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Como empresas estão preparando a força de trabalho do futuro?

IBM, Google e Walmart estão bancando a formação tecnológica de colaboradores e comunidades em seu entorno, enquanto a Pwc aposta em modelos flexíveis de trabalho

Karina Balan Julio
14 de março de 2019 - 21h35

Foto: Pexels

A discussão sobre o futuro do trabalho frequentemente gira em torno da automação de profissões e do esforço dos profissionais para se adaptarem a este contexto. Mas qual é o papel das empresas em moldar a força de trabalho das próximas décadas? Além disso, como corporações estão respondendo ao desejo de seus colaboradores por modelos de trabalho individualizados?

No painel “Building the 21st Century Workforce”, representantes da IBM, Google e Walmart se reuniram para falar das iniciativas que estão construindo em torno de sua força de trabalho, seja para torná-la mais inclusiva ou para adaptar as habilidades de seus colaboradores para o futuro.

Kelli Jordan, diretora de Career & Skills da IBM nos Estados Unidos, disse que uma tendência para o mercado de trabalho, principalmente em áreas tecnológicas, é a valorização de nanocertificações em habilidades específicas em detrimento de cursos de longa duração.

“Uma habilidade técnica que você tem hoje pode não ser importante daqui a cinco anos. Do lado das empresas, corporações precisam começar a contratar por habilidades, não importa se o funcionário aprendeu algo sozinho, se fez um bootcamp ou se foi para a faculdade”, argumentou. Segundo ela, a busca por potenciais talentos fora dos muros das grandes Universidades tende a se tornar uma prática mais comum entre empresas.

Entre as iniciativas da IBM estão um programa de aprendizes e o projeto New Collar Certificate Program, que certifica pessoas em áreas emergentes como cibersegurança, computação em nuvem e design digital. Somente em 2019, a empresa projeta certificar mais de 400 pessoas nos Estados Unidos. “Nem todas as pessoas precisarão saber programar, mas todos no futuro terão que ter consciência de como máquinas e dados podem solucionar problemas”, acrescentou Kelli.

A rede de supermercados Walmart, por sua vez, está financiando a faculdade de cerca de 3 mil funcionários em áreas como marketing, administração e supply chain. “A ideia é dar aos funcionários diplomas em áreas que sejam interessantes para nós e também para eles caso decidam trabalhar em outros setores”, disse Sean Thurman, diretor global de políticas públicas do Walmart.

Já o Google está tentando levar a educação voltada para áreas tecnológicas para além dos polos de tecnologia dos Estados Unidos. No início deste ano, anunciou uma série de workshops voltados para a economia digital em bibliotecas locais de cidades pequenas do país.

O engajamento do setor privado com o tema da empregabilidade e da automação a nível local será muito importante para construir um mercado de trabalho saudável, na opinião de Tyra Mariani, Presidente e COO da New America. A organização foca na articulação entre agentes governamentais, empresas e instituições de educação.

“Educadores, comunidades e empresas precisam se articular para trazer respostas locais para desafios locais da automação”, disse Tyra. Além de investir no upskilling de seus colaboradores atuais, é recomendado que empresas considerem os impactos da automação em seu segmento a longo prazo, e a partir daí redirecionem recursos para educar a população que será afetada pela automação.

“Seria interessante que as empresas investissem também nas pessoas que provavelmente perderão o emprego em algum momento, por conta da tecnologia que elas pretendem adotar”, disse Tyra.

Dados e modelos flexíveis de trabalho

Em outro painel, sobre a reinvenção das dinâmicas de trabalho, pesquisadores da consultoria PwC abordaram como empresas de diversos portes podem utilizar os dados adquiridos sobre seus funcionários para criar ambientes de trabalho mais flexíveis e individualizados de acordo com a rotina e demandas de cada colaborador.

Tanya Khaiyanun, consultora de tecnologia da PwC nos Estados Unidos, afirmou que as pessoas hoje depositam muito mais expectativa sobre suas carreiras do que há décadas atrás. “Elas ocupam o papel de clientes em todos os aspectos de suas vidas e estão vivendo experiências customizadas desde a hora em que compram algo online até a hora em que assistem a filmes no VOD. Agora, elas também querem customização durante o trabalho enquanto estão tentando ser produtivas”, argumentou.

A PwC tem utilizado dados sobre seus funcionários para adaptar seus escritórios e sua relação com colaboradores. A empresa aboliu mesas fixas e tem estimulado o home office e compartilhamento de mesas e salas, por exemplo.

Sid Bathia, líder de workforce environment da consultoria, afirma que organizações precisam olhar mais atentamente aos dados que possuem sob sua estrutura. Esta análise pode envolver desde a frequência de uso de salas de reunião, até uma avaliação dos horários de pausa dos funcionários. Estas observações podem trazer insights sobre como otimizar espaços, ferramentas e programas de incentivo voltados a colaboradores.

“Identificamos nos nossos sistemas os colaboradores que viajam muito e os que frequentam o escritório a semana toda, e assim construímos um espaço onde há, por exemplo, oito lugares para um time de doze pessoas. Até os sócios dividem o espaço”, explica Sid.

O executivo relata que, depois que a empresa adotou modelos de trabalho remoto, o escritório da PwC nos Estados Unidos conseguiu reduzir sua pegada de carbono em 40%, considerando as economias de água e energia, além de aumentar em 27% a satisfação de seus colaboradores. Para Sid, o futuro do trabalho também envolverá a adoção de wearables e softwares para monitorar os níveis de stress e satisfação dos colaboradores.

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