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Gwyneth Paltrow e o mercado de bem-estar e espiritualidade

CEO da Goop, a atriz falou no SXSW sobre o novo projeto de conteúdo da empresa com a Netflix, do desejo em investir em produtos de maconha e da controvérsia em torno da marca

Karina Balan Julio
11 de março de 2019 - 18h00

Foto: Jim Bennett / Getty

Gwyneth Paltrow é geralmente lembrada como atriz, mas quer que seu trabalho como empresária supere seu histórico em Hollywood. “Algumas empresas vivem muito além de seus fundadores. Estou tentando criar algo maior do que fui como celebridade”, disparou ela no palco principal do SXSW nesta segunda-feira, 11, onde esteve para falar de seu trabalho como CEO da Goop, empresa que vende produtos ligados a bem-estar, espiritualidade e estilo de vida.

Em uma conversa com a âncora da CNN, Poppy Harlow, Gwyneth falou da trajetória da marca, que tem como target as mulheres; do desafio de tocar um negócio visto como controverso; do novo projeto da Goop com a Netflix, e do desejo em investir em produtos ligados a maconha.

Gwyneth fundou a Goop em 2008, depois de uma crise existencial relacionada à sua carreira como atriz, mas veio a se tornar CEO apenas oito anos depois. Os negócios da companhia “hipster” orbitam em torno de temas como a cura pela alimentação, consumo consciente e bem-estar emocional, com um toque de misticismo. A Goop abarca operações de conteúdo online e impresso, uma linha de roupas e acessórios, livros e até suplementos alimentares. A empresa hoje está avaliada em US$ 250 milhões e no ano passado captou US$ 80 milhões em investimentos.

No palco do Convention Center, em Austin, Gwyneth admitiu que a transição para os negócios não foi necessariamente fácil. “Sei que a proeminência que me fez chegar até aqui é pouco usual. Não terminei a faculdade, não fiz MBA e não tenho uma grande carreira em negócios. Tive que aprender aos poucos e entendi que fazer perguntas não é errado. Você pode ser muito inteligente e ainda assim não saber muitas coisas”, disse.

A estratégia de trabalhar com tantas linhas de negócio não veio apenas dos interesses pessoais da atriz, mas do desejo de criar uma empresa menos vulnerável a momentos difíceis do mercado. “Se o Facebook mudar um algoritmo ou o crescimento de determinada operação cair, podemos pressionar diferentes áreas do negócio”, disse a executiva, que tem como um de seus mentores o CEO do Airbnb, Brian Chesky, e como uma de suas inspirações a Disney. Seu plano é, da mesma forma que o grupo de entretenimento, ter o conteúdo como core business e a partir daí manter linhas de negócio auxiliares.

Um dos próximos projetos da Goop será uma série com a Netflix, conforme publicou a revista Variety em fevereiro. Ainda este ano, o streaming lançará uma série de episódios sobre bem-estar espiritual e físico produzido com a Goop, com a participação de pesquisadores, médicos e outros experts. A série será apresentada pelas editoras da plataforma digital da empresa, entre elas a própria Gwyneth Paltrow e Elise Loehnen.

A Goop também está de olho em produtos baseados em maconha e canabidiol. “Este será um grande mercado e há espaço para entraremos neste negócio, mas faremos isso no momento certo. Esta ainda é uma área muito pouco regulada, embora a linha de supply chain já esteja estruturada”, explicou Gwyneth.

Controvérsia

Por vender um estilo de vida que mistura as fronteiras entre saúde e espiritualidade, a Goop tem sido taxada como controversa. Em 2018, a Goop foi multada em US$ 145 mil pelas autoridades do distrito de Santa Clara, na Califórnia (EUA). A justificativa é de que a empresa teria feito propaganda enganosa de seus produtos, alegando que eles tinham propriedades curativas não comprovadas.

Entre os produtos citados, haviam cristais anunciados como tratamentos para fertilidade, óleos que supostamente auxiliariam tratamentos de depressão, e um “ovo vaginal”, um dos produtos mais polêmicos, que supostamente seria capaz de fortalecer a musculatura genital e trazer bem-estar às mulheres. Mais recentemente, a Forbes relacionou a futura série da Goop com a Netflix ao “triunfo da pseudociência”.

Sobre o rótulo da Goop como marca “controversa”, Gwyneth disse que entende o poder de influência e a responsabilidade que a empresa carrega. “Queremos vender produtos que cumpram com o que se propõem e sejam bem fundamentados. Mas, ao mesmo tempo, acho engraçado que as pessoas taxem os produtos como ‘controversos’. É sério que a saúde das mulheres é controversa?”, ironizou.

Cultura de trabalho

Outra filosofia que Paltrow carrega para a Goop é a de que um bom plano de negócios vem de uma cultura saudável de trabalho. Gwyneth disse que faz uma reunião semanal com todos os funcionários para acompanhar o dia-a-dia do negócio. “Culturas organizadas de cima para baixo não funcionam. Todos da companhia contam”.

Ela não deixa o trabalho como CEO a sobrecarregar e busca sair do trabalho às 16h todos os dias, para passar tempo com a família. Uma vez ao ano, em agosto, libera todos os 250 funcionários da Goop para recesso. “Uma pessoa pode tirar férias individualmente, mas se os e-mails e mensagens no Slack continuam chegando, não é a mesma coisa. Temos que abandonar a ideia de que estar sobrecarregado é um atestado de honra. Espero que, enquanto país e empresas, abracemos modelos mais saudáveis de trabalho”, afirmou.

Ao final da sessão, a âncora da CNN questionou Paltrow se ela um dia venderia a Goop para a Amazon, já que a executiva e o Beff Bezos estiveram em contato no ano passado. “Acho que venderia. Por que não?”, finalizou, embora garanta que o contato com o líder da Amazon não passou de um e-mail.

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