleições. “Não faremos isso de novo”.

O mesmo comitê que questionou a CNN sobre a contratação de Sarah Isgur disse que não irá conceder debates dos candidatos democratas à Fox News na corrida presidencial de 2020. Em resposta, a rede disse que seus profissionais têm integridade e profissionalismo para moderar os debates. Para Zucker, nenhuma rede detém direito exclusivo para moderar debates. “Eles não concedem isso à CNN nem à NBC. Não têm a obrigação de dar à Fox. A pergunta deveria ser: ‘a Fox é uma TV governada pelo estado ou a Casa Branca é governada pela Fox TV?’”. Na opinião de Zucker, a Fox cometeu enormes danos aos EUA por meio de sua cobertura política durante as últimas eleições presidenciais. “A Fox prejudicou muito o discurso político neste país”.

Polarização evidencia importância das marcas
Zucker não tem certeza de que a CNN seja capaz de consertar a onda de fake news que acirra ainda mais o momento atual de polarização. No entanto, acredita que este contexto comprova a importância das marcas de mídia mais estabelecidas. “Confiança se ganha com o tempo, mesmo as melhores organizações cometem erros mas, quando o fazem, se desculpam e corrigem. Nesse contexto de fake news, é preciso ganhar a confiança da audiência. Com isso a CNN se importa, por isso investimos no bom jornalismo. Jornalismo de qualidade demanda muito investimento”.

Para este e os anos que virão, a CNN também pretende incrementar a produção de vídeos jornalísticos para o mobile, assim como dar continuidade a séries e filmes originais, aposta de Zucker para se diferenciar dos concorrentes e até mesmo competir com players do streaming como Netflix.

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