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Entre avanços tecnológicos e a natureza humana

Quando se trata de inteligência emocional, parece que humanos e máquinas vão aprender juntos


14 de março de 2019 - 13h27

(crédito: reprodução)

Depois de acumular alguns dias de palestras no SXSW e de escutar outras pessoas contarem sobre as inúmeras outras que perdi, pude costurar os retalhos e identificar a narrativa mais ampla por trás da imensidão de conteúdo compartilhada aqui.

Inteligência artificial está decolando

De um lado, inovações e lançamentos empolgantes que prometem mudar ou já estão mudando a vida como conhecemos: smart homes, onde todos seus utensílios e wearables serão conectados entre si e capazes de tomar decisões por você; carros autônomos; robôs de estimação; digital influencers artificiais, e por aí vai.

Além de mudar nosso jeito de viver, todas estas novidades trazem consigo uma série de perguntas inéditas. Estamos começando a ser confrontados por questões que vão desde “deveríamos dizer ‘por favor’ e ‘obrigada’ para Alexa?” até dilemas morais complicadíssimos como “em caso de acidente, quem um carro autônomo deve salvar ou matar?”

Inteligência emocional está engatinhando

Do outro lado, dados alarmantes sobre nosso estado emocional: alcançamos índices recorde de ansiedade, solidão e de desconfiança em todos os tipos de instituições. Não sabemos em quais notícias acreditar, temos dificuldade de nos mantermos presentes no momento, de nos concentrarmos e de conversarmos numa boa com quem discorda de nós, preferindo muitas até cortar laços do que escutar pontos de vista divergentes dos nossos.

Difícil ler tudo isto de uma vez e não sentir uma pontada no estômago, né?

Felizmente, uma série de palestrantes notórios abordou estes temas, provando que estamos finalmente começando a tratá-los com a devida importância.

Diretamente do Ballroom D, a principal sala do evento e lotada por mais de 2.400 pessoas, as palavras que mais escutei foram vulnerabilidade, empatia e interdependência.

A qualidade dos nossos relacionamentos determina a qualidade das nossas vidas e do nosso trabalho

Esther Perel é psicoterapeuta e especialista em terapia de casais. Sob a premissa que a qualidade dos nossos relacionamentos determina a qualidade da nossa vida, a palestrante – eleita a melhor do SXSW de 2018 – nos mostrou como as questões que enfrentamos no trabalho são análogas às dos nossos relacionamentos românticos. E que nosso preparo para lidar com ambos está bem aquém do necessário.

Esther fez uma enquete rápida: “levante a mão quem já teve ou tem algum relacionamento difícil no trabalho.”

Depois de ver 100% da plateia com as mãos para cima, a palestrante criticou duramente a falta de tempo e recursos que investimos para aprimorar nossa habilidade de nos relacionarmos uns com os outros.

“Precisamos reavaliar onde investimos nosso tempo e dinheiro. A qualidade dos relacionamentos no trabalho tem influência direta no resultado do trabalho em si. 65% das startups fracassam porque o relacionamento dos cofundadores simplesmente não sobrevive.” E provocou: “nenhuma quantidade de dinheiro, comida de graça ou propósito compensa termos que lidar com relacionamentos tóxicos no trabalho.”

Precisamos uns dos outros

Brené Brown, por sua vez, falou sobre pertencimento, coletividade e a importância de nos mantermos fiéis a quem somos mesmo diante do ódio fácil, das pressões enormes para sentir que nos encaixamos e sermos aceitos.

Para tornar seu ponto ainda mais contundente, a pesquisadora e autora de diversos best-sellers pediu para que todos da plateia se levantassem e seguissem juntos as letras da música projetada no telão. Com um ritmo suave típico do som country texano, cantamos juntos: “If you needed me I would come to you/I would swim the seas to ease your pain.”

Foi um momento breve, mas o recado teve impacto: precisamos uns dos outros.

O futuro ainda não está decidido

Amy Webb, futurista, professora da NYU e fundadora do Future Today Institute, lançou no festival seu relatório de tendências para 2019. Para cada macrotendência, ela mostrava 3 possíveis cenários: um otimista, um neutro e um catastrófico.

Amy contou que opta por disponibilizar todo seu conteúdo online de forma gratuita por um simples motivo: o futuro não está decidido, não é um lugar pronto que vamos alcançar e, sim, algo que estamos construindo juntos todos os dias e a cada decisão que tomamos. Também destacou a responsabilidade dos líderes e pessoas influentes presentes na sala: “são as suas decisões que vão moldar estes cenários.”

Não existe avanço tecnológico sem o avanço da natureza humana

Para mim, o maior aprendizado é perceber que quanto mais avanços tecnológicos fazemos, mais conhecemos sobre a natureza humana.

Quanto mais progressos fazemos, mais somos obrigados a encarar e lidar com nossos atrasos e dificuldades básicas.

Quanto mais nos segregamos, mais evidente se torna a interdependência e a necessidade de harmonia entre todas as coisas.

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