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O2 Filmes lança hub de iniciativas para a Amazônia no SXSW

Plataforma UNI visa conectar produtores de conteúdo, organizações de preservação, startups e povos endêmicos da região

Karina Balan Julio
10 de março de 2019 - 10h00

 

Projeto Uni nasce com vídeos, fotos, informações e textos com histórias das comunidades quilombolas. Foto: Reprodução

A O2 Filmes apresentou neste sábado, 10, durante o South By Southwest, uma iniciativa socioambiental voltada para a comunidade da Amazônia, o UNI. A plataforma visa agregar produtores de conteúdo, empreendedores, organizações e comunidades ligados à região – ou interessados em desenvolvê-la. O pontapé inicial do UNI é o lançamento de um site com conteúdos sobre a Amazônia, que destaca  a cultura da região e a relação dos povos endêmicos com a natureza.

O painel de apresentação do UNI em Austin contou com a presença do cineasta Fernando Meirelles, da líder quilombola Claudinete Colé e do diretor da Equipe de Conservação da Amazônia (Ecam), Vasco Marcus van Roosmale. Também teve a participação do diretor de cena André Délia, responsável pelo desenvolvimento do projeto junto a Janaina Augustin, produtora e diretora de inovação da O2.

Vasco Marcus Van Roosmalen, CEO e diretor executivo da Equipe de Conservação da Amazônia (ECAM), acredita que a frente de conteúdo do UNI será uma forma de empoderar representantes locais para que criem suas próprias narrativas. “Pesquisamos os tipos de histórias que estavam sendo contadas sobre a Amazônia e vimos que quem conta estas narrativas não são as comunidades da região, mas pessoas de fora”, diz.

Ele citou uma pesquisa feita pela O2 no último ano, que identificou que, de cerca de 4,5 mil páginas no Facebook relacionadas à Amazônia, apenas 512 são páginas de comunidades quilombolas.

Pensando em trazer referências e perspectivas dos moradores do território amazônico, o site do UNI já nasce com vídeos, fotos, informações e textos com histórias das comunidades quilombolas visitadas pela O2 em 2018. Na página, também são divulgados projetos de instituições com ações em benefício dos povos endêmicos, assim como sugestões de filmes, séries, livros, exposições e eventos indicados pela comunidade de parceiros e moradores da região.

Amazônia Conectada

O site, porém, é apenas a semente de uma plataforma maior que em breve conectará investidores, cooperativas empreendimentos e projetos comunitários da região. A ideia é que o UNI venha a ser uma espécie de “Tinder” da Amazônia.

“A ideia é criar um hub de conexão, já que a Amazônia está dividida entre diferentes ONGs e empreendedores. O UNI pode se tornar uma ferramenta para que estas comunidades se organizem melhor, vivam melhor e possam extrair maior valor de seu trabalho“, disse o cineasta Fernando Meirelles, fundador da O2 Filmes.

Para colocar a ferramenta de pé, a produtora precisa levantar cerca de R$ 2,5 milhões, sendo o SXSW um momento para prospectar possíveis financiadores e empresas parceiras. A produtora também busca parceiros para levar internet às comunidades locais, uma vez que a falta de conexão e o alto custo de pacotes de internet dificultam a oxigenação de players locais.

Para os moradores da Amazônia, o UNI pode ser uma chance de, com o apoio de agentes externos, contornar os gargalos que impedem a preservação ambiental e o desenvolvimento de iniciativas locais. “Nosso desafio é unir dois mundos que estão separados em torno de uma causa comum. Se o meu governo não me ajuda a preservar a minha casa, o jeito é pedir essa ajuda para o mundo”, conta Claudinete Colé de Souza, coordenadora da Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Município de Oriximiná (Arqmo), no Pará.

“É difícil para muitas pessoas de fora entenderem que as comunidades da Amazônia estão produzindo muita coisa interessante, mas não têm os mesmos recursos técnicos e o capital de outras regiões”, acrescenta Vasco Marcus Van Roosmalen.

Outro pilar do UNI diz respeito à propagação de conhecimento: a produtora planeja a viabilização de workshops, intercâmbios e cursos à distância entre a população local, empresas privadas, instituições e ativistas de dentro e fora da Amazônia.

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