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Dez lições de startups no começo da vida

Os maiores aprendizados do SXSW Pitch, rodada de negócios do festival


11 de março de 2019 - 18h24

Provavelmente um dos eventos que mais reflete o espírito do festival é o SXSW Pitch.

Nele, startups cujo grande potencial já foi identificado e que passaram por inúmeros rounds prévios ao festival apresentam o seu negócio diante da platéia e de um comitê de Venture Capital Funds, que fazem uma bateria de perguntas duríssimas pra entender a real viabilidade e potencial das ideias. Detalhe: eles têm dois minutos para apresentar (e provam o que você já desconfiava: aquela reunião longuíssima poderia ter sido bem mais curta se as pessoas tivessem se preparado antes). Ao final, elegem um vencedor por categoria e um vencedor geral do festival.

(Crédito: Nesa By Makers/Unsplash)

Algumas startups famosas foram lançadas ou explodiram no SXSW, como o Twitter ou o Foursquare. Então o que estamos assistindo está longe de ser uma gravação ao vivo do Shark Tank. Estamos de fato testemunhando o nascimento de negócios com potencial de transformar indústrias.

O leque de negócios é muito abrangente. De um linkedin pra unir atletas e times a mercado secundário pra gamers revenderem ativos digitais comprados nos jogos. De uma plataforma pra melhorar a experiência em mapas digitais a um serviço de streaming focado em crianças.

Mas o processo de imaginar, estruturar, e vender as ideias seguem princípios comuns, quase que uma fórmula, que todos (ou ao menos as que tiveram um melhor desempenho) obedecem.

Aqui vão dez deles. Rufem os tambores:

1. Quem se importa?

Grande parte das apresentações começa com uma história que ilustra o problema que a startup resolve. Fazem isso antes mesmo de se apresentarem ou até dizerem o nome da empresa. Uma startup que criou uma complexa ferramenta de acesso a dados para melhorar soluções na área de saúde (que era um produto bem complexo de explicar) começou o pitch com “Imagine que você está numa ambulância, com um parente próximo entre a vida e a morte”. Impossível não se importar.

2. Leia a Bula

A pergunta “Do you have data to support that?” é tão comum que já virou piada por aqui. Mas não se trata de fetiche por dados, e sim de uma conversa madura com gente que irá colocar dinheiro nas suas ideias. Todos dominavam o tamanho do mercado, qual a fatia que querem morder, modelo de remuneração, dados do comportamento dos consumidores e tudo o que dá pra saber do setor em questão. Na ponta da língua. Você tem poucos chances como essa e elas podem ser decisivas pro sucesso do seu negócio. Não saber uma resposta pode significar uma oportunidade de ouro perdida.

3. Ninguém é perfeito

A preparação e domínio do assunto contrastava com os poucos momentos em que eles reconheciam algum ponto cego ou questão que ainda não tiveram tempo de investigar ou resolver. Esse reconhecimento transmitia um entendimento ainda mais maduro dos desafios que eles tinham pela frente. Ter as respostas pra tudo, eventualmente, gera mais incerteza do que segurança. Ainda mais para os VCs, que sabem que investimento sem risco não existe.

4. Tá, mas… Como funciona mesmo?

Se você não consegue explicar como seu produto funciona, em menos de dois minutos, pra pessoas que não tem o mesmo domínio do assunto que você, talvez ainda precise simplificar mais o seu pitch. Todos os fundadores claramente estavam deixando mil detalhes de fora da apresentação (detalhes que eles provavelmente devem amar) pra garantir que as pessoas entendessem a essência do funcionamento do que estavam propondo. Se a platéia sair dali sem conseguir explicar o que viu, mission failed.

5. Earn your Moonshot

Virou jargão do setor falar em moonshot. A ambição dos negócios tem que ser enorme, capaz de transformar indústrias e o comportamento das pessoas. E a maior parte dessas startups entendeu isso. Mas o que as perguntas dos investidores revelam é que, antes de mirar na Lua, você precisa provar sua viabilidade em uma escala menor, como um segmento específico ou um target específico. Caso contrário não vão te dar a gasolina pra chegar lá.

6. Diga-me com quem andas

10 entre 10 apresentações investiam algum tempo dos seus dois minutos pra falar do time que está por trás do projeto. Num negócio que ainda está nos seus estágios iniciais, muitas vezes o principal recurso pra provar o que vão conseguir fazer (seja uma tecnologia transformadora ou inventar um novo setor) ainda são as pessoas e suas bagagens. Inspirador ver o quanto isso ainda é percebido como um fator decisivo.

7. Ninguém quer ser o primeiro a pular na piscina

Ter gente incrível no time não é o bastante. Quase todos mostravam outras empresas que estão acreditando no negócio, seja porque já investiram, montaram parcerias ou referendaram o que está sendo vendido. Na era dos reviews, mostre quem já está te dando 5 estrelas.

8. Não deixe você mesmo em casa

O apresentador, em quase todos os casos, era o fundador da empresa. E, não raro, relatavam experiências pessoais dentro do negócio. É comum vermos depoimentos de investidores que reforçam que o principal motor do sucesso de uma startup está na paixão, preparação e resiliência de seus fundadores. Eles levam e reconhecem a importância da pessoa física por trás da jurídica. Não cometa o erro de esconder a sua.

9. Seja conciso

A humanidade agradece.

10. Ame o processo, pois os resultados podem demorar

A plateia riu quando um apresentador tinha, no backup, um slide cujo título era a exata pergunta que o investidor tinha acabado de fazer, com dados pra reponder. O comitê reconheceu o quanto ele estava afiado em todas as respostas e ele respondeu com um sorriso: “I’ve been doing this for a loooong time”.

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