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Apropriação cultural ou apreciação cultural?

Bom senso, diversidade dentro das empresas e crédito aos agentes culturais são os caminhos para lidar com o dilema da apropriação cultural


12 de março de 2019 - 13h40

 

(crédito: vgajic-iStock)

Ainda estamos processando. Recentemente, vimos casos em que a exploração de culturas historicamente minorizadas feitas por marcas e personas influentes receberam duras críticas pela aparente falta de respeito à cultura de origem. O painel “Apropriação Cultural X  Apreciação Cultural”, no segundo dia do SXSW, levantou muitas perguntas sobre o tema. Quais os limites entre o que é ou não aceitável no uso de culturas diferentes da origem do emissor. Quando o uso de um elemento representativo de uma outra cultura deixa de ser homenagem e passa a ser exploração ou oportunismo? Que lições podemos aprender com esses erros e como podemos garantir que essas culturas e as pessoas que as vivem serão respeitadas?

São algumas das questões que Tanya Tarr (Cultivated Insights), Angela Yang (Connections T3), Chas Moore (Austin Justice Coalition) e Tanya Dua (Business Insider) tentaram responder no painel. A discussão ainda dá caldo, mas seguem aqui algumas pistas:

1- Apreciação cultural é sobre dar crédito para as pessoas por trás da cultura:
Cultura foi feita para ser compartilhada, mas deve ser feita com respeito às pessoas que criaram. Você pode apreciar uma cultura, sua comida, música e moda, mas se fizer sem reconhecer de onde ela vem, estará desrespeitando e se apropriando indevidamente de algo que não é seu.

2- Quando em dúvida, pergunte-se:
É sagrado em outra cultura? É apenas um objeto ou um símbolo importante? É uma prática ou algo sacro? Pode causar danos? Sua ação pode gerar prejuízos para alguém, sociais ou econômicos?
Eu me esforcei para saber o suficiente sobre? Eu posso contar a história? Contar de uma maneira que reflita o sistema de crenças das pessoas que criaram aquele objeto ou prática? E, se sim, pode ser feita de maneira respeitosa, de forma a elevar aquela cultura?

Passar por essas reflexões poderia ter evitado o constrangimento de muitas pessoas e marcas, ajudando a ir além de apenas ser a vitrine de uma moda, mas o reconhecimento de uma história. Uma escolha por efetivamente reconhecer e respeitar a riqueza de uma cultura.

3- Tenha uma cultura de diversidade na sua empresa
O esforço das empresas em serem mais diversas também as torna melhores. Empresas diversas possivelmente não cometeriam os erros que marcas e personalidades cometeram recentemente. Mas mais do que apenas contratar diversidade de gênero, raça e orientação sexual, é dar espaço para eles na liderança, é também sobre ter uma cultura corporativa que promova diversidade. Não é um processo fácil, e especialmente no Brasil, onde ainda estamos no começo desse aprendizado. Mas certamente essa busca nos faz pessoas melhores, gera melhores negócios e dá espaço para uma melhor criatividade. Continuemos aprendendo.

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